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sábado, 7 de novembro de 2009

Ida para Iráklio

Na última quarta-feira matei um dia de trabalho (sem prejuízo para o andamento dos trabalhos) para me encontrar com o meu primo Luiz Arthur. Ele trabalha na tripulação de um cruzeiro marítimo e atracou por poucas horas em Iráklio. E o que isto tem a ver com escalada em Creta?
Em primeiro lugar, o fato de que a Anamaria e eu acordamos cedo no primeiro dia bonito depois de dias seguidos de chuva. Como o céu finalmente não estava encoberto, durante o trajeto pudemos ver as partes mais altas das montanhas com os primeiros respingos de neve do inverno que se aproxima. Obviamente nevou na montanha enquanto chovia aqui embaixo e tanto a Lefká Óri em Chaniá, como o Psiloritis em Iráklio/Réthymno já tinham os picos mais altos brancos da neve que a esta hora já derreteu com o ar quente que soprou da África nos dias que se seguiram.

Em segundo lugar o fato de o navio onde meu primo trabalhar ter um muro de escalada. Depois dessa até pensei em fazer um cruzeiro!

Como o tempo era curto visitamos rapidamente o palácio de Knosós e fizemos um lanche no centro.

Não fiz fotos das montanhas, mas exibo aqui duas fotos do muro de escalada no barco.

(Não coloquei as fotos num álbum, mas elas podem ser ampliadas com um clique.)

sábado, 10 de janeiro de 2009

Gramvousa e a Lagoa de Balos

Sem sombra de dúvida, até o momento, o lugar mais bonito de Creta que visitei é Gramvousa e a Lagoa de Balos.

No extremo Noroeste de Creta está a península de Gramvousa com uma formação montanhosa que chega a cerca de 760 metros de altura com aclives acentuados em virtude da pequena distância entre o mar e o pico. A principal atração de Gramvousa é a paisagem espetacular formada pela Lagoa de Balos, uma praia em forma de lagoa com águas calmas e claras.

Estivemos em Gramvousa em duas oportunidades. A primeira foi em Julho de 2008, quando ciceroneamos o Mohammed, um Sudanês que veio à Creta para fazer um curso com o meu professor e se deu o direito de passear por aqui no final de semana após o curso. Auge do verão, íamos levá-lo à praia de Falássarna, também no Oeste de Creta. Há muito Anamaria e eu queríamos ir à Gramvousa, mas estávamos adiando inexplicavelmente e mudamos os planos repentinamente ao passarmos pelo Porto de Kissamos na "base leste" da península de Gramvousa e vermos que logo sairia um barco para a Ilha de Gramvousa e a Lagoa de Balos.

Foi com dor no bolso que pagamos cada um 22 euros pelo passeio que saiu por volta de 12 h e voltou por volta de 18 h com um hora para ir e outra para voltar, mas que valeu cada euro. Contornar a península de barco é espetacular. Um dos destaques é ver as marcas do nível da água no costão que sugerem que o lado oeste de Creta está se elevando com o passar dos (muitos) anos. A primeira parada foi na Ilha de Gramvousa que tem no topo um forte Veneziano e de onde se tem uma vista fabulosa tanto da ilha como da Lago de Balos. Depois de um hora de passeio pela ilha, o barco nos levou até a Lagoa de Balos para tomarmos banho de mar.

A segunda ida a Gramvousa foi no dia 28 de Dezembro de 2008. Recebemos um visitante canadense por meio do CouchSurfing, uma dessas redes de relacionamento para viajantes. François e eu pretendíamos fazer algumas caminhadas, mas o mau tempo impediu. Nem por isso deixamos de levá-lo em alguns lugares imperdíveis. Sob tempo nebuloso arriscamos por o nosso carrinho na estrada de terra de 7 km que leva até o início da caminhada para a Lagoa de Balos. A estrada estava em melhor estado do que eu esperava e fizemos o trajeto em 30 minutos. Depois de estacionar o carro, uma caminhada de cerca de 30 minutos por uma trilha bem marcada e barrenta nos levou à Lagoa de Balos. Mesmo com o tempo ruim e pegando uma garoa, a paisagem ainda é espetacular e tivemos a vista que em geral aparece nos guias turísticos e que ainda não conhecíamos. Passeamos rapidamente pela praia, pois os ventos que chegavam a 70 km/h não perdoavam. O lixo deixado pelos turistas se acumula pela praia, lamentavelmente.

Além de Gramvousa, estivemos com o François em Elafonissis, uma praia no extremo sudoeste de Creta, curiosamente mais famosa que Gramvousa, mas bem menos atraente, ainda que bela. O ponto forte de Elafonissis é uma ilha próxima afastada de 50 a 100 metros da praia que pode ser alcançada à pé, com água até a cintura.

(Passe o mouse sobre os sinais "<" e ">" para mover a foto 360º.)

Outro lugar espetacular em Creta fica na parte sul da região de Réthymno, próximo a Plakiás, é a praia de Préveli. Já escrevi aqui um pouco sobre o Cânion de Kourtaliotis por onde passa a estrada para Plakiás e Préveli. Este Cânion, que também é espetacular, desaparece brevemente em parte do trajeto formando um vale e depois volta a se formar para terminar na praia de Préveli, onde desemboca o rio que se forma dentro do cânion. É um praia pequena e pedregosa, com algumas palmeiras, mas muito bonita e agradável mesmo no verão, quando fica abarrotada de turistas. Nem a chuva durante a visita do François conseguiu estragar o encanto deste lugar, que nos agraciou com um arco íris completo sobre a praia.

O texto já ficou longo demais, as fotos mostram o que interessa!
(As fotos com o tempo ruim foram tiradas nos dias que o François esteve aqui, as com tempo bom, em outras oportunidades).

Link para o álbum desta publicação: Gramvousa e a Lagoa de Balos

Obs.: foto panorâmica editada com Panorama Perfect Lite e exibida com um script de Andreas Berger.

quarta-feira, 9 de julho de 2008

A platéia estava nua

Muitos escaladores "gostam" quando são observados por pessoas curiosas, fotografados por turistas ou admirados por crianças, principalmente os jovens e novatos.

Praticamente desde que parei de frequentar a Pedreira do Abraão, quase dois anos atrás, por causa do estado de abandono, que não escalava com a sensação de "estou sendo observado".

Isto mudou por um tarde na última quinta-feira. Mais uma vez enforquei o trabalho (sem prejuízo para o andamento dos trabalhos) para fazer um agrado para as visitas. O planejamento do dia era ir para a praia de Préveli. Perto de Préveli está o balneário de Plakiás, que conta com um excelente setor de escalada esportiva e que imagino tenha muita via aberta que não vi e muita via por abrir, como já mencionei nesta publicação: Pedra lisa e pele enrugada.

Aproveitando que o balneário é bonito e que é também lugar apropriado para um almoço, fomos até Plakiás antes de Préveli. Júlio se entusiasmou com a parede e foi fácil fazer a parceria para escalar. Na verdade se empolgou tanto que depois, em Préveli, tentou um boulder dentro d'água (ver álbum de fotos).

Estávamos com dois carros. O resto da "turma" foi para Préveli e o Júlio e eu ficamos para escalar. Fomos até a base das vias e a percorremos rapidamente para ver as vias. A memória que tinha é de que as vias eram todas de graus mais elevados do que posso escalar atualmente. Como não consegui nenhuma informação ou croqui tinha certeza que íamos brincar apenas por alguns minutos e ir para a praia. Me enganei! De alguma forma me passou despercebida uma via que parece um coral enxertado na pedra. Um IV+ sem dúvida, com um crux no meio e um no final, este bastante difícil pois a pedra fica um pouco negativa e acabam as agarras, exigindo um entalamento de mão. A via é rica em agarras, mas muitas parecem que vão quebrar a qualquer momento. As chapeletas estão na parte "lisa" da pedra, a esquerda da via e, apesar das agarras boas, exigiram bastante equilíbrio na hora de costurar.

Subi guiando e depois o Júlio subiu em top-rope e limpou a via. Apesar do grau reduzido, não encademos a via. Tenho escalado só vias curtas e senti que faltou resistência, associado ao nervosismo de voltar a escalar uma via com 25 metros em terreno desconhecido. A via continuava a partir da parada, mas com grau maior e para nós a primeira enfiada já tinha sido legal demais.

Além de alguns turistas que passavam pela base da pedra para percorrer uma trilha que leva a uma outra prainha, podíamos ver ali embaixo a platéia na praia. Um, dois ou três e até quatro ao mesmo tempo. Nada demais ser observado enquanto se escala, exceto pelo fato de que ali, a platéia estava nua.

terça-feira, 8 de julho de 2008

Quase fui a Mármara

Aproveitando a visita da Bel, do Júlio, do Maneco e da Regina, matei um dia de trabalho para passear com eles, sem prejuízo para o andamento dos trabalhos. Estrategicamente, planejei o passeio para Chora Sfakíon e Frangokástello. De Chora Sfakíon pegaríamos um barco até a praia de Mármara para passar o resto da tarde banhando-se nas águas transparentes do mar Líbio, e dar uma escaladinha.

O setor de escaladas (e a praia) de Mármara fica num local isolado, acessível apenas a pé ou de barco, a partir do vilarejo de Chora Sfakíon (ou de outros vilarejos mais a oeste). Dentre os sete setores listados no Guia de Escaladas de Chaniá, era o único que faltava visitar fora o setor de Ágios Gigilos. Ainda pouco explorado, conta apenas com quatro vias e fica no final da Garganta de Aradéna que pode ser percorrida a pé por uma caminhada de quatro horas. Mas o maior atrativo não é a escalada e não faltaram argumentos para convencê-los a ir para Mármara.

O meu planejamento não deu muito certo. Visitamos Frangokástello, depois Chora Sfakíon, onde almoçamos. Os barcos não são tão regulares e acabou ficando um pouco tarde para ir até Mármara. Acabamos contratando um Taxi Boat para nos levar até Loutró, um vilarejo pitoresco também acessível apenas a pé ou de barco, mas antes de Mármara. Local igualmente maravilhoso, mas sem escaladas e a uma hora a pé de Mármara. Obstinado, levei o equipamento, esperando que fosse fácil conseguir um barco em Loutró para nos levar a Mármara a partir de lá. Tinha barco, mas o preço e o pouco tempo até o barco regular para volta a Chora Sfakíon, indicavam que não valia a pena, e deixei a escalada para outra oportunidade.

Não gosto nem um pouco de ficar "lagarteando" na praia e depois de poucos minutos decidi andar em direção a Mármara para ver até onde conseguia chegar e o que tinha por lá. Mármara fica na baía de Fínikas que está separada da baía de Loutró, a oeste, pelo Cabo de Moúres, por onde andei. Foi uma caminhada tranquila e atravessei todo o cabo podendo visualizar o vilarejo de Fínikas e de Likos, e também, ao longe, a praia de Mármara oculta pelo relevo. No Cabo de Moúres estão as ruínas do antigo povoado de Fínikas que pude visitar rapidamente, já que deveria voltar a tempo de pegar o último Ferry pra Chora Sfakíon.Julgava ter percorrido parte do E4 Path que atravessa diversas partes de Creta (e da Europa) inclusive a região sul de creta. Mas depois vi no mapa que fiz outro caminho, apesar de ter começado no E4 Path e ido quase até o ponto onde continua o E4 Path (Localizei algumas fotos no mapa, a trilha que fiz costeia quase todo o cabo, enquanto o E4 Path liga em linha "reta" as duas praias).

Não escalei, mas fiz uma ótima caminhada com belas montanhas e costões como cenário. Escalada em Mármara, só da próxima vez.

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Um visitante em Kalathás

Na semana que passou recebemos a visita da Regina, do Maneco, da Bel e do Júlio. Na programação da Bel e do Júlio constava uma escalada com o Rodrigo (eu), mas deixamos as circunstâncias ditarem o momento. No dia reservado para passear pela cidade de Chaniá passaram na universidade para me buscar no final da tarde, já passando das 18h00. Como anoitece só as 21h00, tudo bem. O setor escolhido foi Kalathás e as razões são óbvias.

A Anamaria, a Bel e o Maneco nos deixaram no início da trilha para o setor de escaladas e foram para a praia. Fomos no setor onde há top-rope apenas. Armamos um top-rope nas vias número 10 e 11 (V e V+) e escalamos. Eu ainda não tinha escalado o via número 10, que é muito legal e provavelmente uma das mais fáceis do setor.

Apesar de no último ano o Júlio ter escalado não mais do que três vezes em San Diego, ele mandou bem. Tínhamos energia para mais vias, mas estava tarde e esperavam por nós na praia.

Fizemos a trilha de volta e fomos até a praia para encontrar a Anamaria, a Bel e o Maneco. Demos um mergulho para refrescar-nos sob um belo pôr do sol. Uma escalada de final de tarde perfeita!

domingo, 8 de junho de 2008

Meia escalada em móvel

Thériso é famosa por ter sido o local onde o famoso (em toda a Grécia) Elefthério Venizélos liderou a ação que levou à independência de Creta e à união com a Grécia no início do Século XX. Lá também foi importante a resistência cretense aos invasores, inclusive alemães durante a guerra, que foram derrotados por nativos armados apenas com pedras e pedaços de pau, beneficiados pela geografia do lugar.

Hoje em dia Thériso é muito procurada por aqueles que querem saborear as deliciosas comidas oferecidas nas tavernas da vila e também pela bela paisagem da estrada de 14 km que leva de Chaniá para Thériso. Nestes 14 km por dentro da garganta de Thérisso estão espalhadas, a beira da estrada, 44 vias de diversos níveis, chapeletadas e em móvel, chegando algumas a 120 m de extensão.

Aproveitando a visita do meu pai, fomos almoçar em Thériso. Sem muito entusiasmo resolvi levar meu equipamento. Depois de um almoço que não fez jus à fama do lugar, descemos de volta para Chaniá e paramos num lugar onde estava a via Λοκ de IV (UIAA), em móvel, com cerca de 55 m divididos em duas enfiadas. Uma das poucas ou talvez a única via fácil do lugar. Paramos, olhei, olhei e finalmente decidi tentar a primeira enfiada. No guia diz que a via deve ser protegida com Friends. Mesmo tendo apenas 3 friends resolvi arriscar. Levei fitas e stoppers. Escalei a via até pouco mais da metade da primeira enfiada. Neste percurso "super-protegi" com dois friends (bons), um nut (duvidoso) e duas laçadas em alças de pedra da espessura de um dedo (?). Cheguei até um platozinho (ver fotos) e desescalei, ou seja, foi meia escalada em móvel. As razões para eu ter amarelado foram a falta de equipamento, não saber se parada era em móvel, fixa ou em arvorezinhas, e o fato de a parada ser muito para a direita. Esta última me obrigaria a descer e escalar de novo em top-rope para poder limpar a via, principalmente se a ancoragem fosse em árvore. Realmente a via não é difícil, mas não é tão fácil quanto a Café com Leite na Praia Brava em Itajaí, por exemplo.

Quem olhar as fotos verá que fiquei satisfeito e foi muito legal. Pretendo voltar a Thériso para escalar outras vezes e outras vias. Antes tenho que ficar forte, pois a grande maioria das vias chapeletadas são de VI+ para cima.

Uma coisa curiosa nesta parte onde escalei são as paredes pintadas no alto, principalmente na parte esquerda por onde passa uma via de VII+/VIII-, lugar que não é facilmente alcançado por alguém que não seja escalador. E outra coisa curiosa é que muitas vias estão à beira da estrada mesmo, o segurança fica quase em cima do asfalto.