No início do mês de fevereiro dei um pulo em Barcelona, Espanha. Não tive condições e nem era prioridade ir escalar, então acabei não indo nem no Montjuic ver o "muro" de escalada que tem lá. Mas dei uma passada em algumas lojas de material esportivo.
A primeira parada foi na The North Face que como esperado tinha tudo muito caro. Alguns tênis estavam em promoção e quase comprei um esportivo com Gore-tex por 52 euros, mas o tamanho disponível era um número menor do que eu calço (para ter uma idéia em Chania tênis de qualquer marca não sai por menos de 80 euros - em promoção).
Em termos de loja a prioridade era ir na BALMAT ver se encontrava um capacete para o Kostas. Não encontrei, não tinha a cor que ele queria. A BALMAT é uma loja legal, na verdade três lojas, mas os preços são altos e a variedade é bem limitada. Explicando melhor, há uma variedade grande de produtos (roupas, material para esqui, chapeleta, cordelete, corda), mas poucos modelos/marcas de cada. Por exemplo, havia apenas três tipos diferentes de costura. A maioria dos produtos estavam com preços relativamente altos, pelo menos mais altos do que vi na Aux-vieux-campeur em Paris e na Barrabes online. Aproveitei para comprar um pote de magnésio que ainda é muito mais barato do que aqui na Grécia (e não compensa o frete de uma loja online apenas para um pote de magnésio). Uma das lojas deles é outlet e tinha alguma coisa de vestuário com bons preços, mas nada que eu estivesse precisando.
Além da BALMAT fui na Decathlon que tem uma loja grande em Barcelona, mas muito bagunçada comparada com a de Paris. Não tinha praticamente nada de escalada e os preços promocionais baixíssimos de fim de estação nas demais lojas da cidade não estavam presentes nesta loja. Ainda assim a Ana aproveitou e levou um fleece bem barato.
Em Barcelona tem também várias lojas de departamentos da rede El Corte Inglés e visitei duas delas com a Anamaria. Uma delas tinha um seção esportiva com uma quantidade limitade de roupas de inverno e calçadas e uma pequena seção de equipamentos de escalada. Os preços eram de mercado, mas com algumas promoções boas. Mesmo com boas promoções, vestuário deste tipo ainda ficam caros e não levei nada.
Pequenos comentários sobre minhas pequenas aventuras na ilha de Creta e, quem sabe, em outros lugares.
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010
Mikrá Mistiká de novo
Depois de cerca de 25 dias sem escalar a chuva deu uma trégua e fui para o Monte com o Kostas e a Anatasía. Durante este período o Kostas conseguiu escalar uma ou duas vezes por semana apesar da chuva e voltou a me desafiar. Depois de escalarmos a I Mávri (VI) ele quis escalar a Mikrá Mistiká (VIIa) e me desafiou a ir primeiro. Ele acabou indo na frente e não conseguiu fazer sem segurar na costura. Apesar de todo este tempo parado fui bem na via e passei o crux técnico sem problemas. Logo após o crux técnico tem um crux psicológico (para mim) entre as duas chapeletas. Fiquei meio nervoso e deu uma esbranquiçada e não conseguia ver nenhuma agarra. Acabei arriscando e deixei as duas mãos só apoiadas na parede sem segurar nenhuma agarra e então fazer um movimento. Foi assustador, mas muito bom para ganhar confiança. A Anastasia está sempre rindo de tudo e não perdeu de tirar um sarro do Kostas. Não sei se ela sacou ou não que ele estava me desafiando.
O Kostas tem uma necessidade curioso de querer mostrar para as pessoas coisas que elas não sabem/não conhecem. Acho que para suprir esta necessidade ele voltou a me desafiar a escalar a via 34, Spasmena (VI) (Quebrada). Nunca tinha escalado ela porque acabava não dando tempo. O Kostas me revelou que o final era difícil e que ele não conseguiu encadenar na primeira tentativa, mas que depois da segunda ficou tranquilo.
Esta usa a mesma parada da 36 e 35 (que eu encadenei recentemente) e o Kostas me desafiou a guiar a 35 (já que ele não me viu guiando ela da outra vez). Não sei se ele já encadenou a 35 ou não, mas acho que não porque ele não quis guiar e nem tentou top-rope. Acabei guiando. Fiquei uma carinha no crux, mas com uma tranquilidade que me surpreendeu.
A via 34 é uma via em que a dificuldade aumenta com a altura. Ela começa bem de aderência e vai ficando vertical, meio que num diedro, sem agarras para a mão. Em certo ponto a pedra fica bem abrasiva e aparecem umas agarras para alcançar o ponto onde irão colocar uma parada com corrente (já fizeram os furos). Foi bem legal escalar esta via, pois tem um estilo um pouco diferente das outras
O Kostas tem uma necessidade curioso de querer mostrar para as pessoas coisas que elas não sabem/não conhecem. Acho que para suprir esta necessidade ele voltou a me desafiar a escalar a via 34, Spasmena (VI) (Quebrada). Nunca tinha escalado ela porque acabava não dando tempo. O Kostas me revelou que o final era difícil e que ele não conseguiu encadenar na primeira tentativa, mas que depois da segunda ficou tranquilo.
Esta usa a mesma parada da 36 e 35 (que eu encadenei recentemente) e o Kostas me desafiou a guiar a 35 (já que ele não me viu guiando ela da outra vez). Não sei se ele já encadenou a 35 ou não, mas acho que não porque ele não quis guiar e nem tentou top-rope. Acabei guiando. Fiquei uma carinha no crux, mas com uma tranquilidade que me surpreendeu.
A via 34 é uma via em que a dificuldade aumenta com a altura. Ela começa bem de aderência e vai ficando vertical, meio que num diedro, sem agarras para a mão. Em certo ponto a pedra fica bem abrasiva e aparecem umas agarras para alcançar o ponto onde irão colocar uma parada com corrente (já fizeram os furos). Foi bem legal escalar esta via, pois tem um estilo um pouco diferente das outras
Fim de ano
Nos arredores do Natal e da virada do ano fui escalar diversas vezes no Monte Várdia. Durante os feriados tentei me manter em dia com os textos sobre as escaladas, mas como se passou muito tempo resolvi dar uma resumida e só comentar alguns pontos mais interessantes (para mim pelo menos). As poucas fotos que fiz nestes dias e também um vídeo do Kostas formam o álbum de fotos desta publicação (link no final).
A chuva e os parceiros não foram muito generosa comigo até pouco antes do Natal. Cheguei a ir sozinho até o Monte Várdia num domingo à tarde, mas em menos de meia hora fiquei entediado de escalar sozinho e voltei para casa.
O ponto forte antes do Natal foi o Kostas tentando encadenar a Mikrá Mistiká (VIIa) e o resultado vocês podem ver no vídeo.
No dia de Natal, 25 de dezembro, o telefone tocou logo cedo. Antes de atendermos a Ana sugeriu que era algum parente querendo desejar Feliz Natal ou o Kostas querendo ir escalar. Era a segunda opção. Como ele tinha que ir almoçar na casa do irmão, estava convocando os parceiros às pressas. O Vassílis também foi. Depois de aquecermos em alguma via, o Kostas quis tirar a limpo o problema dele com a Mikrá Mistiká e conseguiu encadenar com sucesso. Veio aquela pressão implícita do Kostas. Puxei a corda e o Kostas ficou meio incrédulo de que eu conseguiria. Sem querer me achar, mas já me achando, guiei com muita tranquilidade e me sai melhor que ele. Este foi o grande feito do dia de Natal.
Outra novidade no dia de Natal foi o top-rope na via 16. Esta via pode ser escalada em móvel, mas fizemos em top-rope. No guia de escalada ela aparece graduada como um VIsup e apesar da aparência assustadora no início, parece mesmo que a graduação está certa. Eu e o Vassílis fizemos à vista, ainda que passando um veneninho no começo, que é o crux. O meu amigo Kostas fez a maior marra antes de começar, estudando os movimentos e na hora H se apertou e caiu várias vezes no crux. É meio difícil descrever a via, melhor ver as fotos que tirei do Vassílis escalando. Depois do crux a via fica bem tranquila e segue por um diedro. Em uma próxima oportunidade estamos pensando em descer de rapel e pré-colocar as peças móveis para fazer guiando.
Depois da volta de Atenas de barco (lembrem que fui à Kós depois do Natal) nosso carro ainda estava no aeroporto. Como o Kostas mora perto, pedi que ele me levasse lá depois que saísse do trabalho. Ele não perde a oportunidade de caçar um parceiro e me deixou sem alternativas senão ir escalar antes de irmos buscar o carro. Ele foi para o Monte com a Eléni e o Manolis e por volta de 15h30 veio me buscar. Chegamos lá e fiz dupla com o Manolis, e ele com a Eléni. O Kostas é o novo treinador pessoal da Eléni e o objetivo dele é fazer dela a melhor escaladora de Chaniá, superando assim a Anastasia, a Vassoúla e a Marianna.
Com o Manolis escalei guiando a via 36. Fazia tempo que não guiava e fiquei orgulhoso de mim mesmo por ter me saído tão bem. A parada para a 36 e a 35 é a mesma e desci de baldinho para ir direto para a 35 em top-rope. Só tinha tentado guiar esta via umas duas vezes e sempre amarelei antes de alcançar a chapeleta que protege o crux. Desta vez tinha me sentido muito bem escalando ela que depois de o Manolis escalá-la em top-rope, resolvi guiar. Encadenei com relativa tranquilidade e sinto que finalmente posso dizer que meu grau é VI.
No dia da virada voltei ao Monte com o Kostas e o Manolis. Apareceu por lá também o Giorgos (o outro) sem equipamento. Levei minha segunda cadeirinha e ele escalou a Zéstama (IV) com o Kostas, de sapato. Enquanto isso guiei a Sikiá (Vsup) com segurança do Manólis. Faz algumas semanas comprei um aro novo de óculos e agora uso meu óculos anterior para escalar e o novo só no dia dia. Esqueci de levar o óculos antigo e resolvi escalar sem óculos para não estragar o novo. Foi muito esquisito olhar para cima ou para baixo e não enxergar muito bem as agarras, mas deu de encarar.
Na sequência, resolvei guiar pela primeira vez a 46, sem muito apoio do Manólis que dizia que ela é muito difícil. Fazia umas três semanas que não escalava esta via e o Manólis ficou de cara com a minha performance (nada de mais na verdade) e me elogiou muito. Depois o Manólis guiou a Sikiá e levou uma das quedas mais esquisitas que já vi. No crux da via, exatamente onde tem a árvore, ele tentou não segurar a árvore para fazer a via limpa, mas não conseguiu. Daí tentou segurar na árvore, mas bem no nó onde não tinha pegada. Ao invés de tentar se salvar em outra parte da árvore ou alguma agarra, ele deu um pulo para trás, como se fosse um sapo e caiu. Enfim ele terminou a via e foi tentar a 46. O Sol já estava se pondo quando ele finalmente desistiu e deixou o Kostas ir em top-rope para mostrar como passar o lance inicial. Depois que o Kostas desceu era minha vez e apesar de eu ter esfriado resolvi fazer a 44. Apesar da penumbra, da cegueira parcial e do nervosismo, encadenei a via. A cadena ficou registrada em fotos que pedi, já no final da via, para o Manolis bater.
Depois que desci, o Kostas disse que foi a minha melhor performance que ele já viu. Não sei bem qual foi a intenção dele, mas me senti ofendido, já que apesar de ter encadenado, nem me saí tão bem. Meu amigo Kostas de certa forma estabeleceu uma competição não oficial entre eu e ele. Com as vias que encadenei nos últimos dias, sem querer deixei ele para trás, já que a via 25 eu encadenei e ele nem em top-rope conseguiu (e não sei porque, nem tenta). Hoje, ainda por cima, encadenei a 44 que ele não consegue fazer em top-rope (agora já consegue). Como ele escala muito mais que eu e que os outros, quase que diariamente, ele não se conforma que alguém que escale com menos frequencia, consiga fazer coisas que ele não faz.
Depois disto ainda fomos outro dia em que ventava muito. Depois de escalarmos algumas vias eu disse que estava frio e que preferia ir embora. Ele virou para mim e disse, ainda tem luz e nunca guiaste a via 41 (VI). Na verdade já tinha, guiado, sem encadenar. Mas eu não tinha problema nenhum em escalá-la e resolvi aceitar a competição e encadenei a via 41 sem tropeços. Disse que estava bem frio e a pedra gelada e que talvez fosse melhor ele ir em top-rope. O orgulho falou mais alto e ele quase caiu duas vezes. Acho que ele levanta esta competição inconscientemente e até já cheguei a pensar que é algo da minha cabeça, mas inclusive a Anamaria notou. Eu levo na boa e acabo me divertindo.
Link para o álbum desta publicação: Fim de ano
A chuva e os parceiros não foram muito generosa comigo até pouco antes do Natal. Cheguei a ir sozinho até o Monte Várdia num domingo à tarde, mas em menos de meia hora fiquei entediado de escalar sozinho e voltei para casa.
O ponto forte antes do Natal foi o Kostas tentando encadenar a Mikrá Mistiká (VIIa) e o resultado vocês podem ver no vídeo.
No dia de Natal, 25 de dezembro, o telefone tocou logo cedo. Antes de atendermos a Ana sugeriu que era algum parente querendo desejar Feliz Natal ou o Kostas querendo ir escalar. Era a segunda opção. Como ele tinha que ir almoçar na casa do irmão, estava convocando os parceiros às pressas. O Vassílis também foi. Depois de aquecermos em alguma via, o Kostas quis tirar a limpo o problema dele com a Mikrá Mistiká e conseguiu encadenar com sucesso. Veio aquela pressão implícita do Kostas. Puxei a corda e o Kostas ficou meio incrédulo de que eu conseguiria. Sem querer me achar, mas já me achando, guiei com muita tranquilidade e me sai melhor que ele. Este foi o grande feito do dia de Natal.
Outra novidade no dia de Natal foi o top-rope na via 16. Esta via pode ser escalada em móvel, mas fizemos em top-rope. No guia de escalada ela aparece graduada como um VIsup e apesar da aparência assustadora no início, parece mesmo que a graduação está certa. Eu e o Vassílis fizemos à vista, ainda que passando um veneninho no começo, que é o crux. O meu amigo Kostas fez a maior marra antes de começar, estudando os movimentos e na hora H se apertou e caiu várias vezes no crux. É meio difícil descrever a via, melhor ver as fotos que tirei do Vassílis escalando. Depois do crux a via fica bem tranquila e segue por um diedro. Em uma próxima oportunidade estamos pensando em descer de rapel e pré-colocar as peças móveis para fazer guiando.
Depois da volta de Atenas de barco (lembrem que fui à Kós depois do Natal) nosso carro ainda estava no aeroporto. Como o Kostas mora perto, pedi que ele me levasse lá depois que saísse do trabalho. Ele não perde a oportunidade de caçar um parceiro e me deixou sem alternativas senão ir escalar antes de irmos buscar o carro. Ele foi para o Monte com a Eléni e o Manolis e por volta de 15h30 veio me buscar. Chegamos lá e fiz dupla com o Manolis, e ele com a Eléni. O Kostas é o novo treinador pessoal da Eléni e o objetivo dele é fazer dela a melhor escaladora de Chaniá, superando assim a Anastasia, a Vassoúla e a Marianna.
Com o Manolis escalei guiando a via 36. Fazia tempo que não guiava e fiquei orgulhoso de mim mesmo por ter me saído tão bem. A parada para a 36 e a 35 é a mesma e desci de baldinho para ir direto para a 35 em top-rope. Só tinha tentado guiar esta via umas duas vezes e sempre amarelei antes de alcançar a chapeleta que protege o crux. Desta vez tinha me sentido muito bem escalando ela que depois de o Manolis escalá-la em top-rope, resolvi guiar. Encadenei com relativa tranquilidade e sinto que finalmente posso dizer que meu grau é VI.
No dia da virada voltei ao Monte com o Kostas e o Manolis. Apareceu por lá também o Giorgos (o outro) sem equipamento. Levei minha segunda cadeirinha e ele escalou a Zéstama (IV) com o Kostas, de sapato. Enquanto isso guiei a Sikiá (Vsup) com segurança do Manólis. Faz algumas semanas comprei um aro novo de óculos e agora uso meu óculos anterior para escalar e o novo só no dia dia. Esqueci de levar o óculos antigo e resolvi escalar sem óculos para não estragar o novo. Foi muito esquisito olhar para cima ou para baixo e não enxergar muito bem as agarras, mas deu de encarar.
Na sequência, resolvei guiar pela primeira vez a 46, sem muito apoio do Manólis que dizia que ela é muito difícil. Fazia umas três semanas que não escalava esta via e o Manólis ficou de cara com a minha performance (nada de mais na verdade) e me elogiou muito. Depois o Manólis guiou a Sikiá e levou uma das quedas mais esquisitas que já vi. No crux da via, exatamente onde tem a árvore, ele tentou não segurar a árvore para fazer a via limpa, mas não conseguiu. Daí tentou segurar na árvore, mas bem no nó onde não tinha pegada. Ao invés de tentar se salvar em outra parte da árvore ou alguma agarra, ele deu um pulo para trás, como se fosse um sapo e caiu. Enfim ele terminou a via e foi tentar a 46. O Sol já estava se pondo quando ele finalmente desistiu e deixou o Kostas ir em top-rope para mostrar como passar o lance inicial. Depois que o Kostas desceu era minha vez e apesar de eu ter esfriado resolvi fazer a 44. Apesar da penumbra, da cegueira parcial e do nervosismo, encadenei a via. A cadena ficou registrada em fotos que pedi, já no final da via, para o Manolis bater.
Depois que desci, o Kostas disse que foi a minha melhor performance que ele já viu. Não sei bem qual foi a intenção dele, mas me senti ofendido, já que apesar de ter encadenado, nem me saí tão bem. Meu amigo Kostas de certa forma estabeleceu uma competição não oficial entre eu e ele. Com as vias que encadenei nos últimos dias, sem querer deixei ele para trás, já que a via 25 eu encadenei e ele nem em top-rope conseguiu (e não sei porque, nem tenta). Hoje, ainda por cima, encadenei a 44 que ele não consegue fazer em top-rope (agora já consegue). Como ele escala muito mais que eu e que os outros, quase que diariamente, ele não se conforma que alguém que escale com menos frequencia, consiga fazer coisas que ele não faz.
Depois disto ainda fomos outro dia em que ventava muito. Depois de escalarmos algumas vias eu disse que estava frio e que preferia ir embora. Ele virou para mim e disse, ainda tem luz e nunca guiaste a via 41 (VI). Na verdade já tinha, guiado, sem encadenar. Mas eu não tinha problema nenhum em escalá-la e resolvi aceitar a competição e encadenei a via 41 sem tropeços. Disse que estava bem frio e a pedra gelada e que talvez fosse melhor ele ir em top-rope. O orgulho falou mais alto e ele quase caiu duas vezes. Acho que ele levanta esta competição inconscientemente e até já cheguei a pensar que é algo da minha cabeça, mas inclusive a Anamaria notou. Eu levo na boa e acabo me divertindo.
Link para o álbum desta publicação: Fim de ano
sábado, 23 de janeiro de 2010
Mata Atlântica
Anamaria e eu ganhamos de presente de Natal, do meu irmão Victor e sua esposa, o mais recente lançamento da Lagoa Editora: o livro A Mata Atlântica na Ilha de Santa Catarina. De autoria de Maria Victoria Bisheimeir e Cristina Santos, com fotografias de Victor Emmanuel Carlson (meu irmão), o livro introduz brevemente os ambientes de Mata Atlântica na Ilha de Santa Catarina e a seguir descreve diversos elementos da flora e fauna local, principalmente aves, sempre ricamente ilustrados por belas fotografias. Seguindo a linha de outra publicação da Lagoa Editora, Aventura Arqueológica na Ilha de Santa Catarina, a linguagem utilizada é acessível ao público geral e evita jargões técnicos que nas raras ocasiões que aparecem são explicados com clareza ou constam num glossário ao final do livro. Convém (ou talvez não) comentar que consto na seção de agradecimentos do livro por ter apontado um lagarto que aparece em duas ou três fotos. Diga-se de passagem, esta fotografia foi feita quando meu irmão e eu fazíamos a trilha da praia do Matadeiro para a Lagoinha do Leste durante o levantamento de trilhas para outro livro da Lagoa Editora, Trilhas e Caminhos da Ilha de Santa Catarina, aparentemente esgotado e aguardando a próxima edição.
Quem escala em Florianópolis (ou fora dela) inevitavelmente percorre ambientes de Mata Atlântica para acessar praticamente todos os setores de escalada. O livro é uma ótima maneira de conhecer melhor este ambiente tão frequentado pelos escaladores que podem assim compreendê-lo melhor não só para sua preservação, mas também para seu desfrute, reconhendo in loco as espécies que o compõe. Li o livro do início ao fim e apreciei as mais de 250 fotografias. Mais do que um livro para a leitura, é um livro de referência para o entusiasta conhecer e identificar as espécies. Reconheci várias espécies (principalmente o gravatá) e fiquei espantado com tantas outras que ao longo dos anos passaram despercebidas ou que nem imaginava que poderiam ser vistas na ilha.
O livro pode ser adquirido online no site da Lagoa Editora ou nas melhores livrarias (mas um informante me contou que há menos de 50 exemplares disponíveis e vi que no site da livraria Saraiva está indisponível; melhor correr ou aguardar a segunda edição em breve).
domingo, 17 de janeiro de 2010
Hippocrates
Neste Natal a Anamaria e eu queríamos sair de Chaniá, para fazer algo diferente. Uma empresa aérea local, a Aegean Airlines (muito boa por sinal), lançou um promoção no início de Dezembro com preços baixíssimos para vários destinos na Grécia. Queríamos ir a Kérkira (Corfu), mas os preços eram proibitivos e o que conseguimos foram passagens do dia 26 ao dia 31 de Dezembro de Chaniá para Kós e de Kós para Chaniá.
Quase nada sabíamos sobre Kós, exceto que é muito próxima à Turquia, e que é a vizinha grande de Kálymnos, o paraíso da escalada. Compramos as passagens sem saber muito o que faríamos lá, mas tudo bem, desde que saíssemos de casa. Quem quiser ver no Google Earth ou Maps, a ilha de Kós é bem pequena e 5 ou 6 dias no inverno é mais do que tempo suficiente para conhecer a ilha e por isso pensamos em dividir o passeio para conhecer outros lugares.
As alternativas seriam ir à Bodrum na Turquia e/ou dar um pulo em Kálymnos para ter um aperitivo de como são as vias lá. Com isto decidido, encomendei o guia de Kálymnos, sobre o qual posso vir a escrever futuramente. Mas quando começamos a planejar mais detalhadamente a viagem, vimos que os horários de barcos para Kálymnos e Bodrum não se encaixavam no nosso planejamento e decidimos ir à Turquia apenas. Esta mudança de planos me fez, dois dias depois de encomendar o guia de Kálymnos, fazer uma pesquisa para saber se tinha escaladas em Kós. E não é que tinha! Assim, comprei o guia de escalada Olympic Blocs, que lista alguns setores de boulder espalhados pela Grécia, entre eles um em Kós. Quando o guia de Kálymnos chegou, vi que em uma das páginas este guia é recomendado e é o setor indicado para os mais fissurados que ficarem ilhados em Kós por causa de ventos que impedem a saída de barcos.
Não vou dar muitos detalhes desinteressantes da viagem, exceto que não conseguimos ir para Bodrum por causa dos fortes ventos e acabamos abdicando das nossas passagens aéreas e voltamos antes e de barco, com passagem por Atenas, que saíria mais em conta e seria mais interessante do que ficar entediado em Kós.
Vamos à escalada. O guia é relativamente bom, com indicação de vários blocos e problemas, e bastante claro sobre como chegar ao setor de boulder. O nome do setor é Hippocrates, o pai da medicina, orginário de Kós. O setor, ainda pouco explorado, ocupa uma área de pelo menos 800 x 300 m, na costa centro-sul da ilha (ver localização no mapa do álbum de fotos). O local é levemente inclinado e os blocos rolaram morro abaixo a partir de formações rochosas um pouco mais acima do morro. O local é de fácil acesso e um caminho de terra permite acessar com o carro praticamente toda a largura do setor.
O guia divide o campo de boulders em vários setores e indica os blocos e os problemas com nome e graduação em uma lista numerada com números correspondentes nos croquis e/ou fotos. Eles elaboraram também um circuito amarelo com os problemas mais fáceis. A graduação utilizada é a de Fontainebleau.
O mais surpreendente do local é o tipo de pedra, granito. Algumas vezes com uma cor acizentada, o tom da rocha é muito semelhante ao que temos em Florianópolis em Itaguaçu e na Mole. Um rosado puxando para o bege. As agarras tem forma muito parecida com as nossas, mas os problemas que tentei possuiam uma quantidade menor de regletes, predominando a aderência. Em alguns blocos, há protuberancias cinzas que parecem cimento.
O lugar é menos limpo (no sentido de pedras e vegetação) do que eu pensava ou parecia pelas fotos. Me concentrei em dois blocos, que não por coincidência continham alguns dos problemas mais fáceis. Não tentei nenhum bloco mais alto e difícil pois não tenho crash pad.
Deu uma circulada pelo setor F e G para me localizar e achar o bloco F10 que concentrava num só bloco seis problemas de 3b a 5c e um problema de 6b (escala de Fontainebleau). Depois de achar o bloco tive que voltar até o carro para buscar a sapatilha que esqueci. Escalei os cinco problemas mais fáceis e a cada um deles dava uma volta grande para voltar à base. Há várias fotos deste bloco no álbum.
Depois voltamos ao carro e percorremos a largura do campo observando alguns blocos maiores até chegar ao setor A, onde escalei no bloco A12. Este bloco é bem largo e possui 13 problemas de 2a a 6c+. Escalei os oito primeiros, os mais fáceis, sendo o mais difícil um 5b. Não sei a relação da tabela de Fontainebleau com a brasileira ou francesa, mas ela é mais baixo. Assim, um 5b deveria ser alto em torno de VI ou Vsup. Há também várias fotos deste bloco no álbum e um vídeo com cinco escaladas nele, a última uma subida desengonçada deste 5b.
O setor é muito legal, mas não compensa uma viagem de escalda. Por sorte Kós é a vizinha pobre (de pedra) de Kálymnos, e quem gosta de boulder e está indo à Kálymnos, acho vale dar uma parada rápida para conferir os blocos antes de se esbaldar em tanta pedra na ilha vizinha.
Link para o álbum desta publicação: Hippocrates
Quase nada sabíamos sobre Kós, exceto que é muito próxima à Turquia, e que é a vizinha grande de Kálymnos, o paraíso da escalada. Compramos as passagens sem saber muito o que faríamos lá, mas tudo bem, desde que saíssemos de casa. Quem quiser ver no Google Earth ou Maps, a ilha de Kós é bem pequena e 5 ou 6 dias no inverno é mais do que tempo suficiente para conhecer a ilha e por isso pensamos em dividir o passeio para conhecer outros lugares.
As alternativas seriam ir à Bodrum na Turquia e/ou dar um pulo em Kálymnos para ter um aperitivo de como são as vias lá. Com isto decidido, encomendei o guia de Kálymnos, sobre o qual posso vir a escrever futuramente. Mas quando começamos a planejar mais detalhadamente a viagem, vimos que os horários de barcos para Kálymnos e Bodrum não se encaixavam no nosso planejamento e decidimos ir à Turquia apenas. Esta mudança de planos me fez, dois dias depois de encomendar o guia de Kálymnos, fazer uma pesquisa para saber se tinha escaladas em Kós. E não é que tinha! Assim, comprei o guia de escalada Olympic Blocs, que lista alguns setores de boulder espalhados pela Grécia, entre eles um em Kós. Quando o guia de Kálymnos chegou, vi que em uma das páginas este guia é recomendado e é o setor indicado para os mais fissurados que ficarem ilhados em Kós por causa de ventos que impedem a saída de barcos.
Não vou dar muitos detalhes desinteressantes da viagem, exceto que não conseguimos ir para Bodrum por causa dos fortes ventos e acabamos abdicando das nossas passagens aéreas e voltamos antes e de barco, com passagem por Atenas, que saíria mais em conta e seria mais interessante do que ficar entediado em Kós.
Vamos à escalada. O guia é relativamente bom, com indicação de vários blocos e problemas, e bastante claro sobre como chegar ao setor de boulder. O nome do setor é Hippocrates, o pai da medicina, orginário de Kós. O setor, ainda pouco explorado, ocupa uma área de pelo menos 800 x 300 m, na costa centro-sul da ilha (ver localização no mapa do álbum de fotos). O local é levemente inclinado e os blocos rolaram morro abaixo a partir de formações rochosas um pouco mais acima do morro. O local é de fácil acesso e um caminho de terra permite acessar com o carro praticamente toda a largura do setor.
O guia divide o campo de boulders em vários setores e indica os blocos e os problemas com nome e graduação em uma lista numerada com números correspondentes nos croquis e/ou fotos. Eles elaboraram também um circuito amarelo com os problemas mais fáceis. A graduação utilizada é a de Fontainebleau.
O mais surpreendente do local é o tipo de pedra, granito. Algumas vezes com uma cor acizentada, o tom da rocha é muito semelhante ao que temos em Florianópolis em Itaguaçu e na Mole. Um rosado puxando para o bege. As agarras tem forma muito parecida com as nossas, mas os problemas que tentei possuiam uma quantidade menor de regletes, predominando a aderência. Em alguns blocos, há protuberancias cinzas que parecem cimento.
O lugar é menos limpo (no sentido de pedras e vegetação) do que eu pensava ou parecia pelas fotos. Me concentrei em dois blocos, que não por coincidência continham alguns dos problemas mais fáceis. Não tentei nenhum bloco mais alto e difícil pois não tenho crash pad.
Deu uma circulada pelo setor F e G para me localizar e achar o bloco F10 que concentrava num só bloco seis problemas de 3b a 5c e um problema de 6b (escala de Fontainebleau). Depois de achar o bloco tive que voltar até o carro para buscar a sapatilha que esqueci. Escalei os cinco problemas mais fáceis e a cada um deles dava uma volta grande para voltar à base. Há várias fotos deste bloco no álbum.
Depois voltamos ao carro e percorremos a largura do campo observando alguns blocos maiores até chegar ao setor A, onde escalei no bloco A12. Este bloco é bem largo e possui 13 problemas de 2a a 6c+. Escalei os oito primeiros, os mais fáceis, sendo o mais difícil um 5b. Não sei a relação da tabela de Fontainebleau com a brasileira ou francesa, mas ela é mais baixo. Assim, um 5b deveria ser alto em torno de VI ou Vsup. Há também várias fotos deste bloco no álbum e um vídeo com cinco escaladas nele, a última uma subida desengonçada deste 5b.
O setor é muito legal, mas não compensa uma viagem de escalda. Por sorte Kós é a vizinha pobre (de pedra) de Kálymnos, e quem gosta de boulder e está indo à Kálymnos, acho vale dar uma parada rápida para conferir os blocos antes de se esbaldar em tanta pedra na ilha vizinha.
Link para o álbum desta publicação: Hippocrates
quarta-feira, 13 de janeiro de 2010
Caverna Ideon
A caverna Ideon fica a 1538 m de altitude de frente para o platô Nida, poucos metros mais abaixo, e à leste do Monte Ida também conhecido como Psiloritis. Para quem não lembra ou não leu aqui no blog, o Psiloritis fica na região central de Creta e tem o pico mais alto da ilha, o Tímios Tavros com 2456 metros de altura, que subi durante o curso de introdução ao montanhismo.
O platô Nida é muito parecido com o platô de Omalos na Léfka Óri, só que está totalmente desocupado pelo homem, não há construções e aparentemente possui menos vegetação. Quase não há neve nas montanhas de Creta exceto em algumas calhas "protegidas" do sol ainda resistem. Assim, apesar da seca o verde do platô contrasta fortemente com o marrom das montanhas ao seu redor.
Dos arredores do platô, uma estrada de terra leva até a caverna Ideon e mais quatro horas de caminhada (para alguém em boa forma), levam até o Tímios Tavros. Ficamos na caverna apenas, que de acordo com o guia que temos de Creta é o local onde Zeus, o Deus dos Deuses, foi criado. Diga-se de passagem, Zeus em grego se pronuncia Zévs!
Não convém eu me estender aqui sobre a história de Zeus. Há uma entrada suspeita na Wikipedia em português que pode dar algum esclarecimento. Ressalto apenas uma controvérsia. No artigo diz que Zeus nasceu no Monte Dikti (Dicte no artigo) e que algumas fontes dizem que foi no Ida. Minha fonte diz que Zeus nasceu de fato no Monte Dikti (na caverna de Dikti), mas que foi levado para a a caverna Ideon no Monte Ida, onde foi alimentado e cresceu, escondido do seu pai Kronos a quem destronou.
Além da casa de Zeus, arqueólogos dizem que a caverna foi local de cultos tanto no perído minoano como no perído romano. Desta feita, diversos utensílios e artefatos foram encontrados na caverna e alguns deles podem ser vistos no Museu Arqueológico de Heráklio (se algum dia a reforma terminar).
Não fosse por toda a história por trás da caverna e a beleza natural dos arredores, a visita seria desapontante. A caverna é relativamente pequena e está completamente abandonada. Um trilho, imagino que do período das escavações, desce até a caverna e termina com um carrinho enferrujado. Palcos de madeira podre cobrem parte do chão da caverna e oferecem risco ao visitante. Não há nenhuma formação peculiar dentro dela digna de nota exceto a cangança dos pombos. Do lado de fora, no final da estrada de terra, uma construção nova anuncia que um negócio está por surgir ali. No final da estrada de asfalto há um elefante branco asqueroso com pichações dizendo "cafeteria".
Deixando de lado este último parágrafo rancoroso, o passeio foi muito agradável e saciou a curiosidade de saber como era o lugar onde Zeus foi criado.
Link para o álbum desta publicação: Caverna Ideon
sábado, 2 de janeiro de 2010
Ano Novo
Prezados leitores, o ano novo começou bem e estou meio atarefado. Não tive condições de publicar, pois o tempo livre que tive aproveitei para escalar. Posso antecipar que encadenei quatro novas vias nos últimos dias, um VI, um VIsup, e dois possíveis VIIa. Também experimentei duas vias "inéditas". Na próxima semana também receberei a visita de um amigo que não vejo há quase seis anos e não terei condições de publicar. Na outra semana publico os textos e as fotos.
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