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quinta-feira, 30 de abril de 2009

Atrasadas

Nos meses de março e abril estive envolvido em várias coisas, entre elas dois finais de semana do curso de montanhismo e a viagem para a França. Muita coisa acumulou e deixei de publicar algumas escaladas. A seguir farei um breve comentário para registrar aqui no blog estas escaladas em diferentes setores.

07/03 - Acho que a última vez que estive em Kalathás foi em julho do ano passado, quando recebemos a visita do Júlio. No início de março voltei com o Kostas para mudarmos um pouco os ares. Escalamos três vias fáceis e tentamos um teto registrado como um VIIIa. Não consegui fazer o teto, nem o Kostas. Não sei se a dificuldade é o teto ou as agarras extremamente doloridas necessárias para dominá-lo. Parece que estamos segurança um chumaço de espinhos. Aproveitei também para treinar com o Kostas a colocação de algumas peças móveis.

08/03 - O tempo chuvoso de domingo não foi o suficiente para nos afastar da pedra. Encaramos o Monte Várdia, Vassoúla, Anastasia, Kostas e eu. Entre um pingo e outro escalamos três ou quatro vias.

21/03 - Voltamos ao Monte Várdia, Kostas, um dos Georgios e eu. Vários americanos da base estavam lá ocupando a maioria das vias fáceis. Aproveitamos para escalar a Sikiá, uma fenda que já apareceu aqui algumas vezes. Depois disso resolvi encarar a Adelfopiísi que fazia algum tempo que eu não escalava e ainda não tinha guiado. Um sexto grau relativamente fácil, exceto pelo crux que tem uns regletes pequenos com pegada ruim levemente negativo. O dia ainda frio ajudou a dificultar a segurar nos regletes que provocavam dor nos dedos. Aproveitei para fazer algumas fotos de cima, do Kostas escalando a via. Na sequência, depois de mais de dois anos a escalada estava fluindo, tentei também a Mávri, um VI que ainda não tinha guiado. Eu que sempre disse que esta via está subgraduada, até achei que a graduação estava justa de tão tranquila que saiu. Demorou mas aos poucos estou me sentido a vontade na pedra, como há muito tempo não me sentia.

18/04 - Depois da última etapa do curso de montanhismo e uma escaladinha Walita na França, passavam-se quase um mês sem escalar para valer. Fui de novo com o Kostas e um dos Georgios (o mesmo da escalada anterior) para o Monte Várdia. Escalamos a Louki Look, uma calha de V já famosa aqui no blog e os convenci a colocarmos um top-rope na Mikrá Mistika, mas para escalar a Kourdistos Portokalis um VIsup muito legal que só pode ser feito em top-rope (ou solando).

20/04 - Para dar uma variada fomos para Kalipso. Num carro foram o Kostas, o Vangélis, o filho do Vangélis chamado Giorgos e um amigo do filho dele, o Pavlos. No meu carro, fomos Anamaria, a Manuela - portuguesa que conhecemos na universidade, e o Hélios - um Francês do couchsurfing que ficou aqui em casa. Escalei só uma três vias de graus variados, entre V e VI. E aproveitei para fazer em móvel a via 5, uma fenda quase perfeita que eu já tinha mencionado aqui no blog e que está protegida com chapeletas. O Kostas e o Vangélis escalaram outra fenda entre as vias 8 e 9. Pouco antes de ir embora eles viram que outras duas fendas muito boas possuem parada para rapel no final, mas ficou para a próxima vez.

25/04 - Dia bonito, ninguém para escalar, botei a Anamaria nas costas e fui com a mochila escalar. Aproveitei que éramos apenas Anamaria e eu, e escalei de novo a Louki Look - uma calha, a Kourdistos Portokalis - sexto grau muito legal e já vou dizer porquê, e a Mikrá Mistiká (em top-rope) - um 7a que já fiz com mais facilidade do que neste dia, levemente negativo que exige bastante equilíbrio e uso de pequenas agarras.

26/04 - Voltei a Kalipso com o Vangélis. Também apareceram lá a namorada dele e uma amiga que iam à praia. Escalei 5 vias e o Vangélis 7. Me sai bastante bem e escalei novamente a número 2, uma via negativa muito boa de escalar e que na primeira fez que escalei sugeri VIIa ou VIIb, mas agora tenho certeza que não passa de VIIa e talvez seja até um VIsup. O Vangélis ainda queria tentar as duas em móvel, mas estava ficando tarde e eu queria voltar para casa antes do anoitecer e de novo ficou para a próxima.

Link para o álbum desta publicação: Atrasadas

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Um visitante em Kalathás

Na semana que passou recebemos a visita da Regina, do Maneco, da Bel e do Júlio. Na programação da Bel e do Júlio constava uma escalada com o Rodrigo (eu), mas deixamos as circunstâncias ditarem o momento. No dia reservado para passear pela cidade de Chaniá passaram na universidade para me buscar no final da tarde, já passando das 18h00. Como anoitece só as 21h00, tudo bem. O setor escolhido foi Kalathás e as razões são óbvias.

A Anamaria, a Bel e o Maneco nos deixaram no início da trilha para o setor de escaladas e foram para a praia. Fomos no setor onde há top-rope apenas. Armamos um top-rope nas vias número 10 e 11 (V e V+) e escalamos. Eu ainda não tinha escalado o via número 10, que é muito legal e provavelmente uma das mais fáceis do setor.

Apesar de no último ano o Júlio ter escalado não mais do que três vezes em San Diego, ele mandou bem. Tínhamos energia para mais vias, mas estava tarde e esperavam por nós na praia.

Fizemos a trilha de volta e fomos até a praia para encontrar a Anamaria, a Bel e o Maneco. Demos um mergulho para refrescar-nos sob um belo pôr do sol. Uma escalada de final de tarde perfeita!

segunda-feira, 23 de junho de 2008

Eu reclamo, mas eu volto

Apesar das minhas reclamações seguidas sobre as condições do setor de escalada em Kalathás, voltamos lá mais uma vez neste final de semana.

A diferença desta vez foi que resolvi "explorar" o setor onde estão as duas vias chapeletadas acima da antiga pedreira. A antiga pedreira deve ter entre 30 e 40 metros, é mais alta que a Pedreira do Abraão em Florianópolis. Não acredito que seja possível escalar por ali no curto prazo, o resultado da escavação é uma parede esfarelenta e aparentemente frágil. (fotos da pedreira e deste setor podem ser vistas neste álbum: De volta à Kalathás).

O guia de escaladas falhou mais uma vez em não indicar um acesso apropriado às vias de escalada. Depois de dar uma circulada pela base do morro, optamos por um trecho que exige um solinho vertical e exposto mas tranquilo que foi superado sem muitas dificuldades por mim e pela Anamaria. O trajeto restante é por cima de pedras "abandonadas" muito parecido com a base das vias de cima na Pedreira do Ribeirão. Devido as pedras soltas, fizemos a ascensão com o uso de capacete.

Quando chegamos na base da pedra, com cerca de 8 a 10 metros, à primeira vista parecia não haver chapeletas. Acabei achando as chapeletas minúsculas e cheguei a pensar que o Bito Meyer tivesse exportado suas chapeletas para cá. Quando subi vi que não eram do Bito, mas da Mammut! Me preparei para encarar o V+, já que a outra via é um VII- com um início todo em negativo. Fui bem, mas tanto tempo sem guiar me deixou um pouco nervoso e parei para descansar e dar um alívio para as mãos. Apesar do tipo de pedra, as agarras aqui espetam muito, tipo a pegada acima do tetinho da Orquídea no Morro da Cruz, e minha pele da mão ainda está bastante fina. Além das três chapeletas protegi a parte final com uma laçada de fita em volta de uma alça de pedra.

Cheguei no topo da via (como alguém que ultrapassa a parada da Leviatã), fiquei em pé e comecei a fuçar o mato para ver se achava grampo ou algo similar escondido para que eu pudesse descer. Fui ver a parada da outra via e o estado era lastimável. Mesmo assim precisava descer por ali para limpar a via. Quando estava decidido a descer desescalando finalmente vi um cabo de aço amarrado num pedrão logo atrás de mim.

Comecei a preparar uma ancoragem usando o cabo de aço e um friend para fazer top-rope em duas outras vias, mas como tenho poucas fitas acabei desistindo. Rapelei, limpei a via e escalei ela de novo, desta vez encadenando e usando só as chapeletas como proteção.

No álbum de fotos, uma foto minha durante o rapel dá uma idéia da distância entre as chapeletas, que como já falei, não difere dos setores esportivos em Florianópolis.

Enfrentamos o solinho de novo na descida, como sempre um pouco mais difícil, e depois fomos para a praia dar um mergulho!

terça-feira, 17 de junho de 2008

Bomba relógio

Quando o Parque Aventuras, onde se encontra a pedreira do Abraão em Florianópolis, atingiu seu ápice, não era difícil ver pessoas fazerem todo tipo de cagada na parede de escalada, principalmente rapeleiros. Gente sem equipamento adequado, "cuba libre" entre uma descida e outra, nós errados e etc. Era um verdadeiro show de horrores. O tempo passou, a pedreira foi abandonada pela prefeitura e (in)felizmente o show de horrores acabou.

Por quê me lembrei disso? Quem leu minha publicação anterior sabe que tive o prazer de encontrar um simpático casal de escaladores poloneses em minha última escalada. Quando cheguei eles estavam terminando de armar um top-rope aqui. As proteções para armar ancoragens ficam longe e se olharem esta foto aqui verão que a corda vem de longe e passa arrastando em duas ou três arestas (não dá de ver tudo na foto).

Quando subi para armar o meu top-rope levei um susto e pude ver a bomba relógio que eles montaram. A foto/desenho abaixo ilustra mais ou menos o que eu vi, complementada pela descrição que segue. Pena que não subi com a máquina fotográfica.


Uma fita tubular (em laranja) foi atada com um nó boca de lobo à uma das chapeletas. Um cordelete (em vermelho), talvez com 6 mm, foi utilizado para fazer um "famigerado" triângulo amaericano unindo a outra chapeleta e um bico de pedra. O cordelete e a fita estavam equalizados para a direção da escalada e unidos por dois mosquetões de rosca (em preto) colocados exatamente na mesmo posição (ao invés de estarem opostos e em oposição, apesar da rosca). Não notei se os mosquetões estavam rosqueados ou não, mas acho que sim. Na figura fica difícil de mostrar, mas os dois mosquetões estavam perpendiculares à pedra, com os gatilhos para baixo sendo pressionados contra ela (numa quina). A corda (em rosa) passa pelos mosquetões e depois arrasta em pedras e quinas. Note também que a direção das chapeletas não favorece esta ancoragem.

Ou talvez eu que esteja precisando fazer um curso de escalada de novo...

segunda-feira, 16 de junho de 2008

De volta a Kalathás

Queridos amigos, fui mais duas vezes a Kalathás. Recomendo visitarem o álbum de fotos que mostram melhor o setor. As descrições nas fotos serão mais completas que esta publicação. Os dois dias estavam bonitos e no primeiro, demos uma passada na praia para fazer fotos.

No primeiro dia escalei 4 vias de V+ (UIAA) em top-rope, todas a partir da mesma ancoragem. Em uma delas tomei minha "primeira queda" na Grécia. Uma escorregadinha (vaciladinha) na pedra lisa logo no começo de uma das vias. No segundo dia, escalei uma via de VI- e uma de VI+. Neste dia também encontramos um casal de poloneses escalando. Jovens, muito simpáticos e em forma! Mandaram um VIII+. Serviram de inspiração para uma próxima publicação que irei chamar de "bomba relógio".

Reforço comentário anterior de que as proteções colocadas na parte de cima da falésia deixam a desejar. São mal posicionadas e não parecem seguir nenhum critério. Cabos de aço foram colocados para servir de ancoragem. Todas as chapeletas que usei (nas duas vezes que estive lá) estão em pedra irregular e o mosquetão sob tensão é forçado de maneira inapropriada. Descobri que em alguns lugares há boas alças de pedra para usar de ancoragem, mas na base da pedra (ver fotos) encontrei um cabo de aço "intacto" que provavelmente envolvia uma alça de pedra que se quebrou.

Consegui ver proteções para as vias mais da direita da falésia, mas não parece haver outra maneira de chegar a elas senão solando. Vejam as fotos!

terça-feira, 3 de junho de 2008

Escalada seguida de praia

Kalathás é uma pequena praia na penísula de Akrotiri, bastante bonita e a poucos kilômetros de Chaniá. Se não fosse pela estrada que passa, desembocaria na praia a pequena garganta de Kalathás. Passei lá duas vezes antes de levar meu equipamento para escalar. O lugar parece pouco explorado e as indicações do guia não ajudam a encontrar as vias.

Algumas vias estão no topo da entrada da garganta e ainda não subi lá para ver de perto. Lá tem duas vias chapeletadas e as demais são variantes em top-rope. As outras vias, todas em top-rope, ficam mais para dentro e é necessário percorrer uma trilha pelo mato. São vias curtas e de várias graduações. Por sorte a primeira vez que fui com equipo, tinha dois caras escalando que esclareceram algumas dúvidas. Não é evidente como se chega no topo da falésia para armar o top-rope e o guia não mostra como chegar. Os escaladores locais me mostraram como, mas que só dá acesso a metade das vias. Não souberam me dizer como fazer para ir na outra metade e acham que as proteções não devem estar em bom estado naquela parte. Vi que é possível ir solando ou protegendo em móvel com algumas peças.

Subi na parte que dava e armei um top-rope que servia para três vias. O guia indica a mesma ancoragem para mais vias, mas é impossível. As chapeletas para ancoragem estão longe da beirada e mal posicionadas. Precisaria ter mais chapeletas em vários lugares. Usei todas as fitas que tinha (duas de 60 cm e duas de 90 cm e uma de 120 cm) e ainda faltou para armar algo decente. Mesmo assim escalei as três vias, graduadas como IV, V e V+ (UIAA), mas todas praticamente do mesmo nível V (brasileiro) e levemente negativas.

A rocha é do mesmo tipo que no Monte Várdia. Quando tiver mais conhecimento escreverei um pouco sobre os tipos de rocha daqui. Em Kalathás a Anamaria achou um pedaço de pedra com impressões de conchas.

Enfim, apesar de mal estruturado o lugar é muito legal e tranqüilo. Pretendo ir lá mais vezes para tentar as outras vias e tirar fotos melhores. Como é perto da praia, no verão vou escalar cedo e depois me refrescar na água do mar!