No início de outubro estive em Viena, na Áustria. Com esperanças de poder escalar por lá, fui equipado com o básico, sem corda. Mas minhas tentativas de encontrar um parceiro pelo couchsurfing foram frustradas e me restou dar uma olhada nas academias de escalada indoor. Longe de ser divertido ir sozinho a uma academia apenas para conhecer, direcionei minhas atenções para o Flakturm ou Flak tower.
Vienna possui algumas Flak towers, torres de concreto construídas pela Luftwaffe para combate anti-aéreo durante a segunda guerra mundial e também para abrigar pessoas durante um ataque. Para saber mais vejam o link da Wikipedia, que inclusive fornece as coordenadas geográficas de algumas delas: Flak tower. Vi duas delas em Vienna, uma no Augarten (ver as fotos no meu álbum e Augarten G-tower no artigo da Wikipedia) e a Flakturm VI L-Tower onde está hospedado hoje o Haus de Meeres um aquário, e que tem na parte externa o muro de escalada. Escalar um bunker é algo incomum, ainda que não seja nada demais, e achei que valia a pena experimentar.
Minha primeira ida ao local foi num sábado de manhã e descobri que só abria a partir das 14 h. É muito legal ver um lugar assim, pois estimula os praticantes. Mais legal ainda foi ver no mesmo parque um brinquedo infantil com agarras de escalada. Desisti naquele dia, mas acabei voltando no domingo no final da tarde. Fui muito bem recebido pelo monitor, que falava inglês. Pela primeira vez usei minha carteirinha do clube de montanha de Chaniá que garantiu um preço menor e também fez com que ele não testasse meus conhecimentos de segurança (apesar de ter perguntado se eu sabia).
Como eu disse que ia ficar pouco tempo ele cobrou a menor tarifa, de quatro euros. Levei apenas meu equipamento e precisamos alugar uma cadeirinha para a Anamaria fazer segurança para mim, já que os monitores não fazem segurança e teria que depender de algum outro escalador gentil que estivesse por ali. O aluguel foi uma bagatela de dois euros e valeu o preço. O capacete eles emprestam e eu e a Anamaria éramos os únicos alienígenas usando capacete.
Antes de começar o monitor me apontou quais eram as vias que eu poderia escalar, cinco ou seis vias de graus variados em top-rope. Para escalar guiando é preciso levar a própria corda. Havia vários escaladores no local e procurei pelas vias mais fáceis que eram a amarela (5+) e a vermelha (3+), só não sei que escala era usada. Como a vermelha estava ocupada encarei a amarela mesmo. A via era bem fácil sem exigência técnica nenhuma, mas a partir da metade meu antebraço já estava estourando e perto do final dos 30 metros de via já estava começando a ter dificuldade para fechar as mãos. Fiquei um pouco chocado com meu despraparo físico apesar de a via ser muito fácil. Depois de um breve descanso a via vermelha foi liberada e entrei nela. A via que era mais fácil acabou sendo mais difícil, mais uma vez nenhum problema técnico, mas meus braços foram pro espaço bem mais rápido e bem antes dos 35 metros do final. Ainda assim, não descansei na corda em nenhuma das duas.
As duas escaladas deu para o gasto e não teria condições de encarar vias mais difíceis na sequência. Devolvemos o equipamento que a Anamaria usou e fui experimentar um pouco a área de boulder que é também muito legal. Usei um pouco o muro vertical, depois aqueci um pouco no negativo e frente ao desafio imposto pela tia da Ana que assistia a tudo e a todos boquiaberta fui fazer o teto. Fiz sem muitas dificuldades, mas é claro usando todas as melhores agarras disponíveis. À noite não sei bem por quê, fiquei com um pouco de dor na lombar que levou uns três dias para passar...
No site deles tem um croqui desenhado e um croqui foto do local e algumas informações em alemão para quem estiver interessado: Flakturm
Como demorei um pouco para escrever o texto e não tomei notas talvez eu tenha esquecido alguma coisa interessante que comentarei em momento oportuno (o da lembrança). Hoje por preguiça não coloquei fotos na publicação, mas vejam as fotos no álbum.
Link para o álbum desta publicação: Flakturm
Pequenos comentários sobre minhas pequenas aventuras na ilha de Creta e, quem sabe, em outros lugares.
quinta-feira, 22 de outubro de 2009
terça-feira, 29 de setembro de 2009
Os limoeiros estão doentes
Domingo rendeu mais um final de tarde de escalada. Fomos apenas eu e o Yorgos (Agrônomo). E rendeu mesmo. Guiamos a Louki-Look para aquecer e em seguida a Mávri. Em seguida guiei a Dulfer, que tem um crux esquisito que passei arriscando. O Yorgoso top-ropeou a Dulfer e disse que gostaria de tentar a Adelfopiísi de novo. Sobrou para mim guiar. Passei um veneno no crux, bem mais do que sábado mas consegui. Já estava tarde quando o Yorgos desceu, mas aproveitei para escalar a via do lado que esqueci o nome.
Aproveitando que o Yorgos é agrônomo, levei alguns ramos dos limoeiros daqui do quintal para ele dar uma analisada. Os limoeiros não tem rendido limões e muitas frutas nem crescem e já começam a estragar. Ele mal olhou as folhas e perguntou se alguém cuidava das árvores, tão ruim era o estado que estava. E olha que a dona do apartamento rega regularmente e também põe adubo. O diagnóstico foi de um inseto e duas doenças em estado avançado. Ele ficou de me receitar um tratamento biológico, já que são apenas 6 ou 7 árvores.
Como saio de viagem amanhã e só voltam em quinze dias ainda vai demorar um pouco para o tratamento dos limoeiros começar.
Boa viagem!
Aproveitando que o Yorgos é agrônomo, levei alguns ramos dos limoeiros daqui do quintal para ele dar uma analisada. Os limoeiros não tem rendido limões e muitas frutas nem crescem e já começam a estragar. Ele mal olhou as folhas e perguntou se alguém cuidava das árvores, tão ruim era o estado que estava. E olha que a dona do apartamento rega regularmente e também põe adubo. O diagnóstico foi de um inseto e duas doenças em estado avançado. Ele ficou de me receitar um tratamento biológico, já que são apenas 6 ou 7 árvores.
Como saio de viagem amanhã e só voltam em quinze dias ainda vai demorar um pouco para o tratamento dos limoeiros começar.
Boa viagem!
domingo, 27 de setembro de 2009
America's #1 climbing chalk!
No final de semana passado, depois de três semanas sem escalar, voltei ao conhecido e agradável Monte Várdia. Em todo o período o único exercício que fiz foi o passeio de bicicleta em São Francisco e o corpo já começou a sentir até para subir uma escadaria na universidade.
Ontem, sábado, fui no final da tarde para o Monte com a Anastasia e o Agrônomo (Yorgos) depois que o Kostas (aquele que está em repouso) me avisou. Escalar com eles é sempre legal, são bem relaxados e estão preocupados em escalar e não em escalar difícil. Deixei eles comandarem a brincadeira e guiamos a Zéstama (IV) os três. Depois eu o Yorgos guiamos a Mi-nous (Vsup/VI) e a Anastasia fez em top-rope. Relembrando a escalada do final de semana anterior, parece que esta via fica mais fácil guiando do que em top-rope, mas ela não é tranquila e passamos ambos um veneninho.
Na sequência a Anastasia resolveu encarar guiando a Adelfopiísi (VI). Guiei esta via, acho que duas ou três vezes. a primeira metade tranquila, mas a passagem entre a segunda e a terceira chapeleta é esquisita e a terceira chapeleta parece longe. Mas é possível costurar com o pé a menos de 20 cm da segunda chapeleta. O crux está depois da terceira chapeleta, em que se sai de uma cavernina por uma seção vertical com agarras muito ruins, com buraquinhos de canto para os dedos. A Anastasia acabou amarelando na segunda chapeleta e sobrou para mim.
Peguei a ponta da corda meio nervoso, fazia tempo que não escalava esta via, mas mantive o controle. Nas outras vezes que guiei foi difícil costurar a terceira chapeleta. Pouco abaixo da caverninha tem um platôzinho, mas dali não alcanço a chapeleta. A solução era me segurar com a mão esquerda numa agarra da caverninha, pegar uma costura com a mão direitar, patinar com os pés pela parede lisa, costurar e voltar para o platozinho. Esta estratégia não é nada tranquila. Ontem notei um degrauzinho de meio centímetro de profundidade e um ou dois de altura no platozinho. Pisei nele e fiquei na ponta do pé e consegui empurrar o gatilho do mosquetão contra a chapeleta e costurar bem mais tranquilo. O lance seguinte não saiu na primeira tentativa. Parei na cordar por alguns segundos e mexi melhor os pés para terminar o resto da via com tranquilidade. O Yorgos e a Anastasia fizeram em top-rope na sequência.
Não sou capaz de dizer se o magnésio de agora é melhor ou pior do que eu tinha antes. A meia é um pouco grande e quando encher ela de novo, não colocarei tanto magnésio como tem agora. Acho que minha escalada não aumentou um grau, mas consegui escalar o nível que vinha escalando e isso é bom pois posso variar mais as vias.
Link para o álbum desta publicação: America's #1 climbing chalk!
domingo, 20 de setembro de 2009
A Garganta de Imbros
A segunda garganta mais frequentada da região de Chaniá é provavelmente a Garganta de Imbros. Ela fica mais a Leste do que a Garganta de Arádena e a Garganta da Samariá, esta última a mais frequentada. A Garganta de Imbros tem início no vilarejo de mesmo nome à leste da Léfka Óri, a cadeia de montanhas de Chaniá, e termina no vilarejo de Komitades nos arredores de Sfakiá, ao sul de Creta.
Apesar de não ter a fama e muito menos a imponência da Garganta da Samariá, Imbros é de fácil acesso e de baixa dificuldade. A estrada que liga o Norte de Creta com Sfakiá, ao Sul, margeia a garganta em todo o seu trajeto. Por sinal, nos dois kilômetros que antecedem a entrada da garganta, os estabelecimentos comerciais (tavernas) indicam consecutivamente as diferentes entradas (que cada um criou) para a garganta.
Começamos nossa caminhada na última, onde fica a taverna de uma amiga da Natasa e do Stéfanos. Isso nos poupou um bom trecho de caminhada num plano árido e desinteressante. Além dos dois, de mim e da Anamaria, nos acompanhou no passeio o Ian, um amigo tcheco da Natasa.
Saindo da taverna, uma escadaria nos levou até a entrada da garganta que para minha surpresa não era de graça. Com uma simpatia também surpreendente um típico cretense nos cobrou o ingresso (2 euros) e ofereceu uma rodada de ráki para todos (para ele inclusive, hehe).
Logo após a entrada, uma placa mentirosa sugere que ao final, é possível encontrar táxi e ônibus para retornar à entrada onde deixamos o carro. Minha sugestão era irmos com dois carros e fazermos como fizemos em Arádena, mas gregos gostam de complicar as coisas e deixaram que a sorte decidisse (sabíamos que não tinha ônibus nem táxi no final).
Não tenho vocabulário e talento literário para descrever a garganta de maneira completa e atraente e por isso tentarei apenas notar algumas marcas dela em relação às outras que visitei.
Esta garganta tem sete kilômetros de extensão é bem pouco íngreme (acho que começa a 700 m do nível do mar e termina quase nele). É mais aberta que as outras e na maior parte dos trechos não se percebe paredes verticais, mas sim positivas, aos lados. Poucos trechos estreitam, dois ou três apenas, e esta é a que tem o trecho mais estreito entre as que já percorremos. Outro diferença grande é a vegetação que é bem diferente, principalmente de Arádena. Posso estar falando bobagem pois me baseio apenas na minha observação de leigo, mas esta parece ser bem mais arborizada que Arádena e de certa forma até mais arborizada que a Samariá (apesar do longo trecho com cedros logo no início desta última).
A maior parte do percurso se dá pelo leito seco e pedregoso da garganta e em alguns pontos a trilha vai por um trecho mais alto. Tivemos, se muito, um obstáculo que exigiu o uso das mãos para ser transposto, muito menos do que em Arádena. Claramente alguns trechos foram facilitados pela ação do homem, e com isso quero dizer ação proposital e planejada, e não apenas pelo fato de homem passar por lá há muito tempo. Diga-se de passagem em vários pontos há ganchos nas paredes de pedra que imagino serviam para passar linhas telefônicas ou fios elétricos há pouco tempo atrás (não fotografei). Um único trecho de uma vintena de metros é calçado com pedras.
A infraestrutura se resume à guarita de entrada, placas de proibido fumar e à uma choupana numa área mais larga e plana da garganta mais ou menos na metade do percurso, onde supostamente é feita a verificação de bilhetes e a venda de refrescos para os turistas. O final de agosto já é também final de temporada e a frequencia na garganta é bem menor do que no auge da estação, apesar de termos cruzado com algumas pessoas, a maioria subindo. Já ia esquecendo de escrever que fizemos o passeio no dia 30 de agosto de 2009, um domingo.
O trecho mais estreito da garganta e usado como atração turística do local tem 1,60 m de largura. Fica num corredor de pedra muito legal que em certo ponto forma uma canaleta de pedra. Aproveitamos, evidentemente, para fazer fotos típicas e cafonas de pontos como este.
Pouco antes do final, botecos em condições precárias oferecem bebidas e comida a preços módicos e "serviço de táxi". A pressão é grande para aceitar o serviço deles que na verdade é a caminhonete de alguém em que vamos na carroceria até o ponto onde deixamos nosso carro. Não aceitamos, mais pelo jeito das pessoas do que pelos 18 euros (dividido por cinco) que queriam para nos levar de volta.
Talvez tenha sido um erro. Não conseguimos oferta melhor no vilarejo, na verdade não conseguimos oferta alguma. Optamos por caminhar até um cruzamento mais a frente 2 km em direção à Sfakiá. Para nossa sorte o sol que estava tímido atrás das nuvens resolveu aparecer bem nesta hora. No cruzamento consegui uma carona com um espanhol, mas foram o Stéfanos e a Natasa para pegar o carro e voltarem para nos buscar. Anamaria, Ian e eu, ainda percorremos uma parte do trajeto morro acima até encontrar uma parada com sombra, onde esperamos o resgate.
Encerremos o passeio com uma refeição medíocre na taverna onde tínhamos começado a caminhada e onde o nosso amigo da portaria ofereceu mais uma rodada (na verdade uma garrafinha) de ráki para nós.
Link para o álbum desta publicação: A Garganta de Imbros
Apesar de não ter a fama e muito menos a imponência da Garganta da Samariá, Imbros é de fácil acesso e de baixa dificuldade. A estrada que liga o Norte de Creta com Sfakiá, ao Sul, margeia a garganta em todo o seu trajeto. Por sinal, nos dois kilômetros que antecedem a entrada da garganta, os estabelecimentos comerciais (tavernas) indicam consecutivamente as diferentes entradas (que cada um criou) para a garganta.
Saindo da taverna, uma escadaria nos levou até a entrada da garganta que para minha surpresa não era de graça. Com uma simpatia também surpreendente um típico cretense nos cobrou o ingresso (2 euros) e ofereceu uma rodada de ráki para todos (para ele inclusive, hehe).
Não tenho vocabulário e talento literário para descrever a garganta de maneira completa e atraente e por isso tentarei apenas notar algumas marcas dela em relação às outras que visitei.
Esta garganta tem sete kilômetros de extensão é bem pouco íngreme (acho que começa a 700 m do nível do mar e termina quase nele). É mais aberta que as outras e na maior parte dos trechos não se percebe paredes verticais, mas sim positivas, aos lados. Poucos trechos estreitam, dois ou três apenas, e esta é a que tem o trecho mais estreito entre as que já percorremos. Outro diferença grande é a vegetação que é bem diferente, principalmente de Arádena. Posso estar falando bobagem pois me baseio apenas na minha observação de leigo, mas esta parece ser bem mais arborizada que Arádena e de certa forma até mais arborizada que a Samariá (apesar do longo trecho com cedros logo no início desta última).
Pouco antes do final, botecos em condições precárias oferecem bebidas e comida a preços módicos e "serviço de táxi". A pressão é grande para aceitar o serviço deles que na verdade é a caminhonete de alguém em que vamos na carroceria até o ponto onde deixamos nosso carro. Não aceitamos, mais pelo jeito das pessoas do que pelos 18 euros (dividido por cinco) que queriam para nos levar de volta.
Talvez tenha sido um erro. Não conseguimos oferta melhor no vilarejo, na verdade não conseguimos oferta alguma. Optamos por caminhar até um cruzamento mais a frente 2 km em direção à Sfakiá. Para nossa sorte o sol que estava tímido atrás das nuvens resolveu aparecer bem nesta hora. No cruzamento consegui uma carona com um espanhol, mas foram o Stéfanos e a Natasa para pegar o carro e voltarem para nos buscar. Anamaria, Ian e eu, ainda percorremos uma parte do trajeto morro acima até encontrar uma parada com sombra, onde esperamos o resgate.
Link para o álbum desta publicação: A Garganta de Imbros
sábado, 19 de setembro de 2009
Atrasadas II
No sábado a tarde fomos à Thérisso e escalamos no mesmo lugar onde escalamos tantas outras vezes. Tinha uma penca lá e o aglomerado de 4 ou 6 vias estava praticamente todo ocupado. Escalei em três vias, todas de VI/VIsup. Entrei na frente numa via chamada Taboula Rasa que já tinha tentado a primeira vez que escalei em Thériso com o Apostolis, muito tempo atrás. Da outra vez amarelei lá pela quarta ou quinta chapeleta, e desta vez fui uma a mais e desisti. O Kostas guiou o resto. Descansei um pouco e fui para uma via mais a esquerda e entrei guiando de novo. Fui até quase o final, a uns 20 metros do chão, mas amarelei no meio de uma lance negativo com uma continuação oculta que prefiro tentar em top-rope antes de guiar. A terceira via é a Fanatikous que já escalei algumas vezes e que acho sub-graduada. A diferença desta via para as outras duas é que ela é mais curta e mais uniforme (as outras alternam lances bem fáceis com lances moderados), mas com as chapeletas em distâncias razoáveis sempre, ainda que não coladas umas nas outras. Guiei a via sem encadenar e foi uma superação que já deve ter se perdido nestas três semanas que estou sem escalar. Foi neste dia que o Kostas se encostou na pedra e começou a dormir.
No domingo fui escalar de novo com o Kostas e como Yorgos agricultor. Escalamos as vias de sempre e entre guiando na via 25, que escalei uma vez faz algum tempo depois que tiraram a cerca que impedia de escalá-la. A diferença desta vez é que adicionaram uma chapeleta no início que deixou a via mais segura (da outra vez usei uns nuts bem marginais). Fui guiando e acho que posso dizer que encadenei se a apoiada que o Kostas e o Yorgos deram na minhas costas (hehe) numa escorregada logo no início não por tudo a perder. A via é muito legal e está graduada com VI (eu acho) e tem um começo bem difícil. Aproveitamos o top-rope para tentar as vias 24 e 23 ao lado de V grau.
Na segunda-feira voltei ao monte com o Kostas e com outro Kostas que foi comigo e com o Apostolis na primeira vez que fui a Thérisso. Ele não escala melhor que eu, mas põe uma pilha forte. Por conta disto foi um domingo de superação em que guiei a via 40 que tinha amarelado na última vez que escalei com o Yorgos (o outro) e que acabamos escalando de top-rope. Escalei também a via 44, que eu já tentara algumas vezes guiando mas sempre travava no meio. A via 44 é bem técnica e foi certamente o meu primeiro sétimo oficial aqui na Grécia. Mas melhor que isso é que a via é muito legal até o fim. Não encadenei, é claro.
No álgum algumas fotos de sábado e domingo.
Link para o álbum desta publicação: Atrasadas II
terça-feira, 15 de setembro de 2009
Carteirinha
Finalmente, depois de 9 meses, recebi minha carteirinha do Clube de Montanhismo de Chaniá. A carteirinha é, na verdade, emitida pela Federação Helênica de Escalada e Montanhismo. Como o leitor atento pode ver nas fotos, a carteirinha é bilingue (muito legal), escrita a mão (horrível), e a foto é grampeada (tosco). Foi usado papel cartão na confecção da carteirinha. As dimensões são inapropriadas; grande demais para caber numa carteira (na minha tela 15,4", com resolução1280x800 px, a foto aparece menor que o tamanho real. Esta carteirinha é a cara da Grécia. Vejam como eles gostam de carimbos!!!
domingo, 13 de setembro de 2009
Uma tragédia anunciada
Não fiz praticamente nada relacionado à montanhismo. Cheguei a pensar alugar um carro para ir até Yosemite só para visitar, mas fica a cerca de 4 horas de San Francisco, e era complicado de ir e voltar num mesmo dia.
Ainda assim visitei uma loja da R.E.I. bem legal nos arredores de Palo Alto, mas que me desapontou um pouco pela falta de variedade (comparando com o site e com a Au-Vieux-Campeur). A livraria e a seção de calçados eram fraquíssimas. Comprei apenas magnésio apesar da tentação de levar a loja toda.
No centro de San Francisco visitei a loja da The North Face que fez jus a fama que a marca tomou de ser uma grife chique e não uma marca de aventura. As coisas são caríssimas comparadas com outras marcas disponíveis em outras lojas. É tudo fashion (ao invés de funcional). Na foto, estou na loja olhando uma reprodução em escala do Everest que mostra as vias e a data em que foram estabelecidas.
Acho que a grande aventura da viagem foi sair de bicicleta do Pier 39 de San Francisco e cruzar de bicicleta a ponte Golden Gate e descer até uma cidadezinha chamada Sausalito, do outro lado da baía. Fazia muito tempo que eu não andava de bicicleta e para ajudar o vento era forte e contra a maior parte do tempo. Foi difícil, principalmente as subidas. Durante o trajeto passamos ao lado de um galpão enorme que era nada mais nada menos do que uma academia de escalada gigante. Me arrependo de não ter parado para fazer umas fotos, mas estávamos com medo de perder a hora de voltar e tive que resistir.
Mas o título da publicação se refere a má notícia que vou dar agora que faço questão de comunicar por causa do meu amigo Daniel que volta e meia manifesta saudades do Kostas (?!). Neste final de semana aconteceu em Meteora na região norte da Grécia um encontro de escalada. Ainda não fui à Meteora, mas as fotos mostram que o lugar é fantástico para visitar, escale-se ou não (busque no Google).
O Kostas foi para Meteora e sofreu uma queda grande. Para piorar a perna prendeu na corda e ele caiu de cabeça para baixo. Ele estava guiando a terceira enfiada e levou mais de uma hora para chegar ao chão. Tentou atendimento em um hospital próximo mas não tinham raio-x e nem transporte para levá-lo a outro hospital. Até conseguirem achar o grupo que tinha o carro foram-se quase três horas.
Falei com ele hoje por telefone e ele está hospitalizado nos arredores de Meteora, onde passou por uma pequena cirugia para drenar uma bolha que se formou depois que uma costela quebrada perfurou o pulmão. Ao que parece ele está bem, já que anda, come e fala (muito) e o acidente ocorreu há apenas dois dias. Amanhã ou depois falarei com ele de novo para saber quando ele terá alta.
Há tempos venho alertando o Kostas para não passar dos limites, mas ele é cabeça dura e não ouve. Se arrisca frequentemente em vias bastante acima do nível técnico dele. Comete pequenos (?) erros como deixar a corda cruzar atrás da perna e colocar a costura para o lado errado recorrentemente quando guia, e eu e outros alertamos ele continuamente. Como ainda não publiquei as fotos das escaladas que fiz logo antes da viagem não comentei que numa delas ele se encostou num canto e começou a dormir. Ele vinha escalando diariamente, saindo a noite em boates e trabalhando até 12 horas por dia, ou seja praticamente não dormia. Cheguei a comentar que escalar com ele estava se tornando perigoso para os parceiros. Alguma hora a bomba ia estourar e infelizmente estourou. Ótimo que ele já está bem, mas espero que a ficha tenha caído.
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