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terça-feira, 8 de março de 2011

Skoteino

Para retomar o blog, nada melhor que um novo setor de escalada, eu acho. No último sábado, Anamaria e eu resolvemos ir dar uma volta em Heráklio para dar uma variada. Levamos na bagagem o Mehdi, meu colega Iraniano que é fã de McDonalds e que não poderia perder a oportunidade de visitar a lanchonete na cidade "grande".

Pela manhã a Anamaria ficou no centro e fui com Mehdi no palácio de Knossós cumprir com a parte cultural da viagem. Depois do passeio almoçamos e demos uma volta no centro. A seguir nos dirigirmos para a caverna de Ágia Paraskevi no vilarejo de Skoteinó a cerca de 30 minutos de Heráklio. Os principais frequentadores da caverna são os fiéis que também visitam a Igrejinha de mesmo nome. Mas com o feriadão ninguém apareceu e não fomos perturbados.

O setor de escalada de Skoteinó está documentado num dos guias de escaladas de Creta, o mesmo do setor de Ágio Fárago. Há 15 vias neste setor, a maioria delas curtas, com cerca de 10 metros, e apenas 5 delas abaixo de 6c (Francês). A caverna tem 160 m de profundidade e cerca de 50 metros de altura, mas as vias estão na parte externa da caverna ou logo na entrada. Apesar de ter levado lanterna, o tempo era curto e não me aventurei nem pela parte inicial da caverna.

Além do pouco tempo disponível, minha equipe não era formada apenas de escaladores, e acabei escalando apenas duas vias, um 5b e um 6a+. O 5b saiu tranquilo e foi um ótimo aquecimento. Já o 6a+, todo negativo, foi bem até perto da metade quando travou tudo. Terminei a via sem problemas, mas parando para descansar em cada uma das três chapeletas seguintes. Esta via é bem legal e como o setor é perto de Heráklio acho vale um pulo lá só para escalar ela e conhecer o setor. Se escalar até 6c, a diversão é garantida.

O setor é bem legal, mas tem que estar forte (7a+ para cima) para aproveitar a maioria das vias, boa parte delas ainda classificadas como projeto pois ninguém encadenou.

Na volta ainda passamos novamente por Heráklio para a Anamaria conhecer a Praktiker, uma loja estilo IKEA, e para o Mehdi jantar no McDonalds. Ou seja, todo mundo se divertiu na viagem, Mehdi com o McDonalds, Anamaria com a Praktiker e eu com a escalada em Skoteino.

Link para o álbum desta publicação: Skoteinó

domingo, 8 de agosto de 2010

Ao acaso

Hoje fomos à praia de Stavrós Anamaria e eu, e também uma portuguesa que morava aqui, a Manuela, e que está de passagem.. Faz algum tempo que tinha vontade de testar um software para montagem de fotos panorâmicas e assim ficas algumas fotos para poder testá-lo. Chegando em casa baixei as fotos no computador e usei o software que veio com a máquina só para ver como as fotos tinham ficado. Uma das sequências de fotos que fiz é da parede de Stavrós onde se encontram algumas das vias de escalada. Algum tempo depois de ter visto as fotos a Anamaria viu duas pessoas andando no topo do morro. Achamos que eram duas pessoas caminhando.

Para minha surpresa, quando fiz a panorâmica vi que uma pessoa estava no topo e a outra num ponto logo na sequência da terceira parada da via. Abaixo a panorâmica montada com três fotos, um pouco fora de foco porque foquei num ponto bem mais próximo.  A foto tem 4,7 MB (clique para ampliar).

sábado, 7 de agosto de 2010

Páscoa em Ágio Fárago

Este ano a Páscoa Grega coincidiu com a Páscoa Brasileira, com a vantagem de que aqui a segunda-feira após o domingo de Páscoa também é "santa".  O Giorgos Varagoulis que é apaixonado por Ágio Fárago botou uma pilha e convenceu uns e outros a irem passar o feriadão lá. O Manólis, o Kostas Kavalinakis e eu saímos sábado à tarde de Chaniá com o carro do Manólis e chegamos lá já de noite após uma viagem relativamente rápida de 2h30.

Ficamos lá até segunda-feira tarde da noite e chegamos de volta em casa depois da meia noite. Já faz tanto tempo que o passeio aconteceu que sou incapaz de contar detalhes. Acho que ainda bem, para os leitores não ficarem entediados. Em termos de escalada o rendimento não foi muito alto. Todo mundo acordava tarde e demorava horas para reagir. Depois ficava muito quente e queriam ir para a praia, etc. Durante o dia de fato ficava muito quente, mas sempre tem algum setor à sombra. Já à noite ficava bastante frio, ainda mais que estávamos usando uma barraca de verão com apenas uma cobertura e aberta na base.

Entre as vias que escalei se destacam um 6c (francês) totalmente negativo. Infelizmente não tenho fotos pois foram feitas com a máquina do Manólis (e acho que não ficaram muito boas). Tenho apenas uma foto da caverna. Também escalei com o Kostas um 7a (francês) que um francês deixou em top-rope para nós. Por sinal o francês e a esposa eram gente finíssima. Estavam fazendo um tour pela Grécia de motor-home para praticar windsurf e escalar. Encontrar eles também foi legal para saber que o guia de escalada de Ágio Fárago e de outras localidades de Creta foi publicado no final de 2009. Já encomendei e já chegou e outra hora falo sobre ele.

Já escrevi demais para quem não tinha nada para dizer, fiquem com as poucas fotos do evento.

Link para o álbum desta publicação: Páscoa em Ágio Fárago

domingo, 17 de janeiro de 2010

Hippocrates


Neste Natal a Anamaria e eu queríamos sair de Chaniá, para fazer algo diferente. Uma empresa aérea local, a Aegean Airlines (muito boa por sinal), lançou um promoção no início de Dezembro com preços baixíssimos para vários destinos na Grécia. Queríamos ir a Kérkira (Corfu), mas os preços eram proibitivos e o que conseguimos foram passagens do dia 26 ao dia 31 de Dezembro de Chaniá para Kós e de Kós para Chaniá.


Quase nada sabíamos sobre Kós, exceto que é muito próxima à Turquia, e que é a vizinha grande de Kálymnos, o paraíso da escalada. Compramos as passagens sem saber muito o que faríamos lá, mas tudo bem, desde que saíssemos de casa. Quem quiser ver no Google Earth ou Maps, a ilha de Kós é bem pequena e 5 ou 6 dias no inverno é mais do que tempo suficiente para conhecer a ilha e por isso pensamos em dividir o passeio para conhecer outros lugares.

As alternativas seriam ir à Bodrum na Turquia e/ou dar um pulo em Kálymnos para ter um aperitivo de como são as vias lá. Com isto decidido, encomendei o guia de Kálymnos, sobre o qual posso vir a escrever futuramente. Mas quando começamos a planejar mais detalhadamente a viagem, vimos que os horários de barcos para Kálymnos e Bodrum não se encaixavam no nosso planejamento e decidimos ir à Turquia apenas. Esta mudança de planos me fez, dois dias depois de encomendar o guia de Kálymnos, fazer uma pesquisa para saber se tinha escaladas em Kós. E não é que tinha! Assim, comprei o guia de escalada Olympic Blocs, que lista alguns setores de boulder espalhados pela Grécia, entre eles um em Kós. Quando o guia de Kálymnos chegou, vi que em uma das páginas este guia é recomendado e é o setor indicado para os mais fissurados que ficarem ilhados em Kós por causa de ventos que impedem a saída de barcos.

Não vou dar muitos detalhes desinteressantes da viagem, exceto que não conseguimos ir para Bodrum por causa dos fortes ventos e acabamos abdicando das nossas passagens aéreas e voltamos antes e de barco, com passagem por Atenas, que saíria mais em conta e seria mais interessante do que ficar entediado em Kós.

Vamos à escalada. O guia é relativamente bom, com indicação de vários blocos e problemas, e bastante claro sobre como chegar ao setor de boulder. O nome do setor é Hippocrates, o pai da medicina, orginário de Kós. O setor, ainda pouco explorado, ocupa uma área de pelo menos 800 x 300 m, na costa centro-sul da ilha (ver localização no mapa do álbum de fotos). O local é levemente inclinado e os blocos rolaram morro abaixo a partir de formações rochosas um pouco mais acima do morro. O local é de fácil acesso e um caminho de terra permite acessar com o carro praticamente toda a largura do setor.

O guia divide o campo de boulders em vários setores e indica os blocos e os problemas com nome e graduação em uma lista numerada com números correspondentes nos croquis e/ou fotos. Eles elaboraram também um circuito amarelo com os problemas mais fáceis. A graduação utilizada é a de Fontainebleau.


O mais surpreendente do local é o tipo de pedra, granito. Algumas vezes com uma cor acizentada, o tom da rocha é muito semelhante ao que temos em Florianópolis em Itaguaçu e na Mole. Um rosado puxando para o bege. As agarras tem forma muito parecida com as nossas, mas os problemas que tentei possuiam uma quantidade menor de regletes, predominando a aderência. Em alguns blocos, há protuberancias cinzas que parecem cimento.

O lugar é menos limpo (no sentido de pedras e vegetação) do que eu pensava ou parecia pelas fotos. Me concentrei em dois blocos, que não por coincidência continham alguns dos problemas mais fáceis. Não tentei nenhum bloco mais alto e difícil pois não tenho crash pad.

 Deu uma circulada pelo setor F e G para me localizar e achar o bloco F10 que concentrava num só bloco seis problemas de 3b a 5c e um problema de 6b (escala de Fontainebleau). Depois de achar o bloco tive que voltar até o carro para buscar a sapatilha que esqueci. Escalei os cinco problemas mais fáceis e a cada um deles dava uma volta grande para voltar à base. Há várias fotos deste bloco no álbum.

Depois voltamos ao carro e percorremos a largura do campo observando alguns blocos maiores até chegar ao setor A, onde escalei no bloco A12. Este bloco é bem largo e possui 13 problemas de 2a a 6c+. Escalei os oito primeiros, os mais fáceis, sendo o mais difícil um 5b. Não sei a relação da tabela de Fontainebleau com a brasileira ou francesa, mas ela é mais baixo. Assim, um 5b deveria ser alto em torno de VI ou Vsup. Há também várias fotos deste bloco no álbum e um vídeo com cinco escaladas nele, a última uma subida desengonçada deste 5b.

O setor é muito legal, mas não compensa uma viagem de escalda. Por sorte Kós é a vizinha pobre (de pedra) de Kálymnos, e quem gosta de boulder e está indo à Kálymnos, acho vale dar uma parada rápida para conferir os blocos antes de se esbaldar em tanta pedra na ilha vizinha.

Link para o álbum desta publicação: Hippocrates

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Ágiofárago

Ágiofárago fica no sul da região de Heráklio, Creta, a 2h30 de carro a partir de Chaniá e é tida como um paraíso na terra. Entre os escaladores parece ser considerada a meca da escalada Cretense. No primeiro dia de agosto de 2009 fomos a passeio para Ágiofárago conferir o que era verdade e o que era mentira. Já contei mais ou menos como a história começou e terminou em "Deu bode!", e me aterei aqui ao que ainda não foi contado.

Perto de outras gargantas que visitamos, Ágiofárago é uma gargantinha, pelo menos em extensão. Percorremos ela, do estacionamento até a praia, em 20 ou 30 minutos. Antes da praia pouca coisa chama a atenção na paisagem. Uma ou duas cavernas embelezam as paredes de pedra, talvez mais para os escaladores do que para qualquer outro visitante. Por praticamente toda a extensão o leito seco da garganta é inacreditavelmente plano e arenoso, e é bem provável que uma "máquina" já tenha passado por ali. O leito se divide em três corredores marcados por arbustos de até 2 metros de altura, os mesmos que até uma ou duas semanas atrás embelezavam, com suas flores rosas ou brancas, outras lugares, como a garganta de Arádena. Mais ou menos no meio do caminho, se forma uma área mais larga onde a garganta se abre. Neste local uma pequena igreja, óbvio que tem uma igreja lá, até que dá um charme. Em frente à igreja uma bomba manual permite tirar água potável de um poço. A água tem gosto de ferro.

Esta garganta, bem diferente de outras gargantas que vimos, continua fechada por vários metros água adentro, dando uma característica mais peculiar para esta praia. Um pequeno arco de pedra, bem menor do que o que criei na minha imaginação, embeleza o local.

Depois de aguardar um tempo absurdo pelo café da manhã (às 11h30) e já sob forte calor finalmente fui escalar com o Yorgos. Escalamos duas vias, uma de Vsup e outra de VI que não terminamos. E foi só. As dezenas de outras vias, incluindo as diversas vias negativas e as vias nas cavernas ficaram para a próxima visita. Entre as que escalamos não há muito diferença em relação a outros setores, como Thérisso por exemplo. Não entendi bem qual a atração que faz do lugar a meca de escalada. O fato de ficar num lugar plano e aberto com possibilidade de acampar talvez seja a principal razão. As cavernas também chamam um pouco a atenção. Há bastante vias, e também muitas por abrir, ainda que alguém que se acha dono do lugar "pintou" a parede toda de vermelho e disse que onde está vermelho é projeto.

Depois da escalada, Anamaria e eu procuramos um lugar à sombra para comer nosso almoço. Confesso que foi difícil achar. Não comentei até agora, pois não queria parecer reclamão, mas o que Ágiofárago tem de bonito, tem de sujo ou pior. A quantidade de lixo é imensa. Dezenas de pessoas vão acampar e não são capazes de levar a própria merda e o próprio lixo embora. Sim, havia cocô e papel higiênico e tudo quanto é canto que tivesse um arbusto para esconder o cagão. Lixo nem se fala... O Yorgos separou as sacolas de lixo deles numa área sombreada e razoavelmente protegida de uma espécia de abelha que estava rasgando as sacolas. Menos de 15 minutos depois foi deixar mais lixo no mesmo lugar (que depois levaria embora) e algum imbecil passou e jogou quilos de cascas de melancia (sem sacola) no mesmo lugar.

Depois de um descanso que seguiu o almoço subismo o costão esquerdo por um caminho excessivamente exposto para alcançar um buraco que se liga por baixo da terra com o mar. Eu e a Anamaria ficamos olhando do alto, enquanto o Yorgos, a Kália e a Maria, arriscaram irresponsavelmente suas vidas para descer o barranco e se banhar. O Yorgos foi além, e cruzou, com o uso de nadadeiras o túnel por baixo da água. Enquanto eles se banhavam nós voltamos para o local do acampamento por outro caminho, bem mais longo e seguro, que saiu perto da igreja. Tomamos água do poço e visitamos uma caverninha onde moraram alguns eremitas. Dizem que os eremitas volta a cada ano em determinada data para se encontrar. Aquele que não aparece é dado como morto. Nossa chegada de volta à praia coincidiu com a chegado do Yorgos após a travessia por baixo d'água. Ele estava exausto e claramente abalado e depois revelou que achou que não fosse conseguir atravessar o túnel. Mas não aprendeu a lição e certamente se arriscaria de novo.

Esperamos a Kália e Maria voltarem e nos despedimos. Em cerca de meia hora estávamos no estacionamento, espantando os bodes.

Link para o álbum desta publicação: Ágiofárago

sábado, 13 de junho de 2009

Arádena-Mármara-Loutró - Parte 2

Pelo menos uma vez comentei neste blog a respeito do setor de escalada em Mármara, onde quase fui na oportunidade que descrevi aqui.

De acordo com o guia de escaladas de Chaniá, o setor de Mármara é pequeno, com apenas cinco vias, mas com um potencial para mais vias. O grande atrativo, eu diria, é a dificuldade de acesso e a bela praia de Mármara.

Mas a realidade é dura e o setor de Mármara é uma farsa. A praia de Mármara é interessante e bonita. Bastante pequena com costões rochosos de mármore que formam pequenas cavernas banhadas por água azul claro absolutamente transparente. Seria perfeito se a praia não estivesse tomada por espreguiçadeiras e guardas-sol para aluguel, por um restaurante no alto de um dos costões e por dezenas de lanchas "estacionadas" por ali.

Quando avistei por acaso uma chapeleta durante a descida de garganta de Arádena, achei por um instante que era uma via perdida fora do setor principal, pois esperava que o setor fosse mais perto da praia. Por via das dúvidas procurei por mais vias sem sucesso o que a princípio confirmava minha suspeita. Para ter certeza mesmo, peguei o guia na mochila e a foto mostrou que eu estava errado, mas certo. Quero dizer, estava no lugar certo achando que estava no errado.

Das quatro vias que deveriam existir na parede em questão, apenas uma tinha chapeletas. O guia dizia que as chapeletas velhas tinham sido trocadas por chapeletas novas, mas apenas duas chapeletas novas foram colocadas, sem que as antigas fossem retiradas. Os outras três vias indicadas no guia não existiam. Parece que por alguma razão eles colocaram as vias no guia achando que depois voltariam para equipá-las, mas nunca voltaram. Uma outra via que usava um buraco com uma fita como primeira proteção e outra chapeleta a seguir parecia inacabada e não constava no guia. Do outro lado da garganta, outra via também possuía chapas velhas. O potencial mencionado no guia é inexistente, exceto pelas vias que deveriam existir.

O Kostas criou uma fissura por friends e desde que comprou alguns para ele, quer usar em toda e qualquer oportunidade. Por isso carregou na mochila os dele, pelos tantos quilômetros de caminhada. Apesar não haver nenhum sinal de que houvesse parada para as vias inexistentes e nem mesmo sinal da possibilidade de colocar equipamento móvel, ele fez questão de se equipar e tentar chegar no suposto local da parada das vias. Ele poderia ter se quebrado todo ou morrido tentando, e várias vezes tentei dissuadí-lo de continuar. Mas ele foi e com isto perdemos pelo menos uma hora. Quando ele finalmente desistiu sugeri tentarmos a via com chapeletas, um 7a.

Ele não botou muita fé, mas já que estávamos ali, não custava tentar. A parede é um pouco negativa e a primeira chapeleta estava bem alta e todas as demais bastante espaçadas uma das outras. Coloquei a sapatilha, um sacrifício uma vez que meus pés estavam bastante inchados por causa da caminhada e do calor. Consegui chegar à primeira chapeleta com ajuda do Kostas que me apoiou pelas costas e depois pelos pés. Depois de clipar na chapeleta deu de ver melhor o estado dela, principalmente do parafuso e ver que uma queda por ali não era a coisa mais segura para se arriscar. Tentei rapidamente o lance seguinte para ver como era, mas o nível continuava alto (acho que mais do que 7a) e abandonamos. A via na face oposta era impraticável pelo estado das proteções e pelo calor (sob o sol).

Enfim, o lugar foi um desapontamento e certamente o pior setor de escalada que já visitei na minha vida (pelo menos dada a expectativa promovida pelo guia). Fomos para a praia e nos juntamos aos demais.

Na parte 3, descreverei a caminhada de Mármara para Loutró.

Link para o álbum desta publicação: Arádena-Mármara-Loutró - Parte 2

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Sozinho em Atenas

Precisava assinar um documento no consulado do Brasil em Atenas. Planejamos uma viagem saindo de navio de Chaniá, para aproveitar todo o final de semana nos arredores de Atenas. Mas acabamos cancelando o passeio e fui sozinho.

Saí de Chaniá na quinta-feira às 21h00. A viagem é terrível, sem lugar apropriado para dormir e com luzes e televisões ligadas à noite toda. Dormi menos de três horas e durante o resto do tempo me distraí com a leitura do livro a Escalada na versão em inglês do Anatoli Boukreev e com o Eurovision. Cheguei em Atenas 4h30, ainda de noite, e fui de metrô para o centro tendo como destino final o Museu Arqueológico Nacional. Tanto o porto como o centro de Atenas na madrugada ficam ocupados por mendigos que usam marquises e bancos de rua como abrigo. A sensação de sujeira predomina quando o comércio está fechado e carros e pessoas não estão nas ruas.

Por volta de 6h00 cheguei ao museu que só abriria em duas horas, onde comi meu lanche e li mais um pouco enquanto esperava. Minha visita durou 1h30 e saí para tentar chegar ao consulado no horário de abertura, 10h00.

Sem mais nada específico para fazer em Atenas meu plano era tentar conhecer algum setor de escalada na cidade. Levei meu equipamento básico individual. Como o Vangélis não me enviou os telefones de pessoas que ele tinha prometido, resolvi contar com a sorte mesmo e ver se encontrava alguém em algum dos setores. A primeira etapa então, era comprar o guia de escaladas de Atenas.

A caminho do consulado eu passei pela maior livraria de Atenas e que, já tinha consultado na internet, tinha o livro. Não tinha, mas a vendedora disse que a livraria da editora era na mema rua, um pouco mais acima. Como não queria voltar fui primeiro para o consulado. Assinei o papel e fui para uma agência de correio para enviar para o documento para o Brasil. No caminho passei por uma tipografia para falar com o dono. Super simpático conversou comigo por bastante tempo e me deu de presente tipos tipográficos gregos (letras gregas em chumbo para impressão tipográfica). Há tempo procurávamos isto por aqui para presentear o pai da Ana que é tipógrafo. O problema era o peso do pacote (até então não sabia quanto era, mas chegando em casa pesei e era quase 18 kg, fora o que eu já estava carregando). O dono da empresa perguntou se eu conseguiria carregar. Fiz um teste, botei na mochila e falei "endáksi" (ok). Ele sorriu e fui embora. Não precisei dar 10 passos para ver a enrascada que eu tinha me metido e não era nem 11h30.

Depois do correio voltei para comprar o guia de escalada, na livaria da editora. A loja é muito legal, apenas com livros de viagem, guias e mapas. A editora é a mesma que publicou o guia de escaladas de Chaniá. O guia de escaladas de Atenas é nos mesmos moldes, mas achei o conteúdo um pouco melhor. O ponto negativo é não ter uma mapa geral de Atenas indicando aproximadamente onde são os setores. Ou seja, se não conhece Atenas não sabe em que região da cidade o setor de escalada está.

Saí da livraria já detonado e parei num boteco para comer o almoço: dois Gyros e uma Fanta. Comi vagarosamente folheando guia para decidir em qual(is) setores eu iria. Aproveitei também para pegar o travesseirinho que eu tinha na mochila e colocar nas costas para proteger um pouco do impacto dos tipos nas costas.

Decidi por Likavitós, um morro na região central de Atenas onde poderia ir a pé do local onde estava e Filopapou nos arredores do Acrópole. Qualquer outro setor ficaria inviável pois teria que pegar ônibus e caminhar bastante o que já estava se mostrando impraticável com tanto peso nas costas.

Likavitós é, acho eu, a maior elevação no centro da cidade e tem um ótima vista para a cidade, especialmente para o Acrópole no entardecer. Um teatro ao ar livre é palco de diversos espetáculos de alto nível durante o verão. A distância de onde eu estava até Likavitós não era muito grade. Infelizmente eu não lembrava que o morro era tão íngreme. E com tanto peso nas costas e o calor que fazia em Atenas foi um sufoco. Cheguei facilmente ao setor de escaladas. Uma pequena pedreira desativada abriga acima dela três pequenas paredes de escalada (ver croquis e fotos). Muito empenho acessar as vias por uma escalaminhada com o auxílio de um cabo de aço, então fiquei embaixo das vias descansando um pouco, fiz fotos e levei um susto com o barulho que um cágado estava fazendo no mato. No mesmo morro, perto do teatro há um pequeno setor de boulder. Fui dar uma conferida e foi o único local onde escalei um pouco. Minha água já estava acabando e resolvi voltar para a civilização.

Para ir para o Acrópole tive que andar metade do caminho até a estação de metrô de Sintagma e investir os melhores 50 centavos de euro da minha vida para percorrer apenas uma estação até o Acrópole. Desci na estação e segui o mapa do guia para ir até o setor de escalada. Sempre subida para variar. Quando cheguei num determinado ponto o mapa não era muito claro e perguntei para um motorista de ônibus onde era um certo ponto de referência. Ele me indicou o lugar e meio que duvidando segui as instruções. O filho da puta me mandou para o lugar errado e só pode ter sido de propósito. Desci de novo (sim, era subida) e tomei o outro caminho.

O setor de Filopapou fica numa área verde de pinheiros muito agradável. São dois setores de boulder e um de vias e boulder. Primeiro fui nos dois setores de boulder, um deles acredita-se ter sido a prisão de Platão. Ambos são de pedra esculpida e possuem grades. São bem pertos do caminho principal e possuem bancos para as pessoas sentarem.

Na sequência fui atrás do setor com as vias. Dei uma volta gigante para chegar até o setor. Divido em três setores menores, há vias e boulder. As vias são baixas, mas o tipo de pedra é muito legal (ver fotos). Deu muita vontade de escalar, mas não tinha parceria e eu estava detonado. Os dois lugares que visitei eram voltados para o sol e talvez por isso ninguém estava escalando. Talvez no centro de Atenas também haja setores mais interessantes e à sombra, como o de Kourvouniá que fotografei do Likavitós.

A água estava acabando mais uma vez e desci para a área do Acrópole onde sentei por mais de uma hora numa lanchonete para consumir água, suco de laranja e sorvete. Estava exausto e apesar de não ter passado ainda das 18h00 decidi voltar para o porto para pegar o barco. Às 19h00 já estava acomodado num dos "lounges". Tomei um banho de gato no banheiro do barco e comi minha janta que comprei numa lanchonete antes de ir para o barco. Fiquei assistindo House, lendo e também vi o ótimo filme Sinais (bléérgh).

Cheguei em Chaniá na madrugada e liguei para a Anamaria me buscar. Fiquei detonado e com um hematoma na área do quadril por causa das pancadinhas da mochila. Na próxima viagem para o continente, levarei o equipo todo e junto com a Anamaria pretendo escalar de verdade as vias de Atenas. Certamente visitarei Filopapou e possivelmente Kourvouniá. E quem sabe, algum outro setor nos arredores da cidade.

Link para o álbum desta publicação: Sozinho em Atenas (as fotos mostram a localização dos setores no mapa)

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Um pulo em Fontainebleau

Saímos cedo de metrô para a estação Gare de Lyon de onde pegamos o trem de Paris para Fontainebleau. Levamos apenas duas mochilinhas com lanche e água, um par de sapatilhas para mim, protetor solar e os croquis. O trem que passa por Fontainebleau é bastante freqüente, nem precisamos no preocupar com o horário. Quando chegamos à estação, o trem já estava esperando e em pouco mais de dez minutos partiu. Quarenta e cinco minutos de viagem separam Paris de Fontainebleau. A viagem é agradável apesar de a paisagem a partir do trem não oferecer nada espetacular.

A chegada à estação de trem, que fica na fronteira entre Avon e Fontainebleau, foi tranquila e dali fomos andando em direção ao Castelo de Fontainebleau, a última casa de Napoleão. No caminho passamos por um parque imenso (sem blocos de escalada) que sugere um pouco como é o ambiente onde estão os blocos (boulders) de Fontainebleau. A visita ao castelo foi rápida e aproveitamos um banquinho no jardim para descansar e almoçar.

Depois do castelo passamos rapidamente no posto de informações turísticas para pegar um mapa da cidade que nos ajudaria a ir ao Mont Ussy, onde há alguns setores de escalada, dos quais me interessava o Montussienes. O Mont Ussy é provavelmente o setor mais próximo de Fontainebleau e ao que parece não muito renomado, ainda que bastante frequentado por quem quer dar uma escalada rápida. Foram a proximidade do local à cidade e o nível de dificuldade dos problemas ("vias" de escalada em boulder) que me atraíram para o Mont Ussy, além de ter como ponto de partida a cidade de Fontainebleau onde poderíamos ver o castelo (é possível escalar em Fontainebleau a partir de outras cidadezinhas da região).

Pretendíamos ir de bicicleta a partir do centro, mas o aluguel era absurdamente caro e o comércio estava fechado (ainda bem). Nesta hora fiquei contente de ter planejado ir ao Mont Ussy, caso contrário estaríamos numa situação complicada para nos deslocarmos para outro setor.

A caminhada até Montussienes levou cerca de 30 minutos, saindo do castelo, quase toda ela por calçada e no final um pouco de asfalto. Chegamos no ponto de encontro de várias ruas de areão que percorrem partes da floresta onde tem um posto florestal. Dali seguimos uma das estradas e logo entramos na trilha azul, marcada nas árvores e pedras, que ao cruzar com outra estrada marca o início dos blocos.

Esta parte da floresta lembra muito, mas muito mesmo, o Parque Florestal do Rio Vermelho em Florianópolis onde estão os campings escoteiro e da CIDASC que muito frequentei (para quem não conhece, o mais parecido que consigo pensar é a floresta no filme Bruxa de Blair), fazendo que eu me sentisse em casa. A grande diferença são os blocos que surgiram de repente e em grande quantidade.

Tenho que admitir que minha primeira sensação ao ver os blocos foi um pouco de desapontamento, esperava muito mais do tanto que se fala de Fontainebleau. Mas obviamente não esqueci que aquilo era uma porção ridícula do total e passei a me dedicar a familiarizar-me um pouco com o setor e aquecer o resto do corpo (já tinha andado mais de 30 minutos) antes de começar a escalar.

Antes de continuar com os detalhes, vou escrever um pouco sobre as informações que eu tinha disponível. A minha escolha pelo Mont Ussy e particularmente Montussienes se deu bem cedo com as informações contidas no site bleau.info. Para este setor as informações são bem completas e estão divididos basicamente em duas partes, uma com os boulders do setor Montussienes e outro com informações de outros boulders nos arredores do Mont Ussy e Roche d'Hercule. O segundo foi especialmente útil para entender onde estava a trilha (na verdade foi bem fácil), mas uma roubada para os outros setores e contarei isto depois. Em Paris, passei na livraria da loja Aux-Vieux-Campeur para ver os guias de Fontainebleau. Numa mistura de impulso e precaução (afinal podia chegar lá e alguma coisa melar Montussienes) acabei gastando uma fortuna, dada a quantidade de propaganda dentro, num guia chamado Fontainebleau Magique, que eu já tinha visto na internet e é propagandeado no site bleau.info. A escolha deste guia em relação aos outros dois disponíveis na livraria foi baseada no preço similar, no fato de ser mais recente e de ser focado em boulders de nível médio que me interessam mais do que os difíceis, bem como a qualidade do material. A capa é tosca, mas guia é bem ilustrado (a cores) com croquis muito bons. Porém, é bastante confuso nas notações que usa e nas informações de como chegar aos setores. As informações são bastante condensadas por meio de mais de 40 símbolos diferentes que acabam enchendo um pouco o saco. O Montussienes conta com três roteiros, um laranja, um vermelho e um azul. O guia contém apenas o laranja que, obviamente era o que me interessava. As informações do site continham todos os três roteiros e teriam sido mais do que suficientes, ou seja, o guia foi desnecessário ainda que interessante e me deu uma segunda chance caso tivesse que ir para outro setor.

Mas voltando ao que interessa, fiquei um pouco chocado ao ver que todos os boulders estão marcados com flechas e números com a cor do roteiro, como em diversas vias aqui em Creta. Não vou bancar o hipócrita e dizer que não gostei, afinal mesmo com os croquis, facilita muito achar o exato problema que quero escalar. Não chega a ser agressivo aos olhos, mas continuo me perguntando se esse tipo de marcação é realmente necessária.

A pedra é completamente diferente do que estou acostumado. Na maior parte predomina um tom de verde variando para tons de cinza, laranja e algumas manchas brancas. A superfície da rocha parece uma lixa bem fina, como se tivessem jogado cola e despejado areia de praia. Apesar disso a aderência é longe de ser uma maravilha. A pedra é brilhante ao sol, mas os tons das pedras e da vegetação dão um ar monótono ao local. No guia há uma explicação geológica muito interessante de como as rochas em Fontainebleau se formaram, mas minha observação pessoal e imaginação fértil levam a crer que eles estão errados e que na verdade os blocos são pedaços de dinossauros fossilizados. Em diversos blocos, muitos mesmo, a superfície parece ter gomos, como se fosse o couro de um réptil gigante. Os problemas que escalei na sua maioria ofereceram pouquíssimas agarras, imperando a aderência e o uso de covinhas na pedra e abaulados.

Cansado dos últimos dias por caminhar muito por Paris, e domir pouco e mal (albergue - Hostel Bastille - lixo) comecei a demonstrar sintomas de gripe que vieram com força no dia de Fontainebleau. Mas o clima estava ótimo e não me abalei. O dia ensolarado com uma brisa refrescante estava perfeito para escalada; algumas vezes chegou a ficar até abafado ou quente demais.

Na hora de preparar a mochila para a viagem para Paris fui minimalista e não levei nem magnésio nem sapatilha, já que pretendia comprar uma nova em Paris. O magnésio chegou a fazer falta algumas vezes e acho que poderia ter aproveitado melhor se o tivesse. Meu grande medo era não conseguir escalar por causa do aperto da sapatilha nova que calcei no albergue diariamente de quarta a domingo para já ir alargando. Felizmente não tive problemas e foi uma estréia de luxo!

Depois do breve aquecimento comecei procurando os problemas mais fáceis e baixos. A Anamaria ficou de spotter e evitei os boulders em que a queda não era na areia fofa. Ela fez um ótimo trabalho particularmente num boulder que estava com o topo molhado (e o guia indicava que isto era provável) e não consegui segurar no abaulado, onde cai de mais ou menos um metro e meio de altura num plano inclinado. Também não entrei em mais do que um ou dois negativos negativos, já que não teria condições de ir longe e preferi me poupar para tentar vários a ficar o dia inteiro me detonando em apenas um problema. Sem crash pad (colchão para amortecer a queda), pelo menos um capachinho teria sido muito útil para tirar a areia da sapatilha que eu acabava esfregando na calça mesmo. Vários cavadinhos e agarras também estavam com areia e uma sopradinha providencial antes de usá-los foi necessária.

Logo que comecei a escalar chegou um casal de duas alemoas e esperava me integrar a elas para ficar mais divertido, já que para mim boulder é uma escalada compartilhada com parceiros, e também para usar o crash pad delas, é claro. Mas elas não foram muito simpáticas e acabei não tentando nada, mas notei que elas ficaram nos observando sempre que estavam num boulder por perto. Além delas várias pessoas passaram pelos arredores fazendo exercício ou passeando.

Praticamente segui o roteiro laranja com algumas idas e vindas e pulando alguns problemas. Acho que não tentei nenhum boulder do roteiro vermelho ou do azul. Não contei, mas tentei cerca de 15 problemas, talvez mais, em duas a três horas de escalada. Não sei bem, me perdi no tempo, nos números e no espaço.

Sim, me perdi no espaço também. Depois de dizer chega ainda ousei seguir para ver outros boulders indicados no site e foi uma grande roubada. Nada de muito interessante e acabamos nos perdendo um pouco na trilha azul que passa por uma área pouco frequentada, onde parece ter sido proibido o acesso por questões de segurança (queda de galhos).

Depois da escalada voltamos para Fontainebleau com passagem por uma fonte de água para um refresco e mais uma caminhadinha até o centro. Lá nos encontramos com um casal de franceses, que contactei pelo Couch Surfing para pegar algumas dicas de como chegar, para tomarmos um suco.

Voltamos a pé para a estação, completamente abandonada, sem informação e com os banheiros trancados, e pegamos um trem de volta para Paris por volta de 21h00.

Foi legal e único, mas para sentir Fontainebleau acho que é preciso mais tempo e mais gente.

Link para o álbum desta publicação: Um pulo em Fontainebleau

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Andando na neve

Para tirar proveito do bom tempo deste domingo subimos as montanhas em direção ao Platô de Omalos, uma área plana em meio às montanhas. De lá seguimos um pouco mais adiante até a entrada da Garganta Samariá, o mais famoso canion de Creta.

A Garganta Samariá, que espero poder percorrer este ano, fica fechada durante o inverno e abre para os caminhantes de abril a outubro. São cerca de 6 a 7 horas de caminhada desde as montanhas até a costa sul de Creta. Darei mais detalhes quando fizer o passeio.

Do mesmo lugar ficamos de frente (ou de costas) para Gigilos, uma montanha de pedra com seu cume acima dos dois mil metros que oferece mais de 10 vias de escalada 100% tradicional que se estendem por centenas de metros descritas no guia de escalada de Chaniá. Para chegar à base das vias é necessário mais de uma hora de caminhada e pelo menos três para descer do cume andando. Devido à neve obviamente não pode ser escalada agora, mas se tiver a oportunidade terei prazer em tentar em outro momento (mas tenho que me preparar antes).

O mesmo caminho que leva a Gigilos passa por Linoseli, onde estão as Agulhas de Gigilos, agulhas de pedra também descritas no guia que oferecem uma dezena de vias (registradas) em móvel de até 100 m de extensão.

Como não dava para escalar, fomos apenas para passear e fizemos parte da trilha que faz parte do E4 Path. Apesar da pouca quantidade de neve nas montanhas, o trajeto está quase todo nevado e pudemos andar um pouco na neve velha, de botinha mesmo.

Não foi nada de mais, mas "brincamos" um pouco na neve, conhecemos o ponto de partida para percorrer a garganta e ficamos cara a cara com o gigante Gigilos!

Link para o álbum desta publicação: Andando na neve

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

"Sem as mãos"

Domingo foi dia de escalada. Só me dei conta do tanto que "escalei" quando cheguei em casa e a Anamaria com ares de "vais dormir no sofá esta noite" me revelou que já fazia praticamente seis horas desde que saíra de casa.

O destino foi o mesmo de quase sempre, o Monte Várdia. Tudo arranjado com o Vangélis que ficaria até as 15h00 e saíria para trabalhar, e com o Kostas que viria por volta de 15h00, depois do trabalho. Como o Kostas atrasou, entre 15h00 e 16h00 escalei com a Vassúla. Apareceram por lá também o Christos e o Vassílis, e cerca de outros 12 ou 15 escaladores que estão fazendo o curso intermediário de montanhismo e desceram de uma noite na montanha para praticar um pouco de dry tooling.

Com o Vangélis escalei a freguesa Louki Look (Vsup) e a seguir a Mávri (VIsup) em top-rope. A partir da Louki Look armamos um top-rope na Mikrá Mistiká (VIIa) para escalar a Kourdistós Portokális. Esta última, uma via de VI grau em um negativo de poucos movimentos com saída por um diedro de apenas um lance e segue por uma aresta. Depois de escalarmos estas três o Vangélis ainda tentou a Mikrá Mistiká sem sucesso.

A Vassúla guiou a Mávri depois de o Christos costurar a primeira chapeleta para ela. Em seguida escalamos a Zéstama (IV) e a Mi-nus (Vsup/VI). O vento e a pedra gelada deixaram a escalada um pouco mais difícil, um misto de dor mão ao mesmo tempo que não se sente a agarra.Assim que terminamos o Kostas chegou, com uma hora de atraso, e escalou estas duas vias em top-rope, enquanto a Vassúla foi bater papo com a turma do curso.

O Kostas está fissurado em conseguir escalar a Pedevousin Tékna (?), via que já comentei aqui algumas vezes, que se inicia negativa com umas arestas sem pegada, seguida de uma seção de regletes e um abaulado em negativo e mais regletes. Por conta disso fomos para a Sikiá para colocar um top-rope. Como estava cansado e com frio, resolvi não escalar e ficou para o Kostas guiar a Sikiá. Depois de um breve descanso, o Kostas iniciou as tentativas e eu fiquei de "treinador" dando os famigerados palpites. Depois de tentar dezenas de vezes a mesma coisa apesar das minhas orientações, o Kostas ficou cansado e parou para descansar sem nem ter passado o primeiro lance.

Com a sucessão de palpites elaborei uma teoria sobre como passar o lance e fiquei encucado se estava certa ou não. Como o Kostas se recusava (incoscientemente) a fazer como eu dizia, deixei a preguiça de lado e pedi a vez só para tentar aquele lance. Surpreendemente passei o lance com extrema facilidade e resolvi continuar. Acertei praticamente de primeira todos os lances e a falta de sensibilidade nas mãos fazia parecer que eu estava escalando sem elas. Resultado: encadenei a via em top-rope sem esperar por isso.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Negativo

Aqui em Creta já tinha escalado um pouco em vias negativas ou vias levemente negativas e em algumas delas não me saí muito bem. Mas não dei muita bola, pois as vias estão aqui do lado e terei outras oportunidades de escalá-las, por enquanto pelo menos.

Em Rhodes, abandonei a via Fournos, graduada relativamente baixa, simplesmente por não estar preparado para escalar negativos e talvez por não ter aquecido apropriadamente. Obviamente não fiquei abalado, mas para não perder outras oportunidades que podem surgir, resolvi tentar escalar negativos com mais frequência, para ir aos poucos me fortalecendo e pegando a manha.

Final de semana passado escalei no sábado (primeira escalada de 2009!) e no domingo no Monte Várdia. Sábado fui por meia hora já no entardecer, aproveitando uma janela de bom tempo. Apenas com sapatilha, capacete e magnésio, tentei vários boulders e brinquei bastante na parte de tetos. Domingo voltei com o Kostas e escalamos a Louki Look (guiando) e a Mikrá Mistiká (em top-rope), esta segunda uma via levemente negativa e bem técnica por volta do 7a com agarrões no início e poucas agarras no final. A chuva nos impediu de escalar mais vias e aproveitamos para dar mais uma brincada na parte de tetos.

A Anamaria me fotografou no primeiro dia e fez umas filmagens.


Link para o álbum de fotos desta publicação: Negativo

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Natal em Rodes

A ilha de Rodes é a maior entre as que formam a região grega do Dodecaneso, onde está também a ilha de Kalymnos, um dos paraísos da escalada em rocha. A cidade de Rodes, com o mesmo nome da ilha, é mundialmente famosa por ter abrigado uma das sete maravilhas, o Colosso de Rodes. Destino de milhares de turistas todo o ano, Rodes é recheada de história e possui a maior cidade medieval habitada da Europa onde, no passado, viviam os cavaleiros. Além dos diversos sítios arqueológicos espalhados por toda a ilha, paisagens de tirar o fôlego e praias, Rodes oferece alguns setores de escalada.

A aventura começou dias antes da ida para Rodes, quando fui acessar o site rock climbing in rodos greece e descobri que estava fora do ar. Antes que o arrependimento por não ter salvado o conteúdo do site na primeira vez que o visitei tomasse conta, tentei recuperar o site em algum cache. Consegui recuperar quase 100% do site, exceto por algumas figuras, usando o Warrick, uma interface para o archive.org.

Tendo encontrado as informações necessárias para chegar aos setores de escalada, a aventura continuou na hora de fazer as malas. Íamos eu e minha esposa, cada um com direito a 12,5 kg de bagagem. Sem disposição nenhuma a pagar 3 euros por cada kilo excedente, começamos os cortes. Reduzi o equipamento ao mínimo tirando todos os sacos de pano que uso para organizar o equipamento e também o saco de cordas. Levei 8 costuras (contra 10-12 indicadas no site), dois mosquetões Pêra, um ATC, 4 fitas, um cordelete, duas cadeirinhas, dois capacetes, um par de sapatilhas, saco de magnésio, quatro mosquetões de rosca, a corda (70 m x 10,2mm, que sozinha pesa 5 kg) e a mochila. Talvez ainda tenha levado muito equipamento, mas fechou 11 kg de equipo. Os outros 14 kg de roupas e acessórios também precisaram de cortes, a maioria deles sem aprovação da Anamaria.

Saímos de Chaniá para Heráklio de carro por volta de 5h45 do dia 22/12/2008, segunda-feira, sob forte chuva, raios e trovões. No aeroporto de Heráklio soubemos que desperdiçamos 100 gramas de espaço na bagagem e a seguir conhecemos o teco-teco que nos levaria para Rodes. Uma lata de sardinhas para cerca de 20 pessoas, um pouco maior que uma Van - impossível não ficar nervoso. Apesar do mau tempo o vôo foi bom e durante toda a viagem pudemos acompanhar o trabalho dos pilotos, já que a cabine ficou aberta durante todo o trajeto.

A chuva da chegada durou apenas um dia e desapareceu empurrada por ventos fortes do Norte que trouxeram o sol e também temperaturas baixas. Os três primeiros dias foram dedicados ao turismo e visitamos os principais sítios arqueológicos e paisagens da ilha. O tempo claro permitiu ver montanhas nevadas na vizinha Turquia e também belas paisagens por toda a ilha. No terceiro dia passamos rapidamente por Siana onde está um dos setores de escalada de Rodes. A parede é bastante bonita e está dentro da vila, separada das casas por oliveiras e pinheiros. Não fui ver a parede de perto, mas ela conta com cerca de nove vias, do VI ao VIII grau, equipadas com recursos da Associação Hoteleira de Rodes.

O quarto e último dia foi, para mim, o mais esperado. Ainda em fase de recuperação de uma ceia de Natal farta em uma taverna tipicamente grega, acordamos cedo no dia de Natal e aproveitamos o sol para fazer umas fotos das muralhas da cidade antiga. Na sequência nos dirigimos para a baía de Ladiko, cerca de 16 km a sudeste de Rhodes. Este deve ser o principal setor de Rodes, com o maior número de vias e está divido em quatro pequenos setores. As instruções de como chegar foram precisas, apesar de uma das placas usadas como referência estar quebrada. De fato, o site parece bastante desatualizado pois o número de vias em Ladiko é maior do que indica o site. Paramos o carro no final de uma estrada de terra e seguimos caminhando por uma trilha bem marcada, provavelmente também usada por turistas e pastores. Em poucos minutos vimos o primeiro setor do qual não me aproximei pois oferecia apenas uma via de VI e as outras 12 com graduação mais elevada e eu queria vias mais fáceis.

De lá já podíamos ver uma caverna grande e outra parede que abriga as vias mais fáceis. Seguindo em direção a elas, aparece repentinamente a caverna pequena que conta com duas vias. Não resisti à tentação e brinquei um pouco no início de uma das vias. Depois do aquecimento tocamos para o setor com as vias fáceis. Todas as vias são identificadas com os nomes pintados na base. Contei quatorze ao todo, contra oito indicadas no site. Bem grampeadas, terminam em correntes e algumas possuem próxima a base uma chapeleta para o segurança se ancorar. Dezesseis vias do setor foram abertas com patrocínio de um hotel.
Seduzido pela caverna um pouco mais acima, segui o caminho pedregoso para conhecê-la e tentar a primeira via no setor, a Fournos, um VIsup. Meu desdém pela graduação da via logo me derrubou, não estava preparado para escalar um negativo e desisti desescalando enquanto meus braços tijolados ainda permitiam. Escalei outras duas vias de V e Vsup no setor de baixo e ambas tinham apenas sete proteções, ufa! Ambas começam com um rampão e depois continuam na vertical rica em agarras e com o crux em lance negativo. O rocha é um calcário bem cortante e abrasivo semelhante ao encontrado em Plakiás e outras regiões de Creta. A novidade portanto foram as caverninhas, muito semelhante ao que vemos nas fotos de Kalymnos, bastante lisas em alguns pontos e com estalactites.

Já cansados e com fome voltamos para o carro para fazer um lanche e seguir o passeio. No caminho de volta passamos rapidamente por outro setor de escalada em Kalithéa. Próxima à estrada em um descampado junto à algumas oliveiras, uma pequena formação rochosa oferece diversos problemas de boulder em paredinhas negativas e com bastante agarras. O curioso foi chegar e ver mais uma vez a numeração dos boulders (como as vias aqui em Chaniá) e também pontos azuis marcando as agarras dos problemas. Tentei alguns e fiz algumas fotos antes de seguir adiante. Próximo à área turística de Kalithéa, o lugar parece ser frequentado por campistas e festeiros durante o verão, dada quantidade de garrafas e latas de cerveja e lixo em geral na área de escalada, uma pena.

Por fim passamos rapidamente no setor do vilarejo de Kóskinou e só fotografei a pequena parede que oferece poucas vias a serem escaladas em top-rope. Como acontece em todo o lugar, casas foram construídas na base da pedra, dificultando o acesso.

Faltou conhecer o setor de Gadouras um pouco mais longe que só oferece três vias de grau elevado, mas de acordo com o site é uma bela paisagem com um pequeno rio próximo às vias.

Andamos por vários lugares de Rhodes e é difícil de acreditar que já não existam mais setores e mais vias dada a quantidade de pedras na ilha. O site parece bastante desatualizado, sendo que há pelo menos mais 6 vias em Ladiko não listadas. Entrei em contato com o autor para informar que estava fora do ar e até ofereci hospedar o site. Ele respondeu rapidamente dizendo que iria contatar o administrador do servidor, mas até agora o site continua fora do ar.

Na noite do dia 25, empacotamos de novo toda as bagagem e no dia seguinte voltamos para Creta com o mesmo avião e a mesma tripulação em mais um vôo emocionante.

Para quem gosta de história e praias (no verão, é claro) Rhodes vale à pena, e se gosta de escalada, ainda quebra um galho muito bom.

Link para o álbum desta publicação: Natal em Rodes

Fotos de Rhodes: Flickr da Anamaria (enquanto as fotos não forem sobrescritas)

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Sexta, Sábado e Domingo

Sexta-feira
Liguei para o Vangélis Stavroulákis, instrutor de montanhismo para saber detalhes sobre o curso. Ele foi muito gentil e acha que não há problema de eu fazer o curso, inclusive outro estrangeiro que também não sabe grego muito bem também pretende fazer.

O curso vai durar 7 finais de semana de janeiro a abril. Cada final de semana o grupo irá para algum refúgio para ter as aulas. O material utilizado será fornecido pelo clube, cadeirinhas, crampons, piolets, capacetes...

Na próxima quarta-feira haverá uma reunião com os interessados. Há preferência para pessoas na lista de espera do curso do ano passado, depois para os demais presentes. Se sobrarem vagas, o clube vai anunciar.

Para se inscrever é obrigatório ser filiado à algum clube de montanha. A rigor eu poderia me associar por ser membro da ACEM (apesar de não ter pago a última anuidade, se é que existiu), mas vou me filiar ao clube local de qualquer maneira. Também verei o que é necessário para obter o atestado de saúde. Os participantes do curso recebem um certificado da associação nacional. Quarta saberei mais detalhes, se existirem, e se poderei fazer ou não.

Sábado
Fui buscar a Anamaria na feira e encontrei o Apostólis. Fiz que nem grego e parei o trânsito para bater papo, uma vergonha :7). Falamos rapidamente, mas ele me contou que nas últimas semanas abriram quatro novas vias em Thérisso e que é para eu dar uma ligada para irmos lá...

Depois disso e do almoço, fui com o Kostas para o Monte Várdia no final da tarde. Escalei a Mi-nous. Já tinha escalado ela várias vezes em top-rope depois de guiar a Zéstama, mas nunca tinha tentado guiar. Fiquei surpreso, saiu sem problemas. O Kostas também nunca tinha guiado esta via e passou um veneninho no crux, e acabou segurando na expressa, mas também ficou contente com a evolução. Estava tarde e guiei a Sikiá, e pela primeira vez a encadenei sem segurar na árvore! Armei um top-rope para a via do lado, a Pedévousin Tékna. Desci, e para não perdermos tempo fui direto. Passei o lance incial que é bem difícil e entrei no crux mas não consegui sair. O Kostas foi em seguida e depois de várias tentativas quase passou o crux. Já era noite e ele subiu a Sikiá em top para retirar a ancoragem.

DomingoNo sábado deixei pré-combinado com o Kostas de ir a Plakiás, mais especificamente em Kalipso, se fizesse tempo bom no domingo. Ele me ligou por volta de 10h00 e eu ainda estava dormindo, uma vergonha. Acordei e arrumei minhas coisas. A Anamaria não quis ir desta vez. Saí de casa 11h30 e levei uma hora e meia até lá. Cheguei e já tinha a maior raça. O Kostas e a irmã dele, a Mariana, a Anastasia que eu já conhecia, e dois caras que eu ainda não conhecia, o Giorgos e o Vangelis. Logo depois de mim chegaram o Giorgos (que eu já conhecia), que por sinal tinha me ligado na sexta para ir escalar em Kalipso no sábado, e a namorada. Mais tarde chegaram também o Vangelis (o instrutor) e uma menina que esqueci o nome. Todos, exceto os dois Vangelis e eu, fizeram o curso com um dos Vangelis no ano passado.

Praticamente fiquei de dupla com o Kostas e escalei as outras seis vias (n. 7 a n. 12) que eu não tinha escalado da outra vez. Exceto a via 12 que é um pouco mais difícil e machuca bastante as mãos com um crux no negativo, todas tem um nível semelhante em torno de Vsup e são boas de escalar. A via 11 fica numa parte acidentada da pedra com bastante pedras soltas e é pouco atraente. Todos foram bastante simpáticos. Parece que finalmente conheci um grupo legal de ir escalar e que me ligam para dizer que estão indo. Fui embora antes de todos, pois já estava anoitecendo.

Link para o álbum desta publicação: Sexta, Sábado e Domingo

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Instinto de montanha

De sábado à noite a domingo de manhã a previsão mudou completamente. A chuva e as trovoadas que deveriam ter chegado só no final da tarde já se escutavam antes das 08h00 da manhã. Pretendia ir à Kalipso (ao sul de Réthymno) de novo e a previsão para Réthymno (no norte) era de chuva apenas no final da tarde. Depois de muita indecisão resolvemos arriscar e por volta de 11h00, sob chuva, saímos.

Logo ao sair de Chaniá uma pequena melhora no tempo esquentou os ânimos que logo foram por água abaixo a medida que nos aproximávamos de Réthymno e a chuva não parava. Quando chegamos na primeira entrada de Réthymno a chuva era forte (só deveria chover no final da tarde), e perguntei para a Anamaria se continuávamos ou não. A decisão caiu sobre minhas costas e não sei bem o que me fez continuar, talvez um instinto de montanha que me dizia que depois das montanhas, no litoral sul, as coisas poderiam estar diferentes.

Enquanto subiamos as montanhas o tempo piorava na mesma taxa, mas de lá começávamos o ver um clarão amarelado na direção Sul. Passamos de novo pelo cânion de Kourtaliótis entre nuvens e uma garoa substituiu a chuva quando o deixamos. Logo já podíamos ver o mar e algumas montanhas iluminadas pelo sol nos arredores e Plakiás. A apenas cerca de 6 km do setor de escalada é que a chuva definitivamente parou e o asfalto já mostrava sinais de que estava secando rapidamente.

Chegamos na base das vias e fui ver as condições da pedra. Estava mais gelada do que úmida. Sinal positivo, voltei ao carro para pegar o equipamento. O tempo ficou firme, com poucas nuvens e sol. As vias ficam à sombra quase todo o dia. Não havia vento algum e pude escalar só de camiseta.

Como não sabia os graus das 12 vias (e não 15 como disse antes) resolvi ir na seqüência crescente dos números até onde conseguisse. Escalei ao todo 6 vias e descrevo a seguir as impressões de cada uma, depois de um comentário geral. As vias devem ter em média cerca de 15 metros. Todas são protegidas com chapeletas à "francesa". Quero dizer que são bastante próximas, em geral não costurei nenhuma com o pé mais alto do que a chapeleta anterior. Não posso dizer que tem chapeletas em excesso, mas foi ótimo para meu o meu psicológico pouco ousado. No final todas as vias possuem duas chapeletas cada uma com um mosquetão de aço. A pedra é bem abrasiva em alguns pontos e em alguns lugares parece um espinheiro, como na pedra do final de semana passado. Vou sugerir graus com base na minha experiência desvirtuada, mas confirmarei quando for com outros escaladores.

- Via 1: Via de V grau, curta e razoavelmente positiva. Poucas agarras, mas bem claras. Ótima para aquecer.
- Via 2: Começa negativa e persiste assim por uns 4 ou 5 metros. Também com poucas agarras, mas agarras de duas falanges. A primeira chapeleta é tão baixa que quase consegui dar um beijo nela. Uma queda antes da segunda chapeleta é chão. Acho que isto que me estimulou a encadenar uma via que deve ser um VIIa ou um VIIb. Meus braços dobraram de tamanho até o final da escalada.
- Via 3: A mais legal que escalei. Depois de subir dois degraus bem afastados a via fica negativa numa pedra extremamente abrasiva. Ela segue ao lado de uma chaminezinha onde apoiei o pé direito na maior parte da via. O crux é longo, todo no negativo e com agarras pequenas que machucam a mão. A via termina com o domínio de um platô. A dificuldade é semelhante a da via 2, mas esta exige menos força e mais técnica. Não encadenei, deveria ter descansado mais antes de tentar.
- Via 4: Via mais de aderência que termina na mesma parada da via 3. O cansaço ao final da via anterior me estimulou a armar um top-rope e foi uma boa idéia, assim escalei mais sossegado e depois de um bom descanso.
- Via 5: Via muito legal que começa com uma escadaria de uns 3 metros e depois segue por uma fenda e um parede bastante lisa. Um pecado terem grampeado esta via, que poderia ser toda feita em móvel. Como não tinha equipamento suficiente, escalei assim mesmo e encadenei. O cansaço neste ponto dificulta sugerir um grau para a via que deve ser Vsup ou VI. O final, apesar de fácil, é bem legal pois exige o domínio de dois platôs consecutivos.
- Via 6: Bem vertical e toda de regletes. Deve ser um VI ou VI sup. Minhas mãos já estavam bem cansadas por conta dos negativos e ficou difícil segurar nos regletes. Muito curioso três ou quatro agarras para pés que tinham que ser usadas com o calcanhar mais alto que a ponta e com os pés para fora. O cansaço nas pernas fazia elas tremerem descontroladamente. Parei para descansar nas duas últimas chapeletas.

A escalada da via 6 já deus sinais de que eu estava passando dos limites e parei por ali. Ainda assim hoje acordei em ótimo estado e sem dores musculares. Antes de ir embora para Chaniá, demos uma volta rápida para ver as praias de Ammoúdi e Mikró Ammoúdi. O lugar é belíssimo e acho que rola uns boulders. Voltaremos no início da temporada de verão antes que as praias sejam tomadas pelos peladões.

Link para o álbum desta publicação: Instinto de montanha

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Rajadas de 50 km/h

Na sexta-feira à noite recebi uma mensagem do Kostas, aquele que conheci na semana passada. Estava me convidando para irmos para Kalipso no domingo e que combinaríamos melhor no sábado. Sábado acertamos de sair às 9h.

A previsão do tempo não era das melhores, tempo nublado, ventos N de 30 km/h e rajadas de 50 km/h. Não nos abalamos e saímos no domingo com meia hora de atraso e com alguns pingos de chuva. Fomos eu e a Anamaria em um carro e o Kostas, a irmã (Mariana) e um amigo dele (Giorgos) em outro.

Ir para o sul de Réthymno é sempre muito legal. A estrada, a mesma que dá acesso ao balneário de Plakiás e à praia de Préveli, é muito bonita. A medida que vamos para o sul a estrada começa a passar por entre as montanhas e subita e inesperadamente faz uma curva fechada ao redor de uma paredinha de pedra. Atrás desta paredinha está o cânion de Kourtalitiko com paredes que ultrapassam os 500 metros de altura e por onde corre o rio que irá desembocar no mar, na praia de Préveli. É fantástico.


A viagem foi boa e conhecemos melhor nossos amigos ao chegarmos no nosso destino. O Giorgos é muito gente fina e fala inglês muito bem em virtude de ter passado um tempo nos EUA. Ele e o Kostas se conheceram no inverno passado quando fizeram juntos o curso de escalada. A Mariana também é muito simpática e foi escalar pela primeira vez, com a intenção de fazer umas fotos para impressionar o novo namorado....

Kalipsos fica logo atrás do paredão de Plakiás entre Plakiás e a baía de Damnoni (ver localização no álbum de fotos), onde estão as praias de Ammoúdi e Mikró Ammoúdi, locais onde se pratica nudismo. Apesar de o carro parar tão perto da pedra quanto na Pedreira do Abraão, fiquei levemente desapontado com o lugar. É uma falésia relativamente extensa, mas surpreendentemente há apenas 15 vias numa pequena área. As vias são um pouco mais extensas que no Monte Várdia e no mesmo tipo de rocha. Todas parecem bem protegidas e são de grau fácil a moderado. Mas não posso descrever nada mais do que isso; não experimentei nenhuma via. Acho que a previsão do tempo estava errada e o vento era de 50 km/h com rajadas de 30. Era impossível ficar ali.

O Giorgos sugeriu de irmos à uma pequena parede de pedra na baía de Damnoni, mais protegida do vento, onde eles aprenderam a fazer rapel. Cheguei lá a frustração foi maior ainda, uma parede com uns 12 metros de altura e potencial para duas ou três vias com a base transformada num lixão. Não me deixei abalar, armamos dois top-ropes nos pontos mais promissores da parede, uma via de III grau e outra de VIsup. Armar os top-ropes mostrou que o Kostas e o Giorgos estão relativamente despreparados para montar ancoragens e seguir as regras básicas que coincidemente relatei aqui, mas não se matariam. Usamos todas as fitas que tínhamos e um cordelete de 7mm que eu tenho com cerca de 8 m para evitar arrasto e equilizar tudo. Com duas fitas que sobraram ainda usei um friend para fazer um "backup" numa das paradas.

Além da natureza exuberante e de vermos vários furacõezinhos se formando no mar, a via de VIsup foi o que fez valer a viagem. Mandei à vista e repeti mais uma vez para mostrar para eles que ainda não tinham conseguido (me achei!). Ela começa com um trecho positivo que entra num negativo de agarras não muito boas. Passei o lance colocando o pezão bem alto para ajudar a me erguer e alcançar uma agarra salvadora. Ainda assim, é preciso mais um ou dois movimentos para sair do negativo e entrar numa parte bem vertical e bem abrasiva que estilhaçou as mãos. Neste trecho o mais difícil não era encontrar agarras, mas sim encontrar aqueles não detonassem muito a mão.

Depois de todos tentarem, exceto a Anamaria, O Kostas ainda insistiu que passássemos de novo no outro setor para ver se ainda estava batendo vento. Era óbvio que estava, mas fomos mesmo assim. Ele não se conformou que nenhum de nós quis ficar. Mas fomos embora e fica a expectativa de voltar lá e escalar todas as 15 vias num só dia (ahammm!?).

Link para o álbum desta publicação: Rajadas de 50 km/h

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Ventos da África

Domingo fomos ao Monte Várdia. Passou um verão inteiro de seca e as poucas chuvas de Outono ainda não foram suficientes para restabelecer a vegetação na base das vias. Um pó fino que se levanta até mesmo com a respiração foi particularmente desagradável neste dia por conta do vento Sul que bateu forte na semana que passou, especialmente no Domingo. Ao contrário de Florianópolis, o vento Sul aqui é quente - vem da África - e provocou uma elevação agradável na temperatura que já começava a baixar. Perfeito ou imperfeito foi um dia de escalada!

A caminho do Monte Várdia a Anamaria dizia que estava com a sensação de que encontraríamos alguém. E chegamos lá, encontramos duas pessoas, o Kostas e a Anastasía. Depois se juntou a eles a Vasilia. Eles pareceram muito simpáticos e o Kostas está sempre sorrindo. Não os conhecia, e pelo que entendi fizeram um curso no início do ano e estão escalando assiduamente. Além deles também vieram a Natasa, colega da universidade, e um amigo dela, o Stéfanos, os quais eu convidara.

Armei um top-rope na Louki Look para a Natasa e o Stefanos escalarem uma vez que é uma via relativamente fácil com o crux já no final. Depois o Kostas queria por que queria que eu escalasse o início da via 31 (Dulfer, VI), e subiu a Louki Look para transferir o top-rope para a Mávri do qual é possível escalar o início da Dulfer. Já na seqüência ele fez três tentativas na Dulfer tendo sucesso na terceira. Desceu dizendo que já tinha feito duas outras vezes e que tinha saído mais fácil. Não pareceu que ele estivesse querendo me fazer um desafio ao insistir que eu tentasse a via 31, mas parece ter ficado meio desapontado e saiu em silêncio quando mandei tranquilamente e de primeira. A verdade é que é um lance puramente técnico mas que por iniciar num negativo/diedro com poucas agarras parece exigir muita força. Depois do negativo a saída é em oposição enfiando as mãos em uma laca e segurando em regletes. A Natasa e o Stéfanos também tentaram a via, sem sucesso.

O Kostas, apesar de escalar há pouco tempo parece bastante forte e escalou uma via que até hoje não tentei por achar que o grau estava alto para o que tenho praticado. Mas como a Anamaria inocentemente espressou, ele não escala, se puxa...

Fim de escalada. O saldo foi o telefone de mais um escalador grego. Além disso perguntei para ele sobre outros setores em Creta e ele me falou do setor de Kalipsos que provavelmente é o setor que eu tinha combinado de ir com o Apostólis, mas não fomos por causa da Chuva. Este setor fica próximo a Plakiás, é visível da estrada e fica antes do Hotel Kalipsos, ou seja, é fácil de encontrar. O setor possui várias vias e de diversas dificuldades, inclusive vias fáceis e mais longas do que no Monte Várdia.

Também aprendi um jeito mais fácil de dizer escalada ou escalar em grego: Scarfalóno ao invés de káno anarírrisi!

Link para o álbum desta publicação: Ventos da África

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Do RU....

... eu vejo Stavrós!



Link para o álbum desta publicação: Enfim Stavrós (álbum da publicação anterior).