Há várias maneiras de estragar um dia que poderia ser dito agradável não fosse o calor insuportável mesmo à sombra e à beira da praia. No nosso caso foi a cena cômica, ainda que trágica, de um bode que subiu no nosso carro para alcançar as até então inalcançáveis folhinhas verdes de uma árvore que nem sombra fazia. Turistas fotografavam com alegria a nossa tragédia. Certamente não foram os primeiros, mas com a nossa chegada eram enfim os últimos. A aproximação pelo lado errado espantou o caprino também pelo lado errado, que do teto saltou para o capô e a seguir foi ao chão como vários outros provavelmente já tinham feito ao longo do dia. O capô nada sofreu, nós ainda sofríamos. As marcas de pata e os amassados no topo indicavam que horas antes se deu no mesmo lugar o que agora víamos acontecer sob outra árvore e sobre outro carro: uma briga de chifres pela folha mais verde. Ótimo, os turistas poderiam continuar fotografando, e com outro cenário, com outros atores. Não posso dizer que não fomos avisados, mal avisados, ainda que tarde, mas talvez cedo o suficiente para voltarmos e corrigirmos o erro. Não voltamos. Quando voltamos, desolados desamassamos o que pudemos com as próprias mãos. Foi um dia que poderia ser dito agradável não fosse o calor insuportável mesmo à sombra e à beira da praia, mas deu bode!
Pequenos comentários sobre minhas pequenas aventuras na ilha de Creta e, quem sabe, em outros lugares.
segunda-feira, 10 de agosto de 2009
Deu bode!
Há várias maneiras de estragar um dia que poderia ser dito agradável não fosse o calor insuportável mesmo à sombra e à beira da praia. No nosso caso foi a cena cômica, ainda que trágica, de um bode que subiu no nosso carro para alcançar as até então inalcançáveis folhinhas verdes de uma árvore que nem sombra fazia. Turistas fotografavam com alegria a nossa tragédia. Certamente não foram os primeiros, mas com a nossa chegada eram enfim os últimos. A aproximação pelo lado errado espantou o caprino também pelo lado errado, que do teto saltou para o capô e a seguir foi ao chão como vários outros provavelmente já tinham feito ao longo do dia. O capô nada sofreu, nós ainda sofríamos. As marcas de pata e os amassados no topo indicavam que horas antes se deu no mesmo lugar o que agora víamos acontecer sob outra árvore e sobre outro carro: uma briga de chifres pela folha mais verde. Ótimo, os turistas poderiam continuar fotografando, e com outro cenário, com outros atores. Não posso dizer que não fomos avisados, mal avisados, ainda que tarde, mas talvez cedo o suficiente para voltarmos e corrigirmos o erro. Não voltamos. Quando voltamos, desolados desamassamos o que pudemos com as próprias mãos. Foi um dia que poderia ser dito agradável não fosse o calor insuportável mesmo à sombra e à beira da praia, mas deu bode!
segunda-feira, 20 de julho de 2009
Dois dias, duas escaladas
Sábado no final da tarde fui com o Kostas no Monte Várdia. Ele estava louco para ir para Thérisso, mas acabou se atrasando no trabalho e fomos par ao Monte depois das 19h30. Por um lado foi bom porque a escalada foi bem agilizada. Escalamos a Louki Look, a Mávri guiando. Depois o Kostas encarou a Pedevousin Tékna guiando. Ainda não chegou a minha vez e fiz top-rope mesmo.
No domingo, como criança pequena o Kostas quis ir de novo em Thérisso. Tentei dissuadí-lo, mas não teve jeito, parecia criança pequena. Para ter uma idéia no jardim aqui de casa a temperatura era de 30 graus Celsius às 9h00 da manhã. Chegamos em Thérisso e como esperado as vias estavam no sol. Tentei mais uma vez convencê-lo de desistir para irmos ao Monte Várdia, mas não teve jeito. Ele escalou a via e chegou detonado no final, mas satisfeito. Eu já estava de saco cheio de ficar cozinhando no sol e nem escalei. Finalmente fomos para o Monte Várdia.
Lá, estavam o Vassílis e o Mixális que deram risada quando eu disse que estava em Thérisso com o Kostas. Logo o Kostas chegou e agilizamos a escalada antes de o sol começar a bater. Guia a via 31 (que não lembro o nome) e passei um trabalho no início, mas escalei tranquilo. O Kostas estava tão detonado que não quis escalar. Resolvi tentar encarar a Mikrá Mistiká que agora, com a nova grampeação ficou mais segura. Fui super bem até a quarta chapeleta, o que significa que passei o crux inclusive. Mas por alguma razão amareli entre a quarta e a quinta chapeleta. Desescalei e desci. Subi a Look Louki para colocar um top na Mikrá Mistiká e refazer o lance onde amarelei. O Kostas ainda escalou em top-rope a Aspri antes de irmos embora.
Sem fotos desta vez, mas deixo aqui registradas as escaldas deste final de semana.
No domingo, como criança pequena o Kostas quis ir de novo em Thérisso. Tentei dissuadí-lo, mas não teve jeito, parecia criança pequena. Para ter uma idéia no jardim aqui de casa a temperatura era de 30 graus Celsius às 9h00 da manhã. Chegamos em Thérisso e como esperado as vias estavam no sol. Tentei mais uma vez convencê-lo de desistir para irmos ao Monte Várdia, mas não teve jeito. Ele escalou a via e chegou detonado no final, mas satisfeito. Eu já estava de saco cheio de ficar cozinhando no sol e nem escalei. Finalmente fomos para o Monte Várdia.
Lá, estavam o Vassílis e o Mixális que deram risada quando eu disse que estava em Thérisso com o Kostas. Logo o Kostas chegou e agilizamos a escalada antes de o sol começar a bater. Guia a via 31 (que não lembro o nome) e passei um trabalho no início, mas escalei tranquilo. O Kostas estava tão detonado que não quis escalar. Resolvi tentar encarar a Mikrá Mistiká que agora, com a nova grampeação ficou mais segura. Fui super bem até a quarta chapeleta, o que significa que passei o crux inclusive. Mas por alguma razão amareli entre a quarta e a quinta chapeleta. Desescalei e desci. Subi a Look Louki para colocar um top na Mikrá Mistiká e refazer o lance onde amarelei. O Kostas ainda escalou em top-rope a Aspri antes de irmos embora.
Sem fotos desta vez, mas deixo aqui registradas as escaldas deste final de semana.
King Lines
O calor de 35 graus Celsius nesta tarde de domingo impedia de fazer qualquer coisa que exigisse o mínimo de esforço físico. Enquanto o sol não baixava para ir para a praia assisti ao King Lines, também da Sender films, lançado cerca de um ano antes do filme que comentei na publicação anterior.Vendo este filme, percebe-se que o The Sharp End é uma versão melhorada em termos de produção, abordando outro tópico. O King Lines é basicamente sobre o Chris Sharma e mostra um pouco como que ele elevou o nível de dificuldade da escalada mundial e a busca dele por rotas cada vez mais difíceis e bonitas, a busca pela linha perfeita.
Achei este filme um pouco mais monótono que o outro, mas como também tem uma hora de duração, é de bom tamanho. De maneira geral parece que exceto por Palma de Mallorca, todos os lugares em que eles passaram ficou faltando algo. Achei tudo meio desconexo. Foi muito legal ver ele escalando com o instrutor da academia onde ele escalou pela primeira vez. A escalada em boulder foi bem sem graça, mas foi legal para ver que ele sente medo e tem suas preocupações. As filmagens em Palma de Mallorca ficaram um pouco extensas, achei cansativas, e a passagem pela Grécia pouco relevante. Basicamente não acharam nada muito legal, mas mesmo assim mantiveram no filme.
Em termos de imagens o filme é inferior ao The Sharp End, mas ainda assim oferece muitas cenas bonitas. As filmagens na Venezuela foram muito legais, mas em termos de escalada ficou fraco. Achei uma pena que a maioria dos escaladores ficaram de escanteio, como o Dave Graham por exemplo, centrando apenas no Chris Sharma.
Apesar de o filme se enquandrar bem em um dos meus preconceitos com filmes de escalada, ficar mostrando só escalada difícil, esse era o tema do filme e a abordagem não ficou pedante. O Chris Sharma parece um cara sério, quando comparado a outros figuras que aparecem em outros filmes de escalada. Esse aspecto profissional dele e o papel dele no filme deixam este filme mais atraente do que os demais filmes de escalada do gênero dificuldade.
sábado, 18 de julho de 2009
The sharp end
Em geral acho filmes de escalada entediantes e não figuram entre os meus estilos preferidos de filme para se assistir. Principalmente quando ficam mostrando aqueles estereótipos de escalador malucão, ou querendo mostrar o lado filosófico da escalada, ou valorizando a escalada de dificuldade (no estilo rockeiro que fica vibrando com a movimentação dos dedos do guitarrista).Assisti há pouco o filme The sharp end da Sender films e a história não foi muito diferente. Tenho que reconhecer que com apenas uma hora de duração o filme passou voando e gostei de tê-lo assistido, embora esta "busca" pelo sharp end que eles focam no filme se enquadra dentro da minha classificação de "mostrar o lado filosófico da escalada" e também da "valorização da escalada de dificuldade". Por outro lado a maneira como apresentaram foi interessante e pelo menos evitaram bastante estas figuras sem graça do mundo da escalada.
As imagens do filme são espetaculares e só isso já faz valer a pena assistí-lo. São imagens da natureza em vários lugares nos Estados Unidos, no Hymalaia, e na Europa que dispensam a presença de escaladores. Não entendo muito de filmes, mas a produção como um todo ficou muito boa.
Eles tentam mostrar a busca pelo Sharp end em várias modalidades e isso foi legal. Achei que a cobertura sobre high balls ficou fraquinha. A escalada em big wall também foi sem graça e acho que a única que mostrou um destes bobalhões que gostam de fazer graça em frente às câmeras e é totalmente dispensável. Mesmo as imagens de Yosemite não chamaram a atenção. E por fim, base jump e modalidades relacionadas ficaram para a parte final do filme e tive a sensação de que queriam mostrar isto como o ápice, mas como o tema não me interessa achei dispensável também. Numa das cenas me parece que o Dean Potter fez de conta que caiu para os caras filmarem a queda.
O ponto alto do filme são as imagens em Adrspach, na fronteira da República Tcheca com a Alemanha. Foi também nesta parte do filme que a escalada foi mais interessante. Provavelmente porque é um lugar que já ouvir falar várias vezes e que foge um pouco do padrão de escalada que estamos acostumados.
quinta-feira, 16 de julho de 2009
Um dia de sorte (cont.)
Hoje recebi um e-mail do Dave, o canadense com quem escalei em Atenas, episódio que contei em Um dia de sorte.
Como era de se esperar, a estadia dele em Kalymnos foi espetacular e ele confirmou que o lugar é imperdível e que não posso deixar de ir.
A seguir, a única foto que fizemos em Atenas, com a máquina dele (do buraco atrás de mim que saiu o maluquinho enquanto escalávamos).
Como era de se esperar, a estadia dele em Kalymnos foi espetacular e ele confirmou que o lugar é imperdível e que não posso deixar de ir.
A seguir, a única foto que fizemos em Atenas, com a máquina dele (do buraco atrás de mim que saiu o maluquinho enquanto escalávamos).
quarta-feira, 15 de julho de 2009
Domingo em Kalypso
O legal de ir para Srrinária, é que a estrada que leva a esta praia passa ao lado um morro que tem um potencial enorme para vias e que a muito já namorava de longe. Esta passagem ao lado da parede indica que vale a pena uma visita exclusiva à pedra, com mais calma para avaliar o lugar.
Link para o álbum desta publicação: Domingo em Kalypso
terça-feira, 7 de julho de 2009
Mas é difícil mesmo
Acabei indo apreciar o entardecer na Praia de Ágios Apóstolis com a Anamaria. Nesta praia tem uma caverninha com uma via muito legal que apresentei aqui, com um videozinho inclusive. Como quem não quer nada e sem muita expectativa, levei meu equipamento para fazer minha primeira tentativa da via.
Fomos a Anamaria e eu, e ficamos cerca de 30 minutos relaxando na praia antes da tentativa. Vimos top-less, vimos pessoas trocando de roupa na frente de todo mundo como se fosse a coisa mais normal, e ficamos pensando que depois nós, os brasileiros, é que somos promíscuos...
Vamos então à escalada. Como já fiz uma publicação sobre a via, só vou acrescentar algumas coisas. A via está graduada no guia como VIII+/IX UIAA, o que transformado para escala do Brasil, conforme uma tabela que tenho, daria algo entre VIIIa e IXa, ou seja, bem difícil. Não tenho condições de confirmar o grau mas a via é
A via já começa difícil. Há apenas um abauladão cheio de areia (como as demais agarras) que se desprendem da própria pedra e uma agarrinha. O pé é tranquilo para fazer a primeira costura. Daí para frente a coisa já complica e exige uma ginástica para alcançar o primeiro agarrão não muito bom e também cheio de areia. Trazer os pés para o alto e ficar completamente paralelo ao chão já acabou comigo. Apoiei um pé na parede e o outro entalei numa fenda, posição em que poderia ter feito a segunda costura. Como não vislumbrava ir mais longe que isso nem costurei e voltei para não complicar mais ainda a retirada das expressas depois.
Fiz duas ou três tentativas só para me divertir e abandonei. Escalei o comecinho de novo para tirar a primeira costura.
A base da via é formada por uma areia fina que, até o final da escalada, tomou conta de todo o equipamento.
A sensação de escalar o teto é muito legal e gostaria de voltar lá mais vezes para tentar ir mais longe. Para escalar esta via só tem um jeito, tentar escalá-la.
Link para o álbum desta publicação: Mas é difícil mesmo
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