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terça-feira, 25 de maio de 2010

Revendo os amigos

Hoje (segunda-feira) foi feriado nas instituições educacionais e fiquei trabalhando em casa correndo atrás da máquina. O rendimento foi baixo, é claro. Por volta do meio dia fui para o Monte Várdia onde estavam escalando o Kostas, o Manólis e o Manos, este último uma das mais recentes aquisições da turma. Fui sem equipamento só para bater um papo e levei a máquina fotográfica. Vi o Kostas escalando a via 46, e bastante audacioso "pulou" a primeira chapeleta.

O Manólis resolveu investir em Thériso e parece que fazia tempo que não ia ao Monte. Me contou que tinha guiado a via 44 e queria saber como eu costurava a terceira chapeleta. Expliquei como fazia e ele se negou a aceitar que dava. Dizia que do "meu jeito" era impossível costurar (e olha que ele é mais alto que eu). O Kostas, que nunca guiou a via o desafiou a guiar para poder escalá-la de top-rope. Mesmo sem prática no Monte, o Manólis aceitou o desafio, tomou duas quedinhas (uma fotografei ele no ar), e finalmente reconheceu que dava de costurar do jeito que eu disse.

Fiquei só mais um pouco e voltei para casa para almoçar e fazer minhas tarefas. A vontade de escalar foi grande e foi bom rever os amigos. Acho que final de semana que vem já volto a encarar a pedra.

Link para o álbum desta publicação: Revendo os amigos

domingo, 9 de maio de 2010

Tentação no Monte

Hoje fui para o Monte por cerca de uma hora e meia com o Kostas. Fiquei só na segurança e ele escalou cinco vias. Até deu uma tentação de escalar, mas fui precavido e deixei todo o equipamento em casa, exceto o ATC, mosquetão de rosca, capecete e cadeirinha.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Via 42

O final de semana passado foi de descanso e assim serão os próximos, por conta de um lesão de origem obscura no dedo sobre a qual posso vir a falar em uma próxima publicação. Por outro lado, os sábados dos dois finais de semanas anteriores ao que passou foram de bastante escalada.

O evento mais notório do primeiro sábado foi ter finalmente resolvido a via 42, Agelatos Petra (VIIb) em top-rope. A verdade é que não encadenei, mas achei todos os movimentos e depois de concluí-la, o Manólis que estava na segurança sugeriu "Já podes guiar na próxima!!?!?". Assim foi. No sábado seguinte fui escalar com o Giorgos, e com o Spyros. Também compareceram a Vassoúla e o Dimitris (que eu não conhecia).

Depois de aquecer em algumas vias resolvi encarar a via 42 guiando. Apesar de não ter encadenado nem em top-rope, achei que era melhor guiar de uma vez. Antes de começar visualizei rapidamente em que pontos costuraria já que nunca tinha pensado a respeito nesta via. Até a terceira chapeleta fui com uma fluidez que nunca tinha atingido em top-rope. O fato de estar guiando provavelmente resultou numa concentração maior, cheguei a usar micro agarras de pé que em top-rope não usara. Infelizmente na saída do crux cometi um erro no posicionamento do pé direito e não consegui chegar num agarrão. Ao invés de desescalar um pouco, corrigir o pé e tentar de novo, fiquei tentando "desesperadamente" do mesmo ponto, até que me esgotei e tive que ficar na corda. Descansei um pouco e passei o lance sem titubear.

Assim que retomar a escalada, voltarei a tentar a via para ver se encadeno. Sem fotos desta vez.

sábado, 3 de abril de 2010

Monte Várdia

Semana passada escalei sábado e domingo, fiz várias vias e várias pessoas apareceram em ambos os dias. O mais legal foi que escalei as vias 42 - Agelastos Petra VIIb e Anarixous Fanatikous VIIb em top-rope. Não encadenei, mas apesar de escalá-las ocasionalmente tive um progresso em relação às tentivas anteriores, e acho que tenho todos os movimentos. Fotografei apenas o pôr do sol neste dia.

A sexta-feira santa não foi tão generosa com a disponibilidade de parceiros e acabei indo sozinho para o Monte Várdia. Fiz algumas travessias horizontais perto do chão só para brincar. Depois de cerca de meia hora o Manólis me ligou e chegaria em aproximadamente uma hora.

Resolvi ir ao topo da falésia e armar um top-rope na via 16 - Gonia Ton Angelon VIsup, e desci ela de rapel colocando proteções para fazer ela em móvel (com as peças já colocadas). Usei uma fita, quatro nuts, e dois friends. Os nuts ficaram aos "pares" só por garantia. A última proteção antes da parada exigia um friend grande que tinha deixado pois achei que não precisaria. Bom, pelo menos a última proteção antes da parada coloquei guiando... Fiquei sem fotos da escalda por quê o Manólis não conseguiu operar a máquina, talvez porque seja muito antiga, hehe. Fiz fotos só da via com as proteções.

O plano é ir para Ágio Fárago amanhã à tarde e ficar até segunda-feira depois do almoço. Acho que não vou com meu carro, mas se for terei cuidado de pôr num lugar sem atrativos para os bodes não subirem em cima.

Link para o álbum desta publicação: Monte Várdia

domingo, 14 de março de 2010

Folga do Kostas

Final de semana passado ainda voltei ao Monte Várdia no domingo, e escalei com o Kostas, com o Manólis e com outro Kostas. Não estava muito emtusiasmado e só escalei em top-rope as vias 35 (VI) e 36 (VI).

Este final de semana combinei cedo com o Vangélis de ir à tarde para o Monte Várdia. Mais tarde um pouco conversei com o Kostas que tinha combinado com o Manólis de irem a Thérisso. Até fiquei com vontade de ir, mas como já tinha combinado com o Vangélis, não mudei os planos e aproveitei para tirar uma folga do Kostas.

O tempo estava excelente para escalar e escalamos as vias 28 (V), 34 (VI), 35 (VI) e 38 (Vsup).

Pré-combinamos de ir para Kalipso hoje, mas a previsão de chuva se confirmou e estou em casa lavando roupa.

quinta-feira, 11 de março de 2010

Fotos passadas

Faz algumas semanas recebi (finalmente) algumas fotos do dia em que escalei com o Michalis Maroulakis e também um CD com fotos da escalada que fiz com o Kostas em Stavrós. Como tinha prometido estas fotos nas respectivas publicações, estou cumprindo a promessa agora e publicando num novo álbum. De lambuja também fotos do dia em que o Kostas e o Giorgos foram a Stavrós e escalaram até o mesmo ponto que o Kostas, algumas outras fotos no Monte Várdia e fotos da ida do grupo de Canyoning e Espeleologia a uma caverna nos arredores de Stavrós. Nada de especial nas fotos, mas só para sanar a dívida.

Link para o álbum desta publicação: Fotos passadas

domingo, 7 de março de 2010

Vias novas no Monte

Na tarde de ontem fui ao Monte Várdia com o Kostas e logo em seguida chegaram também o Giorgos e o Manolis. Escalei a Zéstama (IVsup) e a Mi-nous (Vsup) para aquecer. Fazia tempo que não escalava estas duas vias e foi interessante pois não escalei no modo automático e tive um pouco de trabalho na Mi-nous.

A grande novidade deste sábado foi que a via 34, a Spasmena (VI) foi chapeletada e agora pode ser guiada. Os trabalhos ocorreram na última segunda-feira e o Kostas presenciou a obra e teve a honra de ser o primeiro a guiar depois de pronta. Como o nome da via sugere (Spasmena == quebrada), a via está num parte da pedra que está quebrada. Por questões de segurança eles derrubaram um bloco que dificultou um pouco o primeiro crux da via, mas o crux mesmo continua sendo o final, que por sinal é bem técnico e muito agradável de escalar. Já tinha escalado ela em top-rope faz algumas semanas e guiei sem problemas via e a grampeação ficou legal, mas acho que dava de ter colocado uma chapeleta a menos. A terceira chapeleta ficou esquisita, pois para fugir do quebrado ela ficou bem para a esquerda, quase que entre a segunda e terceira chapeletas via dia 35, a Triferotites (VI).

Antes mesmo de escalar a Spasmena, fui ao topo das vias para armar uma ancoragem entre as vias 38 (Mi-nous) e 39 (Kavala), numa parte da parede que curiosamente tem espaço para duas vias que não existem. Já namorava esta parte da parede faz tempo, desde as primeiras idas ao Monte Várdia e desta vez achei que valia testá-las. Usei alças de pedra num bloco imenso no topo para montar uma aconragem com quatro pontos usando fitas e depois usei um cordelete para equalizar. A ancoragem acabou ficando um pouco curta, mas como não tinha nenhuma quina ou algo perigoso deixei assim mesmo. Acabou que deu um pouco de arrasto no top rope. As duas potenciais vias são bem legais e acho que seriam de IVsup à esquerda e de Vsup à direita. O Kostas e o Giorgos também escalaram e gostaram.

A da esquerda é bem tranquila e o crux é dominar um platozinho abaulado. A da direita é um pouco mais difícil com bastante agarrinhas e pés. Tem um platô tranquilo de dominar e a saída dele também é tranquila. Depois disso as agarras diminuem e é necessário um pouco de equilíbrio e aderência, que é difícil pois a pedra está bem "suja" na parte alta.

Agora vou sondar os caciques locais para ver se não há nenhuma oposição. A via da direita é tranquila de grampear, a da esquerda precisa de um pouco de cuidado por causa do boulder onde está a via 39 que pode ser atingido no caso de uma queda se as chapeletas não forem bem posicionadas e talvez até mais próximas do que o que seria normalmente necessário.

Link para o álbum desta publicação: Vias novas no Monte

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Ventania

A ventania de ontem não deu trégua e baixou consideravelmente a temperatura. Bem agasalhados fomos para o Monte Várdia Kostas, Vangélis, Manólis e eu. Não via o Vangélis desde a entrega dos certificados do curso de montanha, ocasião em que não tive a oportunidade de conversar com ele.

Escalamos a Louki Look (V), a Mávri (VI) e a Gonia ton angelon (VIsup), esta última em top-rope (falei dela e tem fotos aqui). Subi o "boulder" Troll (tem um vídeo de um minuto e meio aqui) de tênis e com o saco de corda nas costas (com a corda dentro), fitas a tira-colo e mosquetões na cadeirinha. No topo da Gonia ton angelon tem duas chapeletas, uma com um maillon e outra com uma anilha de aço. Fazia muito tempo que não montava uma ancoragem e o vento estava destruidor. Desci de rapel, algo que não fazia acho que desde que fui a Stavrós com o Kostas (aqui).

Esta via, Gonia ton angelon, tem o começo bem interessante, mas também exposto para quem quiser fazer guiando (em móvel). Hoje enquanto escalava tentei ficar de olho em que momento faria colocações e por a primeira proteção não é fácil e por enquanto não encaro. Hoje me sai bem na via, mas cai depois do crux e não sei bem por quê.

Apareçam por lá dois búlgaros, relativamente jovens, um aparentemente com alguma experiência e o outro novato. Não interagimos muito mas eles escalaram a Dulfer, onde estávamos e o guia segurou todas as costuras para subir. Não sei o quão experiente ele é, mas entrou sem saber grau nem nada. A corda deles era assustadora, nitidamente velha e cortada com a ponta se desfiando. Jogaram ela em cima da merda de ovelha e pisavam como se fosse tapete. Eles foram simpáticos, mas achei eles meio esquisitos.

Boa semana!

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Meninas no Monte

Por volta do meio dia minha escalada deste sábado começou a melar. Alguns minutos depois de ter ligado para o Kostas e termos combinado de ir escalar à tarde, ele ligou de volta dizendo que ia para a praia com o Manólis. Sim, praia em meados de fevereiro. O tempo esteve esquisitíssimo nos últimos dias e hoje atingiu o auge de calor, suficiente para andar de (ou até sem) camiseta em pleno inverno. O Kostas voltou a me ligar dizendo que o Vangélis queria ir escalar no Monte e combinei com o Vangélis às 15h00. Por volta de 14h50 liguei para o Vangélis e ele já estava a caminho do "Rorió" (vilarejo) e não ia mais escalar. Fiquei a ver navios e comecei um processo de vou não vou sozinho.

Como disse o tempo estava muito esquisito, uma névoa tomou conta da cidade nos últimos dias. Dei uma olhada na previsão do tempo e poderia chover no entardecer e ventos fortes deveriam começar na madrugada. Mas os ventos chegaram 12 horas mais cedo e já ventava bastante antes das 16h00. Mesmo assim juntei todo o meu equipamento e fui para o Monte Várdia para escalar sozinho ou se tivesse sorte, encontrar alguém para escalar.

Tive sorte. Estavam lá (e tinham recém chegado) a Vasoúla, a Marianna e a Elize. Fiz dupla com a Vasoúla e escalamos a Dulfer (VI), a Mávri (VI) e a Mikrá Mistiká (VIIa). A Vasoúla escalou e guiou a Mikrá Mistiká pela primeira vez mas se atrapalhou no crux e segurou na costura. Acho que da próxima vez ela já encadena. Interessante que no trecho depois do crux ela disse estava com medo, no mesmo lugar onde eu também sinto uma apavorinho. Depois dela, guiei a Mikrá Mistiká em alto estilo e foi a vez que me senti melhor escalando esta via. A tranquilidade (ou desatenção?) era tanta que enquanto puxava a corda para costurar a quarta chapeleta (que fica dentro do crux) vi que tinha pulado a terceira sem querer e mesmo assim não me apavorei.

Ainda tinha luz para fazer mais uma via, mas as meninas iam pegar a Anastasia para irem ainda hoje para Ágiofárago. De qualquer maneira a chuva, como o vento, chegou mais cedo enquanto empacotava o equipamento.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Segunda escalada do ano

Este final de semana foi feriadão na Grécia. Consegui ir escalar domingo e segunda por cerca de duas horas cada dia, na companhia do Kostas do Manolis e da namorada deste último. Ah, escalamos no Monte Várdia, é claro. No domingo escalei só em top-rope três vias. Se passaram mais duas semanas sem qualquer atividade física e me saí relativamente mal. Ainda assim, fui sem quedas até o crux da via 42, Agelastos Petra, que está graduada como VIIb e é bem negativa. Já tinha tentado ela outras duas vezes em Dezembro e a adotei como a próxima via, mas desde então não tinha mais tido a oportunidade de escalar. O Kostas também foi até o crux e acho que também elegeu esta via como o novo "projeto" dele.

Na segunda-feira escalei apenas duas vias, a Sikiá Vsup para aquecer, mas na verdade fiquei exausto, e depois a Stenés Epafés VIIa, também guiando. Não me saí muito bem, mas encadenei. Fiz uma quantidade excessiva e força e tive que dar uma descansada boa depois do crux antes de encarar o trechinho final. O Kostas não se conforma que não consegue escalar esta via e ficou treinando a Agelastos Petra enquanto eu escalava. Foi só isso, não tentei mais nada, pois fiquei meio detonado e resolvi me preservar.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Mikrá Mistiká de novo

Depois de cerca de 25 dias sem escalar a chuva deu uma trégua e fui para o Monte com o Kostas e a Anatasía. Durante este período o Kostas conseguiu escalar uma ou duas vezes por semana apesar da chuva e voltou a me desafiar. Depois de escalarmos a I Mávri (VI) ele quis escalar a Mikrá Mistiká (VIIa) e me desafiou a ir primeiro. Ele acabou indo na frente e não conseguiu fazer sem segurar na costura. Apesar de todo este tempo parado fui bem na via e passei o crux técnico sem problemas. Logo após o crux técnico tem um crux psicológico (para mim) entre as duas chapeletas. Fiquei meio nervoso e deu uma esbranquiçada e não conseguia ver nenhuma agarra. Acabei arriscando e deixei as duas mãos só apoiadas na parede sem segurar nenhuma agarra e então fazer um movimento. Foi assustador, mas muito bom para ganhar confiança. A Anastasia está sempre rindo de tudo e não perdeu de tirar um sarro do Kostas. Não sei se ela sacou ou não que ele estava me desafiando.

O Kostas tem uma necessidade curioso de querer mostrar para as pessoas coisas que elas não sabem/não conhecem. Acho que para suprir esta necessidade ele voltou a me desafiar a escalar a via 34, Spasmena (VI) (Quebrada). Nunca tinha escalado ela porque acabava não dando tempo. O Kostas me revelou que o final era difícil e que ele não conseguiu encadenar na primeira tentativa, mas que depois da segunda ficou tranquilo.

Esta usa a mesma parada da 36 e 35 (que eu encadenei recentemente) e o Kostas me desafiou a guiar a 35 (já que ele não me viu guiando ela da outra vez). Não sei se ele já encadenou a 35 ou não, mas acho que não porque ele não quis guiar e nem tentou top-rope. Acabei guiando. Fiquei uma carinha no crux, mas com uma tranquilidade que me surpreendeu.

A via 34 é uma via em que a dificuldade aumenta com a altura. Ela começa bem de aderência e vai ficando vertical, meio que num diedro, sem agarras para a mão. Em certo ponto a pedra fica bem abrasiva e aparecem umas agarras para alcançar o ponto onde irão colocar uma parada com corrente (já fizeram os furos). Foi bem legal escalar esta via, pois tem um estilo um pouco diferente das outras

Fim de ano

Nos arredores do Natal e da virada do ano fui escalar diversas vezes no Monte Várdia. Durante os feriados tentei me manter em dia com os textos sobre as escaladas, mas como se passou muito tempo resolvi dar uma resumida e só comentar alguns pontos mais interessantes (para mim pelo menos). As poucas fotos que fiz nestes dias e também um vídeo do Kostas formam o álbum de fotos desta publicação (link no final).

A chuva e os parceiros não foram muito generosa comigo até pouco antes do Natal. Cheguei a ir sozinho até o Monte Várdia num domingo à tarde, mas em menos de meia hora fiquei entediado de escalar sozinho e voltei para casa.

O ponto forte antes do Natal foi o Kostas tentando encadenar a Mikrá Mistiká (VIIa) e o resultado vocês podem ver no vídeo.

No dia de Natal, 25 de dezembro, o telefone tocou logo cedo. Antes de atendermos a Ana sugeriu que era algum parente querendo desejar Feliz Natal ou o Kostas querendo ir escalar. Era a segunda opção. Como ele tinha que ir almoçar na casa do irmão, estava convocando os parceiros às pressas. O Vassílis também foi. Depois de aquecermos em alguma via, o Kostas quis tirar a limpo o problema dele com a Mikrá Mistiká e conseguiu encadenar com sucesso.  Veio aquela pressão implícita do Kostas. Puxei a corda e o Kostas ficou meio incrédulo de que eu conseguiria. Sem querer me achar, mas já me achando, guiei com muita tranquilidade e me sai melhor que ele. Este foi o grande feito do dia de Natal.

Outra novidade no dia de Natal foi o top-rope na via 16. Esta via pode ser escalada em móvel, mas fizemos em top-rope. No guia de escalada ela aparece graduada como um VIsup e apesar da aparência assustadora no início, parece mesmo que a graduação está certa. Eu e o Vassílis fizemos à vista, ainda que passando um veneninho no começo, que é o crux. O meu amigo Kostas fez a maior marra antes de começar, estudando os movimentos e na hora H se apertou e caiu várias vezes no crux. É meio difícil descrever a via, melhor ver as fotos que tirei do Vassílis escalando. Depois do crux a via fica bem tranquila e segue por um diedro. Em uma próxima oportunidade estamos pensando em descer de rapel e pré-colocar as peças móveis para fazer guiando.

Depois da volta de Atenas de barco (lembrem que fui à Kós depois do Natal) nosso carro ainda estava no aeroporto. Como o Kostas mora perto, pedi que ele me levasse lá depois que saísse do trabalho. Ele não perde a oportunidade de caçar um parceiro e me deixou sem alternativas senão ir escalar antes de irmos buscar o carro. Ele foi para o Monte com a Eléni e o Manolis e por volta de 15h30 veio me buscar. Chegamos lá e fiz dupla com o Manolis, e ele com a Eléni. O Kostas é o novo treinador pessoal da Eléni e o objetivo dele é fazer dela a melhor escaladora de Chaniá, superando assim a Anastasia, a Vassoúla e a Marianna.

Com o Manolis escalei guiando a via 36. Fazia tempo que não guiava e fiquei orgulhoso de mim mesmo por ter me saído tão bem. A parada para a 36 e a 35 é a mesma e desci de baldinho para ir direto para a 35 em top-rope. Só tinha tentado guiar esta via umas duas vezes e sempre amarelei antes de alcançar a chapeleta que protege o crux. Desta vez tinha me sentido muito bem escalando ela que depois de o Manolis escalá-la em top-rope, resolvi guiar. Encadenei com relativa tranquilidade e sinto que finalmente posso dizer que meu grau é VI.

No dia da virada voltei ao Monte com o Kostas e o Manolis. Apareceu por lá também o Giorgos (o outro) sem equipamento. Levei minha segunda cadeirinha e ele escalou a Zéstama (IV) com o Kostas, de sapato. Enquanto isso guiei a Sikiá (Vsup) com segurança do Manólis. Faz algumas semanas comprei um aro novo de óculos e agora uso meu óculos anterior para escalar e o novo só no dia dia. Esqueci de levar o óculos antigo e resolvi escalar sem óculos para não estragar o novo. Foi muito esquisito olhar para cima ou para baixo e não enxergar muito bem as agarras, mas deu de encarar.

Na sequência, resolvei guiar pela primeira vez a 46, sem muito apoio do Manólis que dizia que ela é muito difícil. Fazia umas três semanas que não escalava esta via e o Manólis ficou de cara com a minha performance (nada de mais na verdade) e me elogiou muito. Depois o Manólis guiou a Sikiá e levou uma das quedas mais esquisitas que já vi. No crux da via, exatamente onde tem a árvore, ele tentou não segurar a árvore para fazer a via limpa, mas não conseguiu. Daí tentou segurar na árvore, mas bem no nó onde não tinha pegada. Ao invés de tentar se salvar em outra parte da árvore ou alguma agarra, ele deu um pulo para trás, como se fosse um sapo e caiu. Enfim ele terminou a via e foi tentar a 46. O Sol já estava se pondo quando ele finalmente desistiu e deixou o Kostas ir em top-rope para mostrar como passar o lance inicial. Depois que o Kostas desceu era minha vez e apesar de eu ter esfriado resolvi fazer a 44. Apesar da penumbra, da cegueira parcial e do nervosismo, encadenei a via. A cadena ficou registrada em fotos que pedi, já no final da via, para o Manolis bater.

Depois que desci, o Kostas disse que foi a minha melhor performance que ele já viu. Não sei bem qual foi a intenção dele, mas me senti ofendido, já que apesar de ter encadenado, nem me saí tão bem. Meu amigo Kostas de certa forma estabeleceu uma competição não oficial entre eu e ele. Com as vias que encadenei nos últimos dias, sem querer deixei ele para trás, já que a via 25 eu encadenei e ele nem em top-rope conseguiu (e não sei porque, nem tenta). Hoje, ainda por cima, encadenei a 44 que ele não consegue fazer em top-rope (agora já consegue). Como ele escala muito mais que eu e que os outros, quase que diariamente, ele não se conforma que alguém que escale com menos frequencia, consiga fazer coisas que ele não faz.

Depois disto ainda fomos outro dia em que ventava muito. Depois de escalarmos algumas vias eu disse que estava frio e que preferia ir embora. Ele virou para mim e disse, ainda tem luz e nunca guiaste a via 41 (VI). Na verdade já tinha, guiado, sem encadenar. Mas eu não tinha problema nenhum em escalá-la e resolvi aceitar a competição e encadenei a via 41 sem tropeços. Disse que estava bem frio e a pedra gelada e que talvez fosse melhor ele ir em top-rope. O orgulho falou mais alto e ele quase caiu duas vezes. Acho que ele levanta esta competição inconscientemente e até já cheguei a pensar que é algo da minha cabeça, mas inclusive a Anamaria notou. Eu levo na boa e acabo me divertindo.

Link para o álbum desta publicação: Fim de ano

sábado, 12 de dezembro de 2009

Porto de Chaniá

Foto Panorâmica do Porto de Chaniá. É possível ver a Léfka Óri à direita e o Monte Várdia à esquerda.

(Passe o mouse sobre os sinais "<" e ">" para mover a foto 270º.)

domingo, 6 de dezembro de 2009

Desastre no Monte

Calma, calma, o Kostas não aprontou nenhuma desta vez. Estou apenas usando um título sensacionalista para tentar atrair as massas para o meu blog.

O inverno chegou e veio para ficar e com ele, ao que parece, as chuvas que tendem a predominar nesta época do ano. Desde a escalada com Michalis, há pouco mais de um mês atrás que não chovia num final de semana. Esta sábado começou chuvoso e assim deveria ser todo o final de semana. Já estava certo que não escalaria este final de semana.

O Kostas está numa fissura, algo doentio. Uma brecha no tempo por volto do meio dia foi o suficiente para ele começar a recrutar parceiros. Tinha certeza que voltaria chover logo, mas mesmo assim fui. Cheguei lá e estavam ele e a Elise. Ela estava escalando a Sikiá (Vsup) em top-rope com botas de montanhismo (sim, destas secas que recebem crampon) e não entendi o propósito. Perguntei se ela ia escalar alguma via mista na França durante o final do ano (ela é Francesa e vai passar as festas em casa) e disse que não. O resultado de tudo é que ela encheu a Sikiá de lama e não me restou outro alternativa senão escalar a Pedevousin Tékna (VIsup) também em top-rope. Foi a única via que escalei e o resto de tempo fiquei debaixo da minha capa e chuva assistindo ou dando segurança.

O Vassílis logo chegou e não muito tempo depois um amigo dele com o filho, o Níkos, de 4 ou 5 anos. Apesar da chuva voltar de tempos em tempos eles continuaram escalando. As cordas ficaram encharcadas e Níkos pisava nelas como se fosse um capacho. Graças a Deus não usei minha corda neste dia. Este é o verdadeiro desastre que esconde o título e não sei se seria apropriado continuar usando aa cordaa deles depois de o Níkos ficar patinando nelas por tanto tempo.

A gafe do dia foi não ter levado a câmera fotográfica. A Elise foi guiar a Save it (VIsup) que estava meio húmida e se embananou no crux. A queda dela estava anunciada e teria dado tempo de sobra para filmar se tivesse a câmera comigo. Não tinha, mas foi uma bela queda direto em cima da figueira. Ninguém se machucou.

Fomos embora com o anoitecer para em seguida nos revermos numa palestra do clube de montanha onde também foram entregues os certificados do curso de montanha. A palestra foi boa, mas muito longo. Amanhã ou depois eu conto!

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Monte cheio

Este sábado o Monte Várdia encheu. Estiveram lá o Kostas, o Vassílis, o Yorgos (agrônomo), eu, a Vassoúla, a Elise, a Marianna, o Vangélis e dois alunos dele.

Desde que estou na Grécia foi uma das poucas vezes que eu escalei forte. Comecei mal guiando a Sikiá (Vsup), inclusive segurei na árvore no crux. Sem muito descanso entre em seguida em top-rope na Pedevousin Tékna (VIsup) e me saí médio. A verdade é que só não guia estava via de preguiça (ou porque sou cagão, hehe). Como os outros se rolaram um pouco para escalar acabei escalando ela de novo. Com os movimentos frescos na memória e bem aquecido fiz a via brincando. Neste meio tempo chegaram a Vassoúla, a Marianna e a Elise e por uma razão pouco compreendida o Kostas ficou meio abobadão. Perguntei para o Yorgos o que estava acontecendo e ele disse que chegaram umas meninas, hehe. Enquanto refazia a Pedevousin Tékna, O Kostas escalou a Stenés Epafés (VIIa) e depois vi a Elise escalando a mesma via de um jeito muito semelhante ao meu. Foi bom para reaviviar a memória antes da minha tentativa. Todos fizemos em top-rop, o Kostas com várias quedas e eu e a Elise cada um com uma, num ponto em que não teríamos uma queda propriamente dita, indicado que não há mais desculpas para não guiar. Depois disso escalei em top-rope a Save it (VIsup).

Pode parecer esquisito eu disser que escalei forte se praticamente só escalei em top-rope, mas é que desta vez, exceto pela Sikiá, escalei só vias que estão no meu atual limite. Além disso tentei de novo, em top-rope a Agelastos Petra (VIIb) que é meu novo xodó no Monte Várdia. Surpreendentemente fiz o início com muita facilidade e só caí na entrada do crux. Gastei muita energia na Stenés Epafés e não consegui segurar as agarras na Stenés Epafés. Tentei duas vezes mais, mas a mão simplesmente não fechava mais. Fiquei por aqui e deixei de escalar no outro dia para dar um descanso para o corpo.

Fiz várias fotos neste dia!

Sábado tem entrega do diploma do curso de introdução ao montanhismo que fiz no ano passado. Parece piada mas não é. Vem o camarada da associação Hellênica para fazer a entrega e dar uma palestra. Depois conto como foi.

Link para o álbum desta publicação: Monte cheio

domingo, 29 de novembro de 2009

Sempre o Monte

Final de semana passado, no sábado, escalei no Monte Várdia com o Vassílis e o Kostas. Primeiro com um e depois com o outro. O Vassílis eu conhecei faz uns três meses em Thérisso e desde então ele não escalava. Ele é formado num curso técnico na área de saúde, algo como técnico em enfermagem, e trabalha para o governo como motorista de ambulância. Faz vários anos que ele é praticante de canyoning e espeleologia, além de caminhas nas áreas montanhosas. Há cerca de dois anos ele começou a escalar. Não o faz com muita frequência, mas tem uma naturalidade impressionante para se locomover na pedra.

Como chegamos antes do Kostas e o Vassílis estava há algum tempo sem escalar, fiquei no comando e pude escolher as vias que queria(mos) escalar. Começamos pela Louki Look (Vsup) e pusemos um top-rope na Mikrá mistiká (VIIa). Contra suas próprias expectativas o Vassílis conseguiu escalar ainda que com algumas quedas a Mikrá Mistiká. Também consegui, mas ainda não me sinto a vontade para guiar. A linha da via em certo ponto exige uma ida para a direita. Desta vez resolvi ir um pouco mais alto antes de ir para a direita e deu um ganho.

Depois que removeram a cerca que atrapalhava a escalada da via 25, descobri que esta é uma das vias mais legais do setor. Ela tem um começo difícil e depois segue em agarrões que em pouca quantidade ainda exigem um pouco de esforço técnico. Assim, fui guiar a Areti (VIsup). Foi razoável e cai mas não cai na primeira chapeleta. Deixei um top-rope por garantia e botei uma pilha para o Vassílis guiar com a outra ponta. Ele não conseguiu e limpou a via pela Armonia (V) com o top que eu tinha deixado.

Neste meio tempo o Vassílis já tinha que ir embora e o Kostas já tinha chegado. O Kostas criou um fissura ou apego pela via 46, a Pedevousin Tékna (VIsup?) e apesar de já ter guiado algumas vezes, sempre quer escala-la. Para aquecer ele fez primeiro a Sikiá (Vsup). Depois de escalar a Pedevousin Tékna ele levou o top para a Stenes Epafes (VIIa) e fez uma gambiarra que resolvi guiar a Sikiá para limpar a sujeira. Nem lembro se escalei a Pedevousin Tékna, mas acho que sim. Já estava bem cansado mas encarei em top a Stenés Epafés e passei com trabalho pelo crux, não sem cair, mas não consegui terminar. O Kostas ainda foi guiar a Save It (VIsup) e não lembro se escalei ou não.

Sem fotos este final de semana.

domingo, 15 de novembro de 2009

Guerra no Monte

Sábado fui com o Kostas escalar no Monte Várdia. Além dele, foi também um amigo escalador da Anastasia, o Manolis, que eu não conhecia. Logo que cheguei o Manolis foi embora e ficamos apenas eu e o Kostas. Não vou me prender em muitos detalhes das vias exceto uma que foi novidade. Primeiro fiz top-rope na Pedevousin Tékna (VI). Em seguida, achei que estava inspirado e resolvi tentar a via 44 (VIIa) que já tinha guiado uma vez, mas amarelei de novo a meio caminho entre a segunda e a terceira chapeleta. O Kostas não quis nem tentar. Depois escalei a via 40 (VI) em top-rope. Por alguma razão desconhecida resolvi levar o top-rope para a via do lado que eu nem sabia o grau, a 42, um  VIIb com poucas agarras, nem sempre boas e com um início negativo. E esta é a única novidade. De movimento em movimento e queda em queda fui até a terceira chapeleta, a qual não faço idéia de como costuraria se estivesse guiando, e acho que o crux era logo na sequência. Muitas tentativas serão necessárias até poder completar um rop-rope nela, quanto mais guiar. Para encerrar o dia fiz um top na Mikrá-mistiká (VIIa) com a corda dos americanos (uns 10 deles) da base que tinham ido escalar um pouco (alguns pela primeira).

Domingo fui de novo com o Kostas e com o Yorgos Agrônomo e ficamos na água com açucar. Guiei a Louki Look (V) e fiz top-rope na Mikrá Mistiká (VIIa). Na foto, o Yorgos fora da linha na Mikrá Mistiká. A curiosidade do dia vem de um senhor, com seus bons 70 anos, que mora nas redondezas e veio prosear com os escaladores (ver na foto o senhor e o Kostas super atento na segurança).  Papo vai, papo vem ele explicou que aquele lugar onde escalamos não se chama Monte Várdia (que fica mais para cima), mas sim Grabouka. E acrescentou que nem o Monte Várdia se chama Monte Várdia, mas sim Profiti Ilias (Profeta Elias - como todo ponto alto de algum lugar na Grécia). O nome Grabouka de acordo com ele, se deve ao fato de que o local era provido, há muito tempo, de diversas cavernas* que foram destruídas durante a operação de uma pedreira. Isto é novidade e explica a má qualidade da pedra na parte onde não há vias, bem como os inúmeros blocos de pedra barranco abaixo (ver foto). Ele não explicou a etimologia do nome e o Kostas e o Yorgos não fizeram nenhuma relação com alguma palavra grega.

Outra curiosidade que o nosso inesperado visitante contou e fica difícil saber se é fantasia ou não, é que os alemães passaram  por ali para se deslocar daquela parte da cidade até o porto de Souda (porto que serve Chaniá) durante a desocupação de Creta. Nada de especial se ele não tivesse acrescentado que como os alemães não tinham como levar as armas de volta (e não houve explicação de por quê), eles aproveitaram para explodir granadas e morteiros no barranco (ver foto do barranco).

*Até onde me lembro, por definição, as cavernas tem até 30 metros de profundidade, e a partir disto são chamadas grutas. Isto me faz lembrar que a publicação anterior chamada Caverna Szemlohegyi deveria na verdade se chamar Gruta Szemlohegyi.

domingo, 8 de novembro de 2009

Um novo sistema!

Depois que voltei de viagem em meados de Outubro consegui escalar algumas vezes, mas não tive tempo de reportar aqui no blog. Numa das ocasiões foi a reestréia do Kostas na rocha, diga-se de passagem, um mês antes do recomendado pelo médico, é claro. Eu estava meio travado e como ele, apesar de não reconhecer abertamente, sentiu dor ao escalar, nos contivemos e escalamos apenas duas vias, a Louki Look (V) e a Mávri (VI). Esta segunda ele fez só em top-rope e claramente passou dos limites dele (mais uma vez).

A segunda oportunidade em que fui escalar, além do Kostas, foi também o Michalis, um holandês de pai grego que me achou pelo CouchSurfing. Ele se auto intitula guia de montanha, mas tenho a impressão que ele é mais um guia de caminhadas. No final de Outubro ele veio a Creta para guiar um grupo de holandeses por uma semana em diversas caminhadas e como ele tem família por aqui, veio um pouco antes para se divertir e me chamou para escalar. O nível de escalada dele é bem baixo e como ele pratica mais em muro de escalada (top-rope com mosquetão de rosca) nem o nó oito ele sabia fazer. Meio contra a vontade do Kostas escalamos a Zéstama (IV) para o Michalis poder fazer uma via mais fácil primeiro. Então na sequência tentamos também a Mi-nous (V/VI) em top-rope. Apesar das más condições do Kostas ele insistiu que fossemos escalar a Sikiá (Vsup) para colocar um top-rope na via do lado, a Pedevousin Tékna (VIsup), que é de certa forma um fronteira no nível de escalada do Kostas que estava guiando ela com certa tranquilidade. Esta via é bem técnica e um pouco negativa e ele foi que foi. Ficou vermelho de tanto esforço e má respiração, e suou feito um porco. Como ele tinha que ir para o trabalho, ele nos deixou e entrei na sequencia. Acho que conheço um pouco mais os meus limites e parei na metade, já com dor nos dedos por causa dos regletes, logo antes de encarar o negativinho. Para que o Michalis pudesse experimentar mais uma via escalei a Louki Look mas começou a chover antes mesmo de eu chegar no topo da via. Terminei a via e desci rapidamente e nos abrigamos na caverninha para guardar as coisas. Convidei o Michalis para almoçar aqui em casa e comemos algumas panquecas assadas que sobraram do meu aniversário. O cara é bem legal e não tinha problema nenhum em mostrar dificuldade para escalar, perguntar como se faz as coisas, os nós e etc. Um comportamento raro, do tipo falta em algumas pessoas (meu amigo Kostas) e os coloca, bem como seus parceiros, em risco.

Já em novembro, ontem, fui no final da tarde com Kostas e o Spiros, escalar no Monte e fizemos a Louki Look e a Mávri. Depois o Kostas guiou a Sikiá para mais uma vez fazer top-rope na Pedevousin Tékna. O Spiros ficou sem fazer muita coisa o verão todo e fora o fato de ele já ser uma pessoa grande, ele ainda está um pouco acima do peso e só escalou um pouco a Louki Look e tentou o começo da Mávri, mas ficou satisfeito. Desta vez o Kostas se saiu um pouco melhor, mas continou sem respirar regularmente. Não me sai muito bem, mas consegui fazer a via sem cair.

O engraçado agora é ouvir os comentários técnicos do Kostas, algo como o Pelé ou o Romário de comentarista nas copas do mundo, ou seja, as coisas mais sem fundamentos possíveis. Mas tudo bem, eu me divirto. Outra coisa engraçada é que dá última vez eu meio que combinei de sempre escalarmos duas vias seguidas para perdermos menos tempo e não descansarmos entre as vias, como se elas fossem mais longas. Daí no dia que fomos com o Spiros, ele escalou o Look Louki e na sequencia já foi escalar a Mavri. O Spiros, não entendeu o que estava acontecendo, afinal achou que a vez era minha ou dele, e perguntou o que o Kostas estava fazendo. O Kostas respondeu cheio de pompa: "É um novo sistema!..."

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Os limoeiros estão doentes

Domingo rendeu mais um final de tarde de escalada. Fomos apenas eu e o Yorgos (Agrônomo). E rendeu mesmo. Guiamos a Louki-Look para aquecer e em seguida a Mávri. Em seguida guiei a Dulfer, que tem um crux esquisito que passei arriscando. O Yorgoso top-ropeou a Dulfer e disse que gostaria de tentar a Adelfopiísi de novo. Sobrou para mim guiar. Passei um veneno no crux, bem mais do que sábado mas consegui. Já estava tarde quando o Yorgos desceu, mas aproveitei para escalar a via do lado que esqueci o nome.

Aproveitando que o Yorgos é agrônomo, levei alguns ramos dos limoeiros daqui do quintal para ele dar uma analisada. Os limoeiros não tem rendido limões e muitas frutas nem crescem e já começam a estragar. Ele mal olhou as folhas e perguntou se alguém cuidava das árvores, tão ruim era o estado que estava. E olha que a dona do apartamento rega regularmente e também põe adubo. O diagnóstico foi de um inseto e duas doenças em estado avançado. Ele ficou de me receitar um tratamento biológico, já que são apenas 6 ou 7 árvores.

Como saio de viagem amanhã e só voltam em quinze dias ainda vai demorar um pouco para o tratamento dos limoeiros começar.

Boa viagem!

domingo, 27 de setembro de 2009

America's #1 climbing chalk!

Por motivos de economia e também por não estar realmente precisando de nenhum equipamento novo, minha única aquisação de escalada norte americana foi uma meia de magnésio. Até então eu tinha apenas a bolsinha de magnésio onde eu jogava o pó e uma bolinha feita de meia calça que eu mesmo fiz. A meia de magnésio é um saquinho furadinho com magnésio dentro. Comprei um recarregável. Como vocês podem ler na embalagem (ver fotos), minha expectativa era de aumentar pelo menos um grau na escalada com a nova aquisição. Foi também meu dia de estreía da bandana de pirata que o Dave me enviou. Por ocasião de um passeio no centro da cidade já tinha comprado uma do Brasil e logo antes de viajar recebi duas vermelhas enviadas pelo Dave. Vamos ver o que aconteceu.

No final de semana passado, depois de três semanas sem escalar, voltei ao conhecido e agradável Monte Várdia. Em todo o período o único exercício que fiz foi o passeio de bicicleta em São Francisco e o corpo já começou a sentir até para subir uma escadaria na universidade.

Sem parceiros levei a tiracolo a gentil Anamaria para fazer segurança. Cauteloso como sempre resolvi começar devagar. Guiei a Zéstama (IV) e foi tranquilo. No final deixei top-rope para a Mi-nous (Vsup/VI). Foi uma péssima escolha. A via é um pouco positiva e ruim de agarras e exige demais dos pés destreinados que ficaram detonados depois dos 10 metros de escalada. Descansei um pouco e fui para a Louki-Look (V/Vsup), a calha que muito já escalei e fiz sem dificuldades. Apesar da péssima experiência na Mi-nous, o fato de ter me sentindo bem na Louki-Look me entusiasmou e resolvi a partir desta última, colocar o top na Mikrá-Mistiká (VIsup/7a) (aposto mais no 7a). Em top-rope me saí bem, mas errei no crux e cheguei com a mão errada, do mesmo jeito que da última vez que tentei guiar, fazendo a tarefa de costurar no veneno extremente complicada. Mas por incrível que pareça, guiando eu não travo no crux, mas na parte seguinte, que desta vez saiu atrapalhada, mas saiu.  Apesar de já ter escalado com bandana algumas vezes antes de viajar, acho que esqueci de comentar por aqui. A bandana tem várias vantagens sobre a camiseta que eu usava no passado, especialmente no Brasil e apenas uma desvantagem. A principal função é segurar o suor que na minha cabeça desprovidade cabelos escorre por todos os lados e deixa o capacete escorregadio. Isto tanto a bandana como a camiseta fazem com primor. A bandana é mais fina e leve e mais fácil de atar à cabeça. Mas não é comprida o suficiente como a camiseta para proteger o pescoço do sol. Com a bandana, como era de se esperar, fiquei bonitão, hehehe.

Ontem, sábado, fui no final da tarde para o Monte com a Anastasia e o Agrônomo (Yorgos) depois que o Kostas (aquele que está em repouso) me avisou. Escalar com eles é sempre legal, são bem relaxados e estão preocupados em escalar e não em escalar difícil. Deixei eles comandarem a brincadeira e guiamos a Zéstama (IV) os três. Depois eu o Yorgos guiamos a Mi-nous (Vsup/VI) e a Anastasia fez em top-rope. Relembrando a escalada do final de semana anterior, parece que esta via fica mais fácil guiando do que em top-rope, mas ela não é tranquila e passamos ambos um veneninho.

Na sequência a Anastasia resolveu encarar guiando a Adelfopiísi (VI). Guiei esta via, acho que duas ou três vezes. a primeira metade tranquila, mas a passagem entre a segunda e a terceira chapeleta é esquisita e a terceira chapeleta parece longe. Mas é possível costurar com o pé a menos de 20 cm da segunda chapeleta. O crux está depois da terceira chapeleta, em que se sai de uma cavernina por uma seção vertical com agarras muito ruins, com buraquinhos de canto para os dedos. A Anastasia acabou amarelando na segunda chapeleta e sobrou para mim.

Peguei a ponta da corda meio nervoso, fazia tempo que não escalava esta via, mas mantive o controle. Nas outras vezes que guiei foi difícil costurar a terceira chapeleta. Pouco abaixo da caverninha tem um platôzinho, mas dali não alcanço a chapeleta. A solução era me segurar com a mão esquerda numa agarra da caverninha, pegar uma costura com a mão direitar, patinar com os pés pela parede lisa, costurar e voltar para o platozinho. Esta estratégia não é nada tranquila. Ontem notei um degrauzinho de meio centímetro de profundidade e um ou dois de altura no platozinho. Pisei nele e fiquei na ponta do pé e consegui empurrar o gatilho do mosquetão contra a chapeleta e costurar bem mais tranquilo. O lance seguinte não saiu na primeira tentativa. Parei na cordar por alguns segundos e mexi melhor os pés para terminar o resto da via com tranquilidade. O Yorgos e a Anastasia fizeram em top-rope na sequência.

Não sou capaz de dizer se o magnésio de agora é melhor ou pior do que eu tinha antes. A meia é um pouco grande e quando encher ela de novo, não colocarei tanto magnésio como tem agora. Acho que minha escalada não aumentou um grau, mas consegui escalar o nível que vinha escalando e isso é bom pois posso variar mais as vias.

Link para o álbum desta publicação: America's #1 climbing chalk!