Mostrando postagens com marcador Devaneios. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Devaneios. Mostrar todas as postagens

sábado, 31 de julho de 2010

Retomando

O blog ficou parado por algumas semanas. Estive bastante ocupado e como ainda não estou escalando acabei dedicando meu tempo livre para outras atividades não relacionadas com a escalada em com o blog. Em breve publicarei as pendências desde a Páscoa, como a ida à Ágio Fárago, um novo guia de escalada de Creta, um livro de escalada que ganhei do meu irmão ano passado e a ida a Chamonix nos Alpes Franceses.

Saudações.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Erro no Parque Aventuras

Desde que o Parque Aventuras em Florianópolis foi abandonado pelo poder público foram diversas as tentativas de recuperá-lo. Depois de um hiato, nas últimas semanas as ações da ACEM foram retomadas e, coicidência ou não, em poucos dias será feita uma audiência pública onde a presença da ACEM e escaladores é fundamental. Nesta audiência será discutido o projeto de lei que prevê ceder a área do parque para a Polícia Militar. Depois de uma apresentação que promete muito e não vale nada, fica bem claro que ficará na mão da PM como será feito o uso da pedreira e que não é dada nenhuma garantia de que poderemos continuar escalando lá. A prefeitura está tentando "comprar" a comunidade com a "moeda" segurança, algo que não se vê por aqueles bairros (e ao que parece nem no resto da cidade) faz muito tempo. Não sei qual vai ser a abordagem da ACEM para defender a manutenção do parque e da área de escalada, mas espero que não se cometa mais uma vez um erro que tem sido cometido desde a concepção do parque, o de defender apenas a área de escalada.

Logo que o parque foi inaugurado, e por algum tempo enquanto ainda era novidade, era fácil contar mais de 50 visitantes não escaladores numa tarde ensolarada de sábado ou domingo. Naquela ocasião alertei que o grande problema era que aqueles 50 e tantos visitantes viriam ver o parque uma vez e nunca mais voltariam, simplesmente por que não tinham nada para fazer lá. Dito e feito!

Como não participei da concepção do parque, ingenuamente sugeri que o problema foi o parque não ter sido terminado, isto é, que inauguraram sem bancos, sem playground infantil e outras atrações, especialmente para famílias com crianças pequenas. Diga-se de passagem, famílias estas que povoam os demais (escassos) parques de Florianópolis. Por que na pedreira seria diferente? Os escaladores acharam que seria, e foi a própria ACEM que fez questão de que este tipo de atrativo não fosse incluído no parque em prol da área de escalada.

Não estou fazendo uma oposição à PM em si, mas já vi outros casos em que o acesso a determinado lugar fica a cargo de uma instituição em que o "comando" muda de tempos em tempos. O que acontece é que cada vez que mudar o comandante, ou o prefeito, ou o governador, as regras vão mudar. Assim, cada vez será uma lenga, lenga para conseguir acesso ao setor de escalada. Acho que não resta muita saída para a a ACEM, ou se defende um parque completo com escalada, playground, segurança e etc., ou a causa está perdida. Se a ACEM for para esta audiência para, mais uma vez, defender a área de escalada apenas (com ou sem PM), estará novamente cometendo um erro e talvez perdendo a área de escalada de uma vez por todas.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Fim de ano

Nos arredores do Natal e da virada do ano fui escalar diversas vezes no Monte Várdia. Durante os feriados tentei me manter em dia com os textos sobre as escaladas, mas como se passou muito tempo resolvi dar uma resumida e só comentar alguns pontos mais interessantes (para mim pelo menos). As poucas fotos que fiz nestes dias e também um vídeo do Kostas formam o álbum de fotos desta publicação (link no final).

A chuva e os parceiros não foram muito generosa comigo até pouco antes do Natal. Cheguei a ir sozinho até o Monte Várdia num domingo à tarde, mas em menos de meia hora fiquei entediado de escalar sozinho e voltei para casa.

O ponto forte antes do Natal foi o Kostas tentando encadenar a Mikrá Mistiká (VIIa) e o resultado vocês podem ver no vídeo.

No dia de Natal, 25 de dezembro, o telefone tocou logo cedo. Antes de atendermos a Ana sugeriu que era algum parente querendo desejar Feliz Natal ou o Kostas querendo ir escalar. Era a segunda opção. Como ele tinha que ir almoçar na casa do irmão, estava convocando os parceiros às pressas. O Vassílis também foi. Depois de aquecermos em alguma via, o Kostas quis tirar a limpo o problema dele com a Mikrá Mistiká e conseguiu encadenar com sucesso.  Veio aquela pressão implícita do Kostas. Puxei a corda e o Kostas ficou meio incrédulo de que eu conseguiria. Sem querer me achar, mas já me achando, guiei com muita tranquilidade e me sai melhor que ele. Este foi o grande feito do dia de Natal.

Outra novidade no dia de Natal foi o top-rope na via 16. Esta via pode ser escalada em móvel, mas fizemos em top-rope. No guia de escalada ela aparece graduada como um VIsup e apesar da aparência assustadora no início, parece mesmo que a graduação está certa. Eu e o Vassílis fizemos à vista, ainda que passando um veneninho no começo, que é o crux. O meu amigo Kostas fez a maior marra antes de começar, estudando os movimentos e na hora H se apertou e caiu várias vezes no crux. É meio difícil descrever a via, melhor ver as fotos que tirei do Vassílis escalando. Depois do crux a via fica bem tranquila e segue por um diedro. Em uma próxima oportunidade estamos pensando em descer de rapel e pré-colocar as peças móveis para fazer guiando.

Depois da volta de Atenas de barco (lembrem que fui à Kós depois do Natal) nosso carro ainda estava no aeroporto. Como o Kostas mora perto, pedi que ele me levasse lá depois que saísse do trabalho. Ele não perde a oportunidade de caçar um parceiro e me deixou sem alternativas senão ir escalar antes de irmos buscar o carro. Ele foi para o Monte com a Eléni e o Manolis e por volta de 15h30 veio me buscar. Chegamos lá e fiz dupla com o Manolis, e ele com a Eléni. O Kostas é o novo treinador pessoal da Eléni e o objetivo dele é fazer dela a melhor escaladora de Chaniá, superando assim a Anastasia, a Vassoúla e a Marianna.

Com o Manolis escalei guiando a via 36. Fazia tempo que não guiava e fiquei orgulhoso de mim mesmo por ter me saído tão bem. A parada para a 36 e a 35 é a mesma e desci de baldinho para ir direto para a 35 em top-rope. Só tinha tentado guiar esta via umas duas vezes e sempre amarelei antes de alcançar a chapeleta que protege o crux. Desta vez tinha me sentido muito bem escalando ela que depois de o Manolis escalá-la em top-rope, resolvi guiar. Encadenei com relativa tranquilidade e sinto que finalmente posso dizer que meu grau é VI.

No dia da virada voltei ao Monte com o Kostas e o Manolis. Apareceu por lá também o Giorgos (o outro) sem equipamento. Levei minha segunda cadeirinha e ele escalou a Zéstama (IV) com o Kostas, de sapato. Enquanto isso guiei a Sikiá (Vsup) com segurança do Manólis. Faz algumas semanas comprei um aro novo de óculos e agora uso meu óculos anterior para escalar e o novo só no dia dia. Esqueci de levar o óculos antigo e resolvi escalar sem óculos para não estragar o novo. Foi muito esquisito olhar para cima ou para baixo e não enxergar muito bem as agarras, mas deu de encarar.

Na sequência, resolvei guiar pela primeira vez a 46, sem muito apoio do Manólis que dizia que ela é muito difícil. Fazia umas três semanas que não escalava esta via e o Manólis ficou de cara com a minha performance (nada de mais na verdade) e me elogiou muito. Depois o Manólis guiou a Sikiá e levou uma das quedas mais esquisitas que já vi. No crux da via, exatamente onde tem a árvore, ele tentou não segurar a árvore para fazer a via limpa, mas não conseguiu. Daí tentou segurar na árvore, mas bem no nó onde não tinha pegada. Ao invés de tentar se salvar em outra parte da árvore ou alguma agarra, ele deu um pulo para trás, como se fosse um sapo e caiu. Enfim ele terminou a via e foi tentar a 46. O Sol já estava se pondo quando ele finalmente desistiu e deixou o Kostas ir em top-rope para mostrar como passar o lance inicial. Depois que o Kostas desceu era minha vez e apesar de eu ter esfriado resolvi fazer a 44. Apesar da penumbra, da cegueira parcial e do nervosismo, encadenei a via. A cadena ficou registrada em fotos que pedi, já no final da via, para o Manolis bater.

Depois que desci, o Kostas disse que foi a minha melhor performance que ele já viu. Não sei bem qual foi a intenção dele, mas me senti ofendido, já que apesar de ter encadenado, nem me saí tão bem. Meu amigo Kostas de certa forma estabeleceu uma competição não oficial entre eu e ele. Com as vias que encadenei nos últimos dias, sem querer deixei ele para trás, já que a via 25 eu encadenei e ele nem em top-rope conseguiu (e não sei porque, nem tenta). Hoje, ainda por cima, encadenei a 44 que ele não consegue fazer em top-rope (agora já consegue). Como ele escala muito mais que eu e que os outros, quase que diariamente, ele não se conforma que alguém que escale com menos frequencia, consiga fazer coisas que ele não faz.

Depois disto ainda fomos outro dia em que ventava muito. Depois de escalarmos algumas vias eu disse que estava frio e que preferia ir embora. Ele virou para mim e disse, ainda tem luz e nunca guiaste a via 41 (VI). Na verdade já tinha, guiado, sem encadenar. Mas eu não tinha problema nenhum em escalá-la e resolvi aceitar a competição e encadenei a via 41 sem tropeços. Disse que estava bem frio e a pedra gelada e que talvez fosse melhor ele ir em top-rope. O orgulho falou mais alto e ele quase caiu duas vezes. Acho que ele levanta esta competição inconscientemente e até já cheguei a pensar que é algo da minha cabeça, mas inclusive a Anamaria notou. Eu levo na boa e acabo me divertindo.

Link para o álbum desta publicação: Fim de ano

sábado, 2 de janeiro de 2010

Ano Novo

Prezados leitores, o ano novo começou bem e estou meio atarefado. Não tive condições de publicar, pois o tempo livre que tive aproveitei para escalar. Posso antecipar que encadenei quatro novas vias nos últimos dias, um VI, um VIsup, e dois possíveis VIIa. Também experimentei duas vias "inéditas". Na próxima semana também receberei a visita de um amigo que não vejo há quase seis anos e não terei condições de publicar. Na outra semana publico os textos e as fotos.

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Feliz Natal

A segunda metade deste mês foi bem corrida, e não tive condições de publicar no blog. Mas tive a oportunidade de escalar três vezes, inclusive hoje. Fiz várias fotos e publicarei ano que vem, já que estarei ausente de 26 a 31/12.

Feliz Natal e um ótimo Ano Novo!

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

ΒΕΒΑΙΩΣΗ

Sábado foi dia de receber o certificado. O evento que teve direito a cartaz de divulgação nas ruas de Chaniá era na verdade uma palestra e já aproveitaram para entregar os certificados. O local do evento foi o auditório da Associação Comercial local. Foi uma ótima oportunidade de rever várias figuras que não encontro com frequencia, como o Cristos, o Apostolis, o Iannis, etc. A entrega aconteceu logo no início sem muita cerimônia. Primeiro receberam aqueles que fizeram o curso de nível intermediário e depois os do nível iniciante. Um a um fomos chamados e tudo correu sem tropeços. O único fato constrangedor foi a Elise não ter sido chamada para receber o certificado que por alguma razão não foi feito. Antes de a palestra começar alguém fez uma retificação e anunciou o nome dela sem, entretanto, entregar o certificado.

A palestra foi proferida por um escalador/montanhista de Atenas que é engenheiro mecânico de profissão e diretor técnico da confederação grega de escalada e montanhismo (se entendi bem). A palestra dele foi sobre equipamentos e sua correta utilização. Obviamente o objetivo não era ensinar a usar cada um dos equipamentos de escalada, mas mostrar que cada equipamento tem um fim específico e deve ser corretamente usado para este fim e que existem normas que especificam como devem ser estes equipamentos.

A palestra foi muito interessante, porém um pouco longa e acabou por se tornar cansativa. Ele abordou os principais equipamentos usados para escalada e montanhismo, como mosquetões, cordas, crampons e etc., e comentou brevemente maus usos, bons usos e as normas CE/EN e UIAA para cada um deles quando aplicável.

Por exemplo, sobre cordas falou do fator de queda, das especificações da corda, como número de quedas UIAA, Força de Impacto e tudo mais. É curioso notar que a maioria das pessoas que tinha contato no círculo de escalada no Brasil, tinahm mais ou menos conhecimento da maioria das coisas que ele falou. Ali parecia novidade para todos, mesmo para aqueles que estiveram em cursos de escalada. Para mim foi uma ótima aula de revisão e também para aprender algumas coisas novas.

O cara palestrou muito bem e por ser engenheiro mecânico entende melhor do que a maioria de nós sobre o que está falando. A seguir vou tentar anotar alguns pontos que ele discutiu e que achei interessante comentar. Considerar com precaução tudo o que escrevi abaixo, pois posso ter entendido mal alguma coisa.

Sobre o uso de cordas ele mostrou os resultados de algumas pesquisas que eu nunca tinha visto nem ouvido falar em páginas ou listas de discussões brasileiras. Um deles por exemplo, mostrava a perda de elasticidade da corda com o tempo (sem uso) e por metros de escalada. É impressionante como a corda perde elasticidade com o uso. Algo como 5000 metros de escalada, que ele afirma ser fácil fácil atingido por alguém que escale três vezes por semana vias esportivas num período de três meses, baixam tanto a elasticidade da corda que é quase como se ela não fosse mais elástica (para fins de escalada e quedas). Fica evidente portanto, a importância de se trocar a corda regularmente. Sobre cordas foi uma pena ele não ter enfatizado os cuidados com o material, já que por aqui é comum a corda servir de tapetinho.

Um assunto que volta e meia vem à tona nas listas de discussão é o relato de casos em que chapeletas em áreas litorâneas quebraram apenas com o peso do escalador. Até saiu algo oficial da UIAA a respeito. O palestrante participa regularmente dos congressos da UIAA e parece estar por dentro do assunto. Ficou um pouco complicado entender os detalhes em grego, mas pesquei algumas coisas. Na Grécia parece que houve dois ou três casos, um deles em Creta e o outro não lembro onde foi. Eles consideram áreas litorâneas, setores de escalada a até 50 km do mar, o que significa, por exemplo, toda a ilha de Creta (e toda ilha de Santa Catarina) e muitos outros importantes setores na Grécia (e no Brasil). A constatação que chegaram é que não é um problema apenas por causa do iodo de ambientes litorâneos, mas por também causa da poluição em ambientes urbanos. Soma-se a isso o uso de parabolt, chapeleta, arruela e porca com materiais metálicos diferentes, que ficam trocando carga e se estragam. Finalmente, é fator importante o aperto excessivo da chapeleta. Acabei não entendendo se o aperto deve ser de 4,5 ou de 8 kN (e talvez nada disso). Mas eles mediram o aperto de chapeletas em regiões onde houve quebra e eles são muito altos, causando algum tipo de tensão que prejudica a maneira como o impacto de uma queda ou o peso de alguém afeta o conjunto. O mais interessante de tudo foi que a solução encontrada para evitar este problema foi o uso de proteções químicas. As razões são simples: é apenas uma peça, então não há problema de ligas diferentes em contato, não há tensão de aperto pois a peça é colocada no furo com cola e, por fim, pode se escolher um material que não sofre os danos causados pelo iodo e pela poluição (não entendi qual elemento poluidor afeta o metal) e nem qual tipo de metal deve ser usado. Há claro o inconveniente de ter que esperar a cola secar, mas principalmente em áreas esportivas não há pressa...

Um ponto que foi muito bom ele ter discutido foi o uso de dois pontos de segurança nas montagens de top-rope e rapel. Os olhos da platéia se arregalaram quando ele falou isso. Há muito tempo eu já dizia para o Kostas que o certo quando se usa corrente é colocar mais uma costura para fazer um segundo ponto ou montar uma ancoragem com fitas e mosquetões. Eu mesmo acabei cedendo e vinha ignorando isso.

Aqui é muito comum o uso de mosquetões de aço nas paradas ou anilhas navais (um semi-círculo com um pino rosqueado). Ele reforçou que este hábito tem que acabar e que apesar de não ser perigoso o uso dos mosquetões de aço (também para uso náutico) eles enferrujam e se tornam inúteis logo, além de marcar a pedra. Ele sugeriu que passem a colocar mosquetões de escalada velhos mas com o gatilho em bom estado. As anilhas ele condenou veemente e depois o Kostas veio conversar comigo com aquele ar de tinhas razão. Espero que a ficha tenha caído e ele pare de montar top-rope nelas a partir de agora.

O último tópico que ele debateu que acho interessante comentar é sobre o velho mito das microfissuras quando se deixa cair um equipamento do alto. Neste tópico também dei uma boiada mas parece que não há nada que confirme ou não confirme a formação das lendárias microfissuras. A única recomendação que ele fez foi que devemos usar nosso próprio julgamento e se não nos sentirmos seguros usando o equipamento que deixamos cair, melhor destruí-lo e escalar se sentindo bem. Até hoje só abandonei um ATC que deixei cair de uns 20 metros na Barra da Lagoa e o Amarelo insistiu em ficar pra ele. Se por um lado as microfissuras continuam uma incógnita, danos visuais oferecem um sério risco. Ele recomendou que não se use nenhum equipamento com um dano (por ter caído no chão) ou desgaste (por passagem da corda ou contato com chapeleta) que exceda um milímetro de profundidade. Para ilustrar ele mostrou um modelo de uma placa GIGI que ele montou num simulador. Numa imagem ele mostrou o equipamento em perfeito estado aplicadas as devidas tensões durante o uso normal e na outra ele fez um corte de um milímetro no ponto mais alto da placa. Na segunda figura ficou aparente que na parte onde foi feito o rasgo há uma concentração de forças (tensões?) e ocorre a ruptura do equipamento. O mais legal de tudo é que as rupturas que acontecem são invisíveis. Quer dizer, cada vez que se usa o equipamento danificado ele vai quebrando aos pouquinhos e não se vê, até que ele se parte, e aí já era.

Se surgir alguma dúvida sobre algum tema que escrevi nesta publicação posso tentar entrar em contato com o palestrante para pedir algum esclarecimento.

Desculpem pelo péssima redação (talvez pior do que o usual), mas fui digitando o que a memória me permitiu lembrar.

Link para o álbum desta publicação: ΒΕΒΑΙΟΣΗ

domingo, 15 de novembro de 2009

Guerra no Monte

Sábado fui com o Kostas escalar no Monte Várdia. Além dele, foi também um amigo escalador da Anastasia, o Manolis, que eu não conhecia. Logo que cheguei o Manolis foi embora e ficamos apenas eu e o Kostas. Não vou me prender em muitos detalhes das vias exceto uma que foi novidade. Primeiro fiz top-rope na Pedevousin Tékna (VI). Em seguida, achei que estava inspirado e resolvi tentar a via 44 (VIIa) que já tinha guiado uma vez, mas amarelei de novo a meio caminho entre a segunda e a terceira chapeleta. O Kostas não quis nem tentar. Depois escalei a via 40 (VI) em top-rope. Por alguma razão desconhecida resolvi levar o top-rope para a via do lado que eu nem sabia o grau, a 42, um  VIIb com poucas agarras, nem sempre boas e com um início negativo. E esta é a única novidade. De movimento em movimento e queda em queda fui até a terceira chapeleta, a qual não faço idéia de como costuraria se estivesse guiando, e acho que o crux era logo na sequência. Muitas tentativas serão necessárias até poder completar um rop-rope nela, quanto mais guiar. Para encerrar o dia fiz um top na Mikrá-mistiká (VIIa) com a corda dos americanos (uns 10 deles) da base que tinham ido escalar um pouco (alguns pela primeira).

Domingo fui de novo com o Kostas e com o Yorgos Agrônomo e ficamos na água com açucar. Guiei a Louki Look (V) e fiz top-rope na Mikrá Mistiká (VIIa). Na foto, o Yorgos fora da linha na Mikrá Mistiká. A curiosidade do dia vem de um senhor, com seus bons 70 anos, que mora nas redondezas e veio prosear com os escaladores (ver na foto o senhor e o Kostas super atento na segurança).  Papo vai, papo vem ele explicou que aquele lugar onde escalamos não se chama Monte Várdia (que fica mais para cima), mas sim Grabouka. E acrescentou que nem o Monte Várdia se chama Monte Várdia, mas sim Profiti Ilias (Profeta Elias - como todo ponto alto de algum lugar na Grécia). O nome Grabouka de acordo com ele, se deve ao fato de que o local era provido, há muito tempo, de diversas cavernas* que foram destruídas durante a operação de uma pedreira. Isto é novidade e explica a má qualidade da pedra na parte onde não há vias, bem como os inúmeros blocos de pedra barranco abaixo (ver foto). Ele não explicou a etimologia do nome e o Kostas e o Yorgos não fizeram nenhuma relação com alguma palavra grega.

Outra curiosidade que o nosso inesperado visitante contou e fica difícil saber se é fantasia ou não, é que os alemães passaram  por ali para se deslocar daquela parte da cidade até o porto de Souda (porto que serve Chaniá) durante a desocupação de Creta. Nada de especial se ele não tivesse acrescentado que como os alemães não tinham como levar as armas de volta (e não houve explicação de por quê), eles aproveitaram para explodir granadas e morteiros no barranco (ver foto do barranco).

*Até onde me lembro, por definição, as cavernas tem até 30 metros de profundidade, e a partir disto são chamadas grutas. Isto me faz lembrar que a publicação anterior chamada Caverna Szemlohegyi deveria na verdade se chamar Gruta Szemlohegyi.

domingo, 8 de novembro de 2009

Um novo sistema!

Depois que voltei de viagem em meados de Outubro consegui escalar algumas vezes, mas não tive tempo de reportar aqui no blog. Numa das ocasiões foi a reestréia do Kostas na rocha, diga-se de passagem, um mês antes do recomendado pelo médico, é claro. Eu estava meio travado e como ele, apesar de não reconhecer abertamente, sentiu dor ao escalar, nos contivemos e escalamos apenas duas vias, a Louki Look (V) e a Mávri (VI). Esta segunda ele fez só em top-rope e claramente passou dos limites dele (mais uma vez).

A segunda oportunidade em que fui escalar, além do Kostas, foi também o Michalis, um holandês de pai grego que me achou pelo CouchSurfing. Ele se auto intitula guia de montanha, mas tenho a impressão que ele é mais um guia de caminhadas. No final de Outubro ele veio a Creta para guiar um grupo de holandeses por uma semana em diversas caminhadas e como ele tem família por aqui, veio um pouco antes para se divertir e me chamou para escalar. O nível de escalada dele é bem baixo e como ele pratica mais em muro de escalada (top-rope com mosquetão de rosca) nem o nó oito ele sabia fazer. Meio contra a vontade do Kostas escalamos a Zéstama (IV) para o Michalis poder fazer uma via mais fácil primeiro. Então na sequência tentamos também a Mi-nous (V/VI) em top-rope. Apesar das más condições do Kostas ele insistiu que fossemos escalar a Sikiá (Vsup) para colocar um top-rope na via do lado, a Pedevousin Tékna (VIsup), que é de certa forma um fronteira no nível de escalada do Kostas que estava guiando ela com certa tranquilidade. Esta via é bem técnica e um pouco negativa e ele foi que foi. Ficou vermelho de tanto esforço e má respiração, e suou feito um porco. Como ele tinha que ir para o trabalho, ele nos deixou e entrei na sequencia. Acho que conheço um pouco mais os meus limites e parei na metade, já com dor nos dedos por causa dos regletes, logo antes de encarar o negativinho. Para que o Michalis pudesse experimentar mais uma via escalei a Louki Look mas começou a chover antes mesmo de eu chegar no topo da via. Terminei a via e desci rapidamente e nos abrigamos na caverninha para guardar as coisas. Convidei o Michalis para almoçar aqui em casa e comemos algumas panquecas assadas que sobraram do meu aniversário. O cara é bem legal e não tinha problema nenhum em mostrar dificuldade para escalar, perguntar como se faz as coisas, os nós e etc. Um comportamento raro, do tipo falta em algumas pessoas (meu amigo Kostas) e os coloca, bem como seus parceiros, em risco.

Já em novembro, ontem, fui no final da tarde com Kostas e o Spiros, escalar no Monte e fizemos a Louki Look e a Mávri. Depois o Kostas guiou a Sikiá para mais uma vez fazer top-rope na Pedevousin Tékna. O Spiros ficou sem fazer muita coisa o verão todo e fora o fato de ele já ser uma pessoa grande, ele ainda está um pouco acima do peso e só escalou um pouco a Louki Look e tentou o começo da Mávri, mas ficou satisfeito. Desta vez o Kostas se saiu um pouco melhor, mas continou sem respirar regularmente. Não me sai muito bem, mas consegui fazer a via sem cair.

O engraçado agora é ouvir os comentários técnicos do Kostas, algo como o Pelé ou o Romário de comentarista nas copas do mundo, ou seja, as coisas mais sem fundamentos possíveis. Mas tudo bem, eu me divirto. Outra coisa engraçada é que dá última vez eu meio que combinei de sempre escalarmos duas vias seguidas para perdermos menos tempo e não descansarmos entre as vias, como se elas fossem mais longas. Daí no dia que fomos com o Spiros, ele escalou o Look Louki e na sequencia já foi escalar a Mavri. O Spiros, não entendeu o que estava acontecendo, afinal achou que a vez era minha ou dele, e perguntou o que o Kostas estava fazendo. O Kostas respondeu cheio de pompa: "É um novo sistema!..."

sábado, 7 de novembro de 2009

Ida para Iráklio

Na última quarta-feira matei um dia de trabalho (sem prejuízo para o andamento dos trabalhos) para me encontrar com o meu primo Luiz Arthur. Ele trabalha na tripulação de um cruzeiro marítimo e atracou por poucas horas em Iráklio. E o que isto tem a ver com escalada em Creta?
Em primeiro lugar, o fato de que a Anamaria e eu acordamos cedo no primeiro dia bonito depois de dias seguidos de chuva. Como o céu finalmente não estava encoberto, durante o trajeto pudemos ver as partes mais altas das montanhas com os primeiros respingos de neve do inverno que se aproxima. Obviamente nevou na montanha enquanto chovia aqui embaixo e tanto a Lefká Óri em Chaniá, como o Psiloritis em Iráklio/Réthymno já tinham os picos mais altos brancos da neve que a esta hora já derreteu com o ar quente que soprou da África nos dias que se seguiram.

Em segundo lugar o fato de o navio onde meu primo trabalhar ter um muro de escalada. Depois dessa até pensei em fazer um cruzeiro!

Como o tempo era curto visitamos rapidamente o palácio de Knosós e fizemos um lanche no centro.

Não fiz fotos das montanhas, mas exibo aqui duas fotos do muro de escalada no barco.

(Não coloquei as fotos num álbum, mas elas podem ser ampliadas com um clique.)

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Os limoeiros estão doentes

Domingo rendeu mais um final de tarde de escalada. Fomos apenas eu e o Yorgos (Agrônomo). E rendeu mesmo. Guiamos a Louki-Look para aquecer e em seguida a Mávri. Em seguida guiei a Dulfer, que tem um crux esquisito que passei arriscando. O Yorgoso top-ropeou a Dulfer e disse que gostaria de tentar a Adelfopiísi de novo. Sobrou para mim guiar. Passei um veneno no crux, bem mais do que sábado mas consegui. Já estava tarde quando o Yorgos desceu, mas aproveitei para escalar a via do lado que esqueci o nome.

Aproveitando que o Yorgos é agrônomo, levei alguns ramos dos limoeiros daqui do quintal para ele dar uma analisada. Os limoeiros não tem rendido limões e muitas frutas nem crescem e já começam a estragar. Ele mal olhou as folhas e perguntou se alguém cuidava das árvores, tão ruim era o estado que estava. E olha que a dona do apartamento rega regularmente e também põe adubo. O diagnóstico foi de um inseto e duas doenças em estado avançado. Ele ficou de me receitar um tratamento biológico, já que são apenas 6 ou 7 árvores.

Como saio de viagem amanhã e só voltam em quinze dias ainda vai demorar um pouco para o tratamento dos limoeiros começar.

Boa viagem!

domingo, 13 de setembro de 2009

Uma tragédia anunciada

Estou de volta dos Estados Unidos da América e está tudo bem. O congresso em Los Angeles foi interessante e passear por San Francisco foi muito legal. Rever meu amigo e ex-parceiro de escalada Ricardo Bion foi muito bom também. A Anamaria está publicando as fotos aos pouquinhos no Flickr.

Não fiz praticamente nada relacionado à montanhismo. Cheguei a pensar alugar um carro para ir até Yosemite só para visitar, mas fica a cerca de 4 horas de San Francisco, e era complicado de ir e voltar num mesmo dia.

Ainda assim visitei uma loja da R.E.I. bem legal nos arredores de Palo Alto, mas que me desapontou um pouco pela falta de variedade (comparando com o site e com a Au-Vieux-Campeur). A livraria e a seção de calçados eram fraquíssimas. Comprei apenas magnésio apesar da tentação de levar a loja toda.

No centro de San Francisco visitei a loja da The North Face que fez jus a fama que a marca tomou de ser uma grife chique e não uma marca de aventura. As coisas são caríssimas comparadas com outras marcas disponíveis em outras lojas. É tudo fashion (ao invés de funcional). Na foto, estou na loja olhando uma reprodução em escala do Everest que mostra as vias e a data em que foram estabelecidas.

Acho que a grande aventura da viagem foi sair de bicicleta do Pier 39 de San Francisco e cruzar de bicicleta a ponte Golden Gate e descer até uma cidadezinha chamada Sausalito, do outro lado da baía. Fazia muito tempo que eu não andava de bicicleta e para ajudar o vento era forte e contra a maior parte do tempo. Foi difícil, principalmente as subidas. Durante o trajeto passamos ao lado de um galpão enorme que era nada mais nada menos do que uma academia de escalada gigante. Me arrependo de não ter parado para fazer umas fotos, mas estávamos com medo de perder a hora de voltar e tive que resistir.

Mas o título da publicação se refere a má notícia que vou dar agora que faço questão de comunicar por causa do meu amigo Daniel que volta e meia manifesta saudades do Kostas (?!). Neste final de semana aconteceu em Meteora na região norte da Grécia um encontro de escalada. Ainda não fui à Meteora, mas as fotos mostram que o lugar é fantástico para visitar, escale-se ou não (busque no Google).

O Kostas foi para Meteora e sofreu uma queda grande. Para piorar a perna prendeu na corda e ele caiu de cabeça para baixo. Ele estava guiando a terceira enfiada e levou mais de uma hora para chegar ao chão. Tentou atendimento em um hospital próximo mas não tinham raio-x e nem transporte para levá-lo a outro hospital. Até conseguirem achar o grupo que tinha o carro foram-se quase três horas.

Falei com ele hoje por telefone e ele está hospitalizado nos arredores de Meteora, onde passou por uma pequena cirugia para drenar uma bolha que se formou depois que uma costela quebrada perfurou o pulmão. Ao que parece ele está bem, já que anda, come e fala (muito) e o acidente ocorreu há apenas dois dias. Amanhã ou depois falarei com ele de novo para saber quando ele terá alta.

Há tempos venho alertando o Kostas para não passar dos limites, mas ele é cabeça dura e não ouve. Se arrisca frequentemente em vias bastante acima do nível técnico dele. Comete pequenos (?) erros como deixar a corda cruzar atrás da perna e colocar a costura para o lado errado recorrentemente quando guia, e eu e outros alertamos ele continuamente. Como ainda não publiquei as fotos das escaladas que fiz logo antes da viagem não comentei que numa delas ele se encostou num canto e começou a dormir. Ele vinha escalando diariamente, saindo a noite em boates e trabalhando até 12 horas por dia, ou seja praticamente não dormia. Cheguei a comentar que escalar com ele estava se tornando perigoso para os parceiros. Alguma hora a bomba ia estourar e infelizmente estourou. Ótimo que ele já está bem, mas espero que a ficha tenha caído.

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Viagem

Hoje saio de viagem para os Estados Unidos da América. Estarei de volta no dia 10 de setembro. Estive meio ocupado e não consegui publicar as fotos das últimas três escaladas que fiz (uma tm Thérisso e duas no Monte várdia) e do passeio de ontem na Garganta Imbros, com cerca de 7 km de extensão.

Para não deixar os leitores na mão, eis uma foto com um bode em cima do carro (a situação do nosso carro não é tão grave).

A foto foi gentilmente cedida pelo cozinheiro do restaurante universitário.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Quebra-cabeça

A publicação sobre a escalada em Ágiofárafo levou mais de duas semanas para sair. É verdade que estive bem ocupado nas duas últimas semanas, mas a principal razão aparece na foto abaixo (que ficou um pouco distorcida).
Fomos numa loja comprar não lembro o quê e acabei levando também uma caixa com três quebra-cabeças de 1000 peças por preço de banana. Praticamente todo o tempo livre que tive nas duas últimas semanas foi dedicado à montagem dos três quebra-cabeças. Cheguei a ter pesadelos.

O Matterhorn fica nos Alpes e passei muito perto dele (de avião) em abril deste ano.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Deu bode!

Há várias maneiras de estragar um dia que poderia ser dito agradável não fosse o calor insuportável mesmo à sombra e à beira da praia. No nosso caso foi a cena cômica, ainda que trágica, de um bode que subiu no nosso carro para alcançar as até então inalcançáveis folhinhas verdes de uma árvore que nem sombra fazia. Turistas fotografavam com alegria a nossa tragédia. Certamente não foram os primeiros, mas com a nossa chegada eram enfim os últimos. A aproximação pelo lado errado espantou o caprino também pelo lado errado, que do teto saltou para o capô e a seguir foi ao chão como vários outros provavelmente já tinham feito ao longo do dia. O capô nada sofreu, nós ainda sofríamos. As marcas de pata e os amassados no topo indicavam que horas antes se deu no mesmo lugar o que agora víamos acontecer sob outra árvore e sobre outro carro: uma briga de chifres pela folha mais verde. Ótimo, os turistas poderiam continuar fotografando, e com outro cenário, com outros atores. Não posso dizer que não fomos avisados, mal avisados, ainda que tarde, mas talvez cedo o suficiente para voltarmos e corrigirmos o erro. Não voltamos. Quando voltamos, desolados desamassamos o que pudemos com as próprias mãos. Foi um dia que poderia ser dito agradável não fosse o calor insuportável mesmo à sombra e à beira da praia, mas deu bode!

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Reforma


Este final de semana escalei no Monte Várdia no sábado e no domingo. Para variar um pouco estava me sentindo muito bem, provavelmente por conta das duas escaladinhas de 20 ou 30 minutos que fiz durante a semana depois do trabalho. Sábado escalei com o Yorgos e com a Dáfni. Fizemos cinco vias, guiei duas (28 e 30) e top-ropeei as outras três (26, 27 e 29), e ainda esperei o Kostas chegar para fazer segurança para ele em duas ou três vias. No domingo escalei de novo, com o Kostas e com a Eléni. Guiei a 37, a 38 e a 45. Fiz top-rope na 46 e entrei guiando na 44, mas desisti. Já tinha tentado a 44 no passado com segurança da Anamaria. Mas o movimento da segunda para a terceira chapeleta dá medo. Vou tentar em top-rope da próxima vez para ver como é (estou colocando o número das vias para meu registro porque estou com preguiça de escrever os nomes).

Nas últimas semanas o Monte Várdia passou por uma reforma. Já tinha notado a troca de duas ou três paradas, mas no último final de semana as diferenças chamaram mais a atenção.

Foram trocadas as paradas de pelo menos 7 vias. Todas tinham paradas de cabo de aço ou de correntes "caseiras" que foram substituídas por conjuntos chapeleta-corrente-anel-mosquetão. Há ainda algumas por trocar, mas não sei quanto dinheiro o Clube de Montanhismo de Chaniá liberou para a empreitada.

Mas o que chamou a atenção mesmo foram as chapeletas adicionadas no início de quatro vias:
- A Mávri (via 30): já escalei esta via várias vezes e guio ela sem problemas. É uma via de sexto grau, mas a primeira chapeleta ficava bastante alto e um pouco difícil de chegar. Colocaram uma chapeleta mais baixa. Já tinha visto algumas pessoas guiando ela só depois de alguém costurar na primeira chapa. A via ficou bem mais acessível agora. Estava via também teve a parada trocada.
- A Mikrá Mistiká (via 27): esta via é muito legal e já escalei algumas vezes em top-rope. A primeira chapeleta ficava bem longe do chão e a segunda bastante afastada da primeira. Uma queda de qualquer ponto entre o chão e a terceira chapeleta era por demais perigosa. Nesta via as duas primeiras chapeletas foram removidas e trocadas por três chapeletas. A via ficou bem mais segura e até daria para encarar guiando agora (já tentei uma vez antes da reforma, mas parei na primeira chapeleta).
- A via 41: nunca escalei, mas é um VIsup. O motivo de eu nunca ter tentado era a parada em estado deplorável. A parada foi trocada e foi adicionada uma chapeleta no começo. Não posso opinar sobre a chapeleta, mas é mais uma via para ser escalada.
- A Pedevousin Tékna: Esta via é uma das que já chamei a atenção para o problema de subgraduação de vias no Monte Várdia. Já escalei estava via alguma vezes em top-rope e já estava começando a ter vontade de escalar guiando, mas a altura da primeira chapeleta após um lance difícil deseconrajava qualquer tentativa. Agora as desculpas acabaram e vamos ter que encarar.

Se por um lado as vias ficaram mais seguras, por outro a colocação das chapeletas parece ter sido feita sem consentimento (na verdade com reprovação) do cara que abriu as vias. Pelo menos foi o que o Kostas me informou. E inclusive, foi tudo feito com recursos dados pelo clube de montanhismo local. No Brasil isto já teria dado um bafafá danado, mas por aqui parece que vai ficar assim sem problemas. O Kostas por exemplo, não tem a menor noção destes aspectos de "ética"(?) na escalada e o tal do "direito autoral"(?) da via.

Link para o álbum desta publicação: Reforma

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Barra

As chuvas deveriam ter começado em setembro, mas não choveu muito até há poucos dias. Isso inclusive deu muito o que falar por aqui em meados de outubro em virtude de uma possível queda na safra de olivas e consequentemente na produção de óleo. Mas a chuva chegou aos poucos e desde o início de fevereiro tem chovido diariamente. Os últimos finais de semana, inclusive em janeiro, foram chuvosos e não consegui ir escalar.

Para este semana a previsão também não era das melhores e de fato, choveu hoje quase o dia todo. Mas no meio da tarde o tempo abriu e resolvi encarar o Monte Várdia. Não tinha ninguém para me acompanhar. O céu claro que eu via daqui de casa estava um pouco diferente lá do Monte Várdia, de onde tem-se uma visão ampla de oeste e norte. Mas a pedra estava seca, tirei sapatilha, capacete e saco de magnésio e comecei a escalar; uma pequena travessia na base de algumas vias. Estava frio e logo os dedos ficaram sem sensibilidade. Obviamente não suava nada e o saco de magnésio acabou servindo apenas para fins estéticos. Curti uns 15 minutos de escalada quando a cortina cinza formada pela chuva chegou perto demais. Consegui chegar no carro logo que os primeiros pingos de chuva começaram a cair por ali.
---------------------------------
Sabendo das condições chuvosas do inverno cretense comprei ainda em outubro uma barra de exercícios, destas que se coloca na porta. Quero dizer, não foi bem assim. Comprei no Lidl, uma rede de supermercados alemã que é algo entre um Angeloni e um Makro, mas com cara de mercadinho da esquina. Além de alguns produtos convencionais, o Lidl traz semanalmente novas ofertas de coisas que não precisamos. Uma barra na porta era um sonho de criança que nunca fiz questão de realizar. Mas quando cheguei no Lidl e vi ela disponível, criei esta desculpa no início do parágrafo e comprei. Melhor que qualquer barra que já tenha visto, ela permite fixar duas peças de sustentação na forra da porta, o que tira um pouco aquela sensação de insegurança que acompanha estas barras. A barra está ali e me penduro de vez em quando, mais quando não está chovendo do que quando chove. O fato é que não sei bem o que fazer fora me puxar... Alguém tem alguma dica de treinamento?

Link para o álbum desta publicação: Barra

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Curso: Acertos finais

Como foi noticiado aqui por uma ou duas vezes, pretendia fazer o curso de escalada na neve ou melhor, o "curso de montanhismo de inverno". Semana passada, na quarta-feira, fui no clube de montanha para me associar ao clube e para os acertos finais com todos os participantes. Mais uma vez fui recebido pelo gentil Yanis com que acertei minha inscrição e conversei um pouco sobre o Brasil, antes de a reunião começar.

Dos cerca de 14 interessados apenas 10 confirmaram participação no curso. Um dos obstáculos para a participação de alguns foi o fato de o curso começar sábado de manhã, implicando que aqueles que trabalham aos sábados perderiam parte do curso. O outro obstáculo é o curso estar começando tarde, final de janeiro, e se estender até abril ou maio, quando estabelecimentos comerciais de verão já estarão abertos e estas pessoas ficariam impossibilitadas de comparecer ao curso. Apesar de eu achar interessante o curso ser oferecido anualmente por uma instituição de montanhismo, de certa forma o modelo comercial que corre paralelamente no Brasil (onde poucos clubes oferecem curso) chega a ser interessante, uma vez que o interessado tem a possibilidade de agendar o curso como lhe convier, a um preço maior, é claro.

Mas por alguma razão obscura o mínimo exigido é de doze participantes. Mesmo assim o curso vai acontecer exatamente igual como seria com o mínimo exigido, mas com o rótulo de seminário(!?!?!). A implicação é que os participantes do "seminário" não recebem o certificado de conclusão do curso. A princípio isto não é grave, já que me (nos) interessa aprender, e não ganhar um pedaço de papel. O problema é que sem o pedaço de papel não podemos participar de outros cursos que tenham este como pré-requisito. Para fazer o curso intermediário por exemplo, pouco importa se houve prática e aquisição de experiência entre um curso e outro, ou se a pessoa aprendeu o conteúdo básico com o melhor montanhista do mundo; se tiver o papel faz, se não tiver, não faz.... Em todo o caso, se eu entendi bem, se no ano seguinte houver o número mínimo de participantes o certificado será emitido também para os que participaram do seminário este ano (!?!?!).

No final de semana seguinte à reunião, e que agora já passou, aconteceu o primeiro final de semana de curso. Em breve publicarei como foi!

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Negativo

Aqui em Creta já tinha escalado um pouco em vias negativas ou vias levemente negativas e em algumas delas não me saí muito bem. Mas não dei muita bola, pois as vias estão aqui do lado e terei outras oportunidades de escalá-las, por enquanto pelo menos.

Em Rhodes, abandonei a via Fournos, graduada relativamente baixa, simplesmente por não estar preparado para escalar negativos e talvez por não ter aquecido apropriadamente. Obviamente não fiquei abalado, mas para não perder outras oportunidades que podem surgir, resolvi tentar escalar negativos com mais frequência, para ir aos poucos me fortalecendo e pegando a manha.

Final de semana passado escalei no sábado (primeira escalada de 2009!) e no domingo no Monte Várdia. Sábado fui por meia hora já no entardecer, aproveitando uma janela de bom tempo. Apenas com sapatilha, capacete e magnésio, tentei vários boulders e brinquei bastante na parte de tetos. Domingo voltei com o Kostas e escalamos a Louki Look (guiando) e a Mikrá Mistiká (em top-rope), esta segunda uma via levemente negativa e bem técnica por volta do 7a com agarrões no início e poucas agarras no final. A chuva nos impediu de escalar mais vias e aproveitamos para dar mais uma brincada na parte de tetos.

A Anamaria me fotografou no primeiro dia e fez umas filmagens.


Link para o álbum de fotos desta publicação: Negativo

domingo, 23 de novembro de 2008

Sessão Cinema

Entre uma chuva e outra até daria para ter escalado um pouco nestes três dias de feriadão, mas fui pego de surpresa por uma gripe. Sem poder sair da casa, resolvi terminar de ver o último dos quatro filmes que o Cristiano, gentilmente, me enviou pela Anamaria.

O primeiro deles foi sobre a escalada da Esfinge na Cordillera Blanca no Peru pelo Marius. Apesar de mostrar pouco a(s) escalada(s), o filme é legal e tem um bom equilíbrio entre cenas que interessariam mais a montanhistas e cenas que interessariam mais a um público geral. Muito legal ver a sensibilidade de mostrar também imagens do povo peruano, do mercado público e da cidade. Vale a pena assistir.

O segundo filme foi o Cariocando, que fala um pouco da escalada no Rio de Janeiro. Já tinha visto, mas vi de novo e achei o filme chato as duas vezes que vi. Inegável que as escaladas do Rio de Janeiro são demais. O filme tem um formato meio de documentário mostrando como evoluiu a escalada no Rio de Janeiro com entrevista de alguns ícones da escalada carioca. Triste foi ter que ouvir o Pita dizendo que no Rio é só pegar a bicicleta e em 15 minutos se chega na Urca e que em nenhum lugar do mundo acontece algo assim. Nem vou comentar.... Assistir não vai matar ninguém e vale a pena, mas me surpreende o sucesso que este filme fez.

O filme seguinte foi o Ritmo Latino. Possivelmente o filme de escalada mais chato que já vi na minha vida. Um grupo de escaladores metidos a engraçados fazendo um flime sem graça na montanha. A música é chata também. A única coisa que vale no filme são algumas imagens do Cerro Torre, sempre imperdíveis e muita bem feitas. Minha sugestão é assitir com o mute ativado e usar de vez em quando o fast forward. O final é perdível, quero dizer, a hora que começar o entra e sai do iglu, pode parar de ver.

Finalmente o mais esperado e último filme é o Terra de Gigantes, sobre a escalada do Mariuzinho na via de mesmo nome, a via mais difícil do Brasil (A4) e pela primeira vez repetida por uma equipe que não contava com nenhum dos conquistadores. Nunca vi este filme por inteiro, só algumas partes em eventos de escalada da ACEM onde cedo ou tarde me interrompiam. O filme parece legal, mas não posso comentar, pois o DVD não funcionou...

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

ESAON

Dia destes estava perturbando a Anamaria e me lembrei de ESAON. Aprendi este acrônimo nos idos de 1995 com o chefe João Henrique no escoteiro. Acredito porém, que também é usado e foi criado por militares e outras pessoas envolvidas com sobrevivência na selva e coisas do gênero. Por outro lado nunca ouvi esta expressão entre os montanhistas e escaladores.

Eu diria que este acrônimo, apesar de simples, junto com o acrônimo inglês ERNEST e suas variações*, deveria estar no topo da lista de acrônimos importantes da escalada.

A sigla ESAON contém resumidamente os passos básicos que devem ser seguidos ao se perder. Para um montanhista/escalador são várias as situações em que isto pode acontecer, seja na própria montanha, numa via longa, no acesso/descida da escalada e, por quê não, no trajeto de carro entre o ambiente urbano e o setor de escalada. Os passos são:


1) Estacione: significa parar, para evitar que a situação se agrave.. Deslocamentos desnecessários também causarão cansaços desnecessários.
2) Sente-se: significa descansar, não só o corpo, mas também a cabeça que neste momento pode estar pensando mil coisas, e afastar o possível nervosismo.
3) Alimente-se: mais do que apenas se alimentar, significa cuidar da sua saúde e dos demais, alimentando-se, hidratando-se e cuidando de enfermidades e ferimentos que possam ter ocorrido.
4) Oriente-se: utilizar as informações disponíveis, como tempo de deslocamento, hora do dia, mapas, croquis e instrumentos, para decidir o caminho a seguir. Elabora-se um plano para encontrar o caminho correto, ou o melhor caminho a seguir.
5) Navegue: Já descansado, calmo, alimentado, hidratado e com um plano, seguir o caminho para se salvar da situação.

#####

Rapidamente a sigla ERNEST**, que se aplica a ancoragens na escalada:
- Equalized: os pontos da ancoragem devem ser equalizados, a distribuição de forças deve ocorre o mais uniforme possível entre todos os pontos, mesmo que a direção varie.
- Redundant: a ancoragem deve ser redundante, isto é, ser formada de vários pontos e elementos de maneira que o eventual colapso de um ponto ou elemento não prejudique os demais.
- Non-Extending: a falha de um dos pontos ou elementos não provoca o deslocamento do ponto central, e assim não há impacto sobre a ancoragem.
- Solid: significa que cada ponto e elemento da ancoragem deve ser sólido, ou seja, forte (strong) e estável (stable).
- Timely: escolher a hora certa (e o local certo) para montar a ancoragem. E também, montar uma ancoragem que cumpra com os quatro pontos anteriores em pouco tempo. Não adianta levar 1 hora para montar uma ancoragem digna de foto que poderia ser substituída por uma igualmente adequada mas armada em 5 minutos, e por causa disso se expor a outros riscos como terminar a escalada a noite.

* uma das variações é a sigla SRENE que não inclui o T, e acredito seja mais antiga. Outra facilidade da sigla ERNEST é que é um nome.
** diferente da sigla ESAON que resume passos, a sigla ERNEST resume requisitos que devem estar presente simultaneamente em uma ancoragem.