quinta-feira, 19 de março de 2009

Curso: final de semana 2

Depois do falecimento do Vangélis Vroutsis, nosso instrutor no primeiro final de semana do curso, acompanhei uma lenga-lenga sobre o que ia acontecer ou não acontecer. Para a felicidade da maior parte dos alunos, chegou-se a um consenso e no último final de semana tivemos o segundo final de semana do curso. E foi assim:

As pessoas

Daqueles que participaram do primeiro encontro, apenas o Leonídas não pode continuar com o grupo; continuaram o Yanis, a Maria, o Dimítris, o Giorgos, o Panaiótis, a Vasúla, e eu. A Kália e a Elise que não puderam participar do primeiro encontro, mas que estavam confirmadas para a sequência se integraram ao grupo. Também se integraram ao grupo o Spiros (falei dele aqui) e o Vassílis. Contamos ainda com o Vangélis Stavroulákis, o assistente, e com o novo instrutor Alexandros Tsilogeorgis, totalizando 13 pessoas. Em geral o grupo se entrosou bem e dividiu bem as tarefas.

O instrutor

O Alekos, como chamamos o instrutor e quase todos os Alexandros da Grécia, é completamente diferente do Vangélis Vroutsis. Muito mais extroverdido, é do tipo que gosta de chamar a atenção, dando gritos totalmente inesperados ou cantando alto. Longe de ser desagradável é ainda um comportamento desnecessário. Por outro lado é tão ou mais qualificado que o Vroutsis, seja pela experiência adquirida em escaladas no Himalaia, Antártida, Peru e diversas montanhas da Europa, seja pela qualificação institucional que lhe confere o status de guia de montanha da UIAGM. Indiscutível que conhecimento não lhe falta e isso ele mostrou na prática, apesar de reconhecer que o mais forte dele é o esqui, de todos os tipos. O grande ganho com a trágica substituição do Vroutsis por ele foi um caráter muito mais prático para o curso, que com o primeiro seria bem mais teórico, como foi o primeiro final de semana.

O refúgio

O refúgio Vólikas está localizado na parte Norte da Léfka Óri, mas mais a oeste do que Távri, onde estivemos da última vez. Cerca de 200 m mais alto na montanha, fica a 1350/1400 m de altitude. Este refúgio era totalmente de pedra e a ação do tempo o destruiu exigindo que fosse totalmente reconstruido recentemente, como relatei aqui. Mas a história da reconstrução, um investimento de mais de 40.000,00 euros pelo clube de montanha é questionável. Um dos participantes do curso trabalha para a companhia que recebe os recursos do Comunidade Européia e que reconstruiu o abrigo. A história que ele contou diz que o investimento total foi de 55.000,00 euros e isto está numa placa no própria abrigo. E todo o dinheiro foi proveniente da Comunidade Européia, nada do clube, que pelo que ele disse, é um poço de dinheiro.

Como sabia que o refúgio era novo, criei uma expectativa a respeito dele e acabei ficando totalmente desapontado. Eles praticamente reconstruíram o abrigo anterior, de pequenas dimensões, mas de alvenaria e forrado de madeira na parte interna. Um mezanino aproveitou melhor o espaço permitindo camas no nível superior. As condições na área de jantar/dormir que é compartilhada é ótima, e uma salamandra ajuda a aquecer o ambiente. A iluminação é garantida com um lustre "lampião" ligado a um bujão de gás, o que acho particularmente perigoso. O fiasco é a cozinha que fica logo na entrada, junto com a área para retirar botas e o equipamento. A cozinha oferece pratos e talheres, um fogareiro e muita sujeira. Além das péssimas condições de manutenção da cozinha, os pacotes de comida que os visitantes vão deixando por preguiça de levar para baixo, bagunçam o ambiente e servem de alimento para os animais que fazem questão de marcar presença com suas fezes.

Longe de eu querer uma mansão na montanha, a cozinha dividir o espaço onde retiramos equipamentos e botas ao entrar me parece anti-higiênico. O pouco espaço conferido à cozinha e o isolamento em relação ao resto do abrigo torna a cozinha um ambiente frio e pouco aconchegante, prejudicando um momento (o de cozinhar) que para mim é ótimo para sociabilidade.

O fundo do poço é o banheiro. Do lado de fora, longe da entrada, é totalmente inconveniente, principalmente se estivesse chovendo. No local de acesso acumula neve e fica na linha de queda do gelo que acumula no telhado. Além da pia e da latrina, mais nada é oferecido, como um local para apoiar coisas ou por o papel higiênico. Uma ducha seria interessante pelo menos para auxiliar num banho de gato. Apesar da minha apreensão com relação à latrina, me parece uma ótima escolha, já que é bem mais higiênica (tanto para o grupo como individualmente) e mais fácil de limpar do que uma patente (vaso sanitário).

O Equipamento

O equipamento foi tomado emprestado do Clube de Montanhismo de Chaniá para aqueles que são socios deste clube e do Clube de Montanhismo de Réthymno para aqueles que são sócios deste outro. Emprestaram cordas, mosquetões, freios oito, crampons, piolet, cordeletes, fitas, capacetes e ancoragens de alumínio para a neve. O equipamento cedido pelo Clube de Chaniá estavam em condições bem ruins, alguns de segurança questionável, como algumas fitas e uma corda. O almoxarife fez questão de nos dar o material do mais velho para o mais novo, uma vez que ele mesmo ia com alguns amigos para uma atividade no final de semana e quis garantir o melhor para ele. O equipamento cedido pelo clube de Réthymno por outro lado, estava impecável e alguns artigos estavam sendo usados pela primeira vez.

O Curso

Devido a mudança de instrutor o curso sofreu uma mudança radical na programação. Como descrevi anteriormente, o novo instrutor é muito mais focado no prático enquanto o anterior era mais teórico. Ambos cobririam o conteúdo mínimo do curso, mas cada um ao seu jeito. Diga-se de passagem, apesar de o curso até agora ter sido muito legal, o conteúdo mínimo é desapontante e realmente básico. Compreende simplesmente navegação e orientação, caminhada com e sem neve, e uso de crampon e piolet. Qualquer coisa adicional fica a critério do instrutor. Para todo o tempo de curso que temos, acho extremamente pouco conteúdo. O tempo é bem mal aproveitado, muito tempo sentando para café da manhã e janta.

Quinta-feira (12/3/2009)

Saí de Chaniá no final da tarde dando carona para a Kália e para a Elise debaixo de chuva. O espaço restante do carro estava ocupado com nossas mochilas e com todo o equipamento cedido pelo clube de Chaniá.

Chegamos ao vilarejo de Néo Horió na hora marcada e encontramos o restante do grupo. Lá, deixamos os carros de passeio e abarrotamos os 4x4, que por sorte eram o suficiente para levar todos e tudo; um Vitara do Vassílis, um Niva do Vangélis e um Honda do Yannis. A Vassoúla não estava presente, mas viria mais tarde e subiria com o Jimmy (Susuki).

De Néo Horió partimos para Madaró o último vilarejo antes da subida para o refúgio Vólikas, uma estrada de cerca de 8 km, de terra/pedra em péssima condições. Em Madaró aliviamos um pouco a carga dos carros, pri
ncipalmente o Honda que é uma destas farsas estilo EcoSport, transferindo algumas mochilas e equipamentos para a caminhonete do Spiros que nos esperava lá, uma Nissan velha que lembra as Toyotas.

Vinte minutos de subida até os primeiros sinais de neve, e mais dez até vermos uma curva coberta de neve que interrom
peu prematuramente a subida de carro. Descarregamos tudo, vestimos gaiters (proteção para evitar a entrada de neve na bota) e seguimos a pé, para ver que poucos metros depois a neve terminava e teria sido tranquilo passar de carro. Cerca de 100 metros depois a estrada terminava e começamos a subir uma encosta relativamente íngreme e acidentada, com pedras e arbustos, parcialmente coberta de neve, um perigo para as articulações. Em não mais do que 20 minutos chegamos ao refúgio. Cada um escolheu sua cama, ajeitou suas coisas e fomos para a primeira conversa oficial do curso, onde o Alekos se apresentou, falou um pouco da história dele e do montanhismo e quis saber um pouco de cada um.

Na sequência preparamos a janta, macarrão com molho e salada. Durante a preparação, um pequeno grupo, no qual me incluo, ficou na cozinha batendo papo e passando frio e detonando um saco de amendoins torrados com casca. Ao contrário do Vroutsis que abominava bebida alcoólica e cigarro, o Alekos não deixou de fumar para subir na montanha e ainda curtiu tsikoudiá (ou rakí), um cachacinha típica de Creta, com direito a brinde e tudo.

Depois da janta já era tarde e sem muitas delongas aos poucos fomos para cama, com uma neve tímida caindo do lado de fora.

Sexta-feira (13/03/2009)

Acordamos ba
stante tarde, por volta de oito horas. Depois do café, devido ao tempo ruim - estava nevando - aproveitamos para fazer uma parte teórica do curso. Mais uma vez ele falou de vestuário e equipamento, como tinha sido com o Vroutsis, bastante mais rápido, mas mostrando o equipamento. Aproveitamos também para ajustar os crampons nas botas.

Depois de ajustarmos os crampons, tomamos água e fizemos um lanche rápido antes da nossa primeira aula prática. Saímos apenas com piolet, já que ficaríamos perto do refúgio. Nem água levamos por orientação do professor. Mas ele acabou se empolgando e fomos nos afastando. Aprendemos como andar na neve, tipos de pisadas, e como andar usando o piolet como segurança. Revezamos a liderança para marcar as pegadas. Todavia, sem muitas orientações de como escolher uma rota, ou reconhecer lugares mais ou menos expostos de acordo com a qualidade da neve. A neve estava bem fofa. Uma camada de neve fresca de cerca de 15 centímetros tinha abaixo uma camada mais velha de neve que estava marrom, suja do período em que uma nuvem de areia Africana pairou sobre Creta, uma ou duas semanas atrás. A grande quantidade de arbustos e pedras também favorecem o derretimento da neve em alguns pontos nos fazendo afundar as pernas até a altura da cintura algumas vezes.

Caminhamos bastante e paramos em dois pontos diferentes, no primeiro para aprender a interromper uma queda quando não estamos usando piolet e no segundo para interromper uma queda com o uso de piolet. Praticamos bastante em todas as posições possíveis, de cabeça para cima, de cabeça para baixo, tórax para cima, tórax para baixo, e as possíveis combinações. Foi diversão garantida.

Na volta ao abrigo não teve muito bate-papo, preparamos o arroz com frango para a janta, e fomos deitar. O abrigo recebeu ainda mais 5 montanhistas que vieram passar a noite para partir no dia seguinte para outro refúgio. Devido ao vento intenso não foi possível manter a salamandra acesa por causa da fumaça que entrava e tivemos uma noite um pouco mais fria.

Sábado (14/03/2008)

A maioria acordou entusiasmada depois do primeiro dia de aulas e boa parte da manhã foi dedicada a aprender a fazer o nó oito duplo para encordar-se, e como fazer rapel usando mosquetão, oito, cordelete e fitas, dentro do refúgio (conteúdo a princípio, não contemplado pelo cronograma do curso). Para mim nenhuma novidade, exceto o fato dele insistir que o método ensinado é o melhor/mais correto. Já conhecia o método (que é o que aparece no manual da PETZL) mas não usava. Resolvi adotar daqui em diante e é de fato bem confortável, e resolve o problema que sempre tive em mente ao usar o autoblock na perneira da cadeirinha, que em caso de rompimento do anel de segurança ou do próprio mosquetão ou freio, deixaria o escalador em uma posição desequilibrada. Outra coisa interessante foi amarrar o cordelete do autoblock com um nó de fiel no mosquetão ao invés de deixá-lo solto.

Depois de muitas tentativas e de duvidar que a maioria consiga repetir um rapel em segurança, saímos para a parte prática. Revisamos como caminhar na neve, e fomos para um local protegido do vento, que passava dos 50 km/h com rajad
as de até 80 km/h, reduzindo sensivelmente a temperatura. Neste local, aprendemos a fazer buscas por vítimas de avalanches (fora do currículo), primeiro usando uma ponteira para neve e improvisando com bastões de caminhadas e depois usando um par de ARVAs, que permitem encontrar muito mais rapidamente e com precisão uma vítima. Obviamente aprendemos também a cavar, usando uma pá para neve.

Enquanto alguns praticavam com o ARVA, os outros deram início a um abrigo
na neve, também excepcional ao programa do curso. Perdemos três horas fazendo o tal buraco na neve, o que para mim configurou uma extremo desperdício de tempo. Por alguma razão tola, ele quis que o abrigo tivesse tamanho suficiente para socar todo mundo dentro, e assim foi.

Quando terminamos o abrigo, descemos para perto do refúgio para fazermos a prática de rapel. Fui o primeiro a descer e o único a descer sem segurança por cima. A impaciência do Alekos enquanto eu arrumava com dificuldade o meu equipamento, por causa das luvas, fez com que eu tivesse que descer com a mão esquerda. A altura do rapel não passou dos seis metros, mas foi o suficiente para muitos ficarem emocionados, já que para a maioria era o primeiro rapel da vida. Apesar de ter sido legal ele fugir um pouco do programa para fazer isso, o treinamento foi insuficiente para habilitar os alunos a praticarem rapel por conta própria, se necessário.

Depois de um dia no frio, a sopa preparada com o resto do arroz do dia anterior, até que serviu bem os apetites. Chegou minha vez de lavar a louça, um grande sacrifício dada a temperatura da água. Depois da louça ainda tivemos uma aula sobre hidratação e nutrição na montanha. Foi necessário também fazer
minha estréia na latrina, um sucesso. O vento continuava intenso e passamos mais uma noite sem a salamandra ligada. Nada que um saco de dormir de verão mais uma coberta do próprio refúgio não resolvesse.

Domingo (15/03/2009)

O último dia foi o dia de experimentarmos os crampons mesmo a neve estando relativamente fofa. Aprendemos desta vez como andar na neve, em diferentes situações com o uso de crampons e as diferenças de quando não o usamos.

Caminhamos bastante até uma calha de neve onde o Alekos demonstrou uma ascenção com o uso de segurança por corda. Obviamente desnecessário o uso de corda, já que tínhamos praticado quedas num lugar tão ou mais inclinado, a demonstração fez sucesso e mais uma vez elevou os ânimos de todos que se sentiram passando limites subindo encordados, muito legal.

No topo da escalada aprendemos muito superficialmente e sem prática a colocar o espeque de neve para segurança, a fazer o deadman, em poucas palavras enterrar na neve um espeque de neve ou um piolet ou qualquer outra coisa que sirva para fazer uma ancoragem. Aprendemos também a fazer o snow bollard, outro tipo de ancoragem na neve (ver foto).

Depois de aprender sobre ancoragens nos encordamos em duas equipes para aprender um pouco como andar encordados e travar quedas individuais ou em grupo. A prática foi legal, mas deu de ver também que poucos se lembravam como fazer o nó oito. Pouca instrução foi dada também de quando optar por este tipo progressão. Fora o uso de crampons tudo neste dia foi ensinado além do programa, e terminamos praticando um pouco de segurança de corpo na descida de um barranco pedre
goso. Descemos de volta para o refúgio. Chegou a hora de empacotar as coisas e descer para casa. Depois da neve no primeiro dia dificilmente nevou e os dias bons, algumas vezes encobertos foram suficientes para dar fim na neve nas partes mais expostas.

O segundo final de semana de curso terminou com uma jantar de confraternização no vilarejo de Arméni. Para o próximo encontro, já na próxima semana o planejamento é passar três noites em Psiloritis e fazer o cume mais alto de Creta e depois voltar por duas noites em Vólikas para fazer o Spatí, um cume de dificuldade moderada acima dos dois mil metros de altitude.

Link para o álbum desta publicação: Curso: final de semana 2


domingo, 8 de março de 2009

Detesto carnaval

Detesto carnaval. Curioso como o fato de eu ser brasileiro faz todo e qualquer grego achar que eu adoro futebol e carnaval. E o pior é que quando digo que não gosto, eles não se conformam, não entendem como pode um brasileiro não gostar destas coisas.

Mas como sou muito curioso, este ano fui a Réthymno para ver como é o segundo maior carnaval da Grécia. O desfile acontece no último final de semana do carnaval (sim, aqui o carnaval acontece em mais de um final de semana), no domingo (01/03/2009). Este ano o desfile iniciou-se às 14h00 e nem quero saber que horas acabou. É deprimente, o barulho pelo barulho, bagunça pela bagunça, e uma falsa alegria estimulada por nada menos que a bebida. Pode ser uma visão um pouco amarga de alguém que já foi sabendo que não ia gostar, e não gostou!

Mas nem tudo foi perdido, a viagem só aconteceu porque antes de ir para o Carnaval, fomos escalar em Kalypsos, Natasa, Kostas, Anamaria e eu. Também apareceram lá o Christos, o Vassílis e uma menina.

Antes de ir para Kalipsos, passamos no caminho em uma oficina, já na região de Réthymno para ver um muro de escalada bacana que alguém montou. O Spiros e Álkis estava praticando no muro. Os dois escalam pouco e bastante mal. São pessoas grandes e usam apenas as mãos. Mas são basante simpáticos. Um deles está fazendo o curso intermediário de montanhismo e o outro vai fazer o básico junto comigo. O Kostas experimentou um pouco o muro. Eu não estava afim, não queria perder o dia bonito escalando num muro.

Mas ao contrário do que eu esperava, tinha vento em Kalipsos e estava desgradável escalar lá, muito frio. Fiz apenas duas vias. A Natasa escalou uma e o Kostas três. O Kostas ficou escalando com o Christos e nós fomos embora para o Carnaval. Foi a primeira vez que o Christos e o Vassílis foram em Kalipsos, só para aquecer. Depois desceram para Plákias, onde tem via para desafiá-los.

Imperdível foi ver o Psiloritis, a cadeia de montanhas da região central de Creta e a mais alta com quase 2500 m de altitude, carregada de neve, bem mais neve do que o Lefká Óri, em Chaniá!

Link para o álbum desta publicação: Detesto carnaval

quarta-feira, 4 de março de 2009

Retomando

No último sábado retomei a escalada. Fui com o Kostas no Monte Várdia. Praticamente nenhuma novidade, exceto que boa parte do setor está com a base das vias completamente tomada por cocô de ovelha e que o fazendeiro se enfezou com os escaladores que deixam as "porteiras" abertas e amarrou uma delas com uma quantidade irritante de arames.

O Kostas escalou a Zéstama e armou top-rope em outras duas vias de VIsup. O vento gelado que deixa a mão sem sensibilidade e doída foi a principal dificuldade em ambas as vias que possuem o crux em bidedos rasos, já bem perto do final.

Aproveitei também para testar a nova máquina fotográfica que adquirimos, uma Sony Cybershot DSC-W170, que veio para substituir a outra que estragou. A máquina cumpriu a tarefa!

Link para o álbum desta publicação: Retomando

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Barra

As chuvas deveriam ter começado em setembro, mas não choveu muito até há poucos dias. Isso inclusive deu muito o que falar por aqui em meados de outubro em virtude de uma possível queda na safra de olivas e consequentemente na produção de óleo. Mas a chuva chegou aos poucos e desde o início de fevereiro tem chovido diariamente. Os últimos finais de semana, inclusive em janeiro, foram chuvosos e não consegui ir escalar.

Para este semana a previsão também não era das melhores e de fato, choveu hoje quase o dia todo. Mas no meio da tarde o tempo abriu e resolvi encarar o Monte Várdia. Não tinha ninguém para me acompanhar. O céu claro que eu via daqui de casa estava um pouco diferente lá do Monte Várdia, de onde tem-se uma visão ampla de oeste e norte. Mas a pedra estava seca, tirei sapatilha, capacete e saco de magnésio e comecei a escalar; uma pequena travessia na base de algumas vias. Estava frio e logo os dedos ficaram sem sensibilidade. Obviamente não suava nada e o saco de magnésio acabou servindo apenas para fins estéticos. Curti uns 15 minutos de escalada quando a cortina cinza formada pela chuva chegou perto demais. Consegui chegar no carro logo que os primeiros pingos de chuva começaram a cair por ali.
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Sabendo das condições chuvosas do inverno cretense comprei ainda em outubro uma barra de exercícios, destas que se coloca na porta. Quero dizer, não foi bem assim. Comprei no Lidl, uma rede de supermercados alemã que é algo entre um Angeloni e um Makro, mas com cara de mercadinho da esquina. Além de alguns produtos convencionais, o Lidl traz semanalmente novas ofertas de coisas que não precisamos. Uma barra na porta era um sonho de criança que nunca fiz questão de realizar. Mas quando cheguei no Lidl e vi ela disponível, criei esta desculpa no início do parágrafo e comprei. Melhor que qualquer barra que já tenha visto, ela permite fixar duas peças de sustentação na forra da porta, o que tira um pouco aquela sensação de insegurança que acompanha estas barras. A barra está ali e me penduro de vez em quando, mais quando não está chovendo do que quando chove. O fato é que não sei bem o que fazer fora me puxar... Alguém tem alguma dica de treinamento?

Link para o álbum desta publicação: Barra

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Andando na neve

Para tirar proveito do bom tempo deste domingo subimos as montanhas em direção ao Platô de Omalos, uma área plana em meio às montanhas. De lá seguimos um pouco mais adiante até a entrada da Garganta Samariá, o mais famoso canion de Creta.

A Garganta Samariá, que espero poder percorrer este ano, fica fechada durante o inverno e abre para os caminhantes de abril a outubro. São cerca de 6 a 7 horas de caminhada desde as montanhas até a costa sul de Creta. Darei mais detalhes quando fizer o passeio.

Do mesmo lugar ficamos de frente (ou de costas) para Gigilos, uma montanha de pedra com seu cume acima dos dois mil metros que oferece mais de 10 vias de escalada 100% tradicional que se estendem por centenas de metros descritas no guia de escalada de Chaniá. Para chegar à base das vias é necessário mais de uma hora de caminhada e pelo menos três para descer do cume andando. Devido à neve obviamente não pode ser escalada agora, mas se tiver a oportunidade terei prazer em tentar em outro momento (mas tenho que me preparar antes).

O mesmo caminho que leva a Gigilos passa por Linoseli, onde estão as Agulhas de Gigilos, agulhas de pedra também descritas no guia que oferecem uma dezena de vias (registradas) em móvel de até 100 m de extensão.

Como não dava para escalar, fomos apenas para passear e fizemos parte da trilha que faz parte do E4 Path. Apesar da pouca quantidade de neve nas montanhas, o trajeto está quase todo nevado e pudemos andar um pouco na neve velha, de botinha mesmo.

Não foi nada de mais, mas "brincamos" um pouco na neve, conhecemos o ponto de partida para percorrer a garganta e ficamos cara a cara com o gigante Gigilos!

Link para o álbum desta publicação: Andando na neve

sábado, 31 de janeiro de 2009

Curso: final de semana 1

Sábado dia 24/01/2009, chegou o início do tão esperado curso de montanhismo. O ponto de encontro foi o vilarejo de Askífou, a leste da cadeia de montanhas Léfka Óri, um pouco antes do início da Garganta de Imbros, na região de Chaniá. Fui o último a chegar às 11h30 com meia hora de atraso. Entrei na taverna indicada pelo Vangélis, um estabelecimento tipicamente cretense em péssimas condições - mas ninguém parecia dar bola -, com funcionários tipicamente cretenses, com cabelo, barba e bigode bem escuros e feições locais.

Em uma mesa (obviamente) cheia de xícaras de café vi o grupo reunido. Já conhecia todos os participantes, apenas 7 (8 comigo) dos 10 inscritos (Yanis, Maria, Leonídas, Dimítris, Giorgos, Panaiótis e Vasúla) , o assistente do instrutor, o Vangélis, e fui introduzido ao instrutor, o Vangélis! Ao contrário do que estava combinado ficamos na taverna até chegar outro grupo que estava com a chave do abrigo. Em meio ao ruído de uma TV e de locais jogando cartas, começou o curso.

Praticamente um bate papo, primeiro ele ouviu de cada um qual era a experiência com montanhismo e quais as expectativas com o curso. Em seguida deu um panorama muito breve sobre o curso, mais para confirmar as datas e locais dos próximos encontros do que comentar o conteúdo que será abordado, que de certa forma ainda é uma incógnita.

Na sequência começou a falar sobre equipamentos com poucos detalhes sobre os equipamentos técnicos que veremos mais tarde, mas focando no vestuário, saco de dormir e mochila. Uma pena que, exceto pela mochila que ele inclusive explicou como regular, nenhum outro equipamento teve um exemplar exibido durante a palestra. O tempo passou voando, foram cerca de 5 horas de exposição, incluindo pequenas pausas para descanso. Em uma das pausas degustamos deliciosas Sfakianópitas (panquecas recheadas com queijo local e cobertas com mel), especialidade local. Quando o outro grupo finalmente chegou e começamos a subida para o refúgio de montanha de Távri, também se juntaram a nós a Anastasía e a Lída.

Apesar de ser possível ir de carro até o refúgio, subimos apenas um trecho de carro até o início da trilha, onde entregamos nossa comida para o grupo que subia de carro e seguimos a pé. A trilha é um zig-zag bastante íngreme em solo rico em matéria orgânica e com muitas pedras, ótima para acidentes. A vegetação é predominantemente de algum tipo de pinus até nos aproximarmos dos 1000 m de altitude, quando a vegetação baixa e espinhosa típica de Creta e pedras passam a predominar.

Em cerca de 1 hora de caminhada chegamos ao refúgio já durante o entardecer. O outro grupo era formado por cerca de 40 crianças e mais uma dúzia de adultos os acompanhando. Eles subiram a trilha conosco comportadamente, mas ao chegar no abrigo a algazarra começou.

A 1200 m do nível do mar em meio a alguma neblina e a luz fraca do entardecer pude ver dois ou três picos acima de 2000 m e notar que todos estão com pouca neve, basicamente em encostas colos e depressões mais protegidos do sol e do vento. Apenas por volta do Natal as temperaturas caíram e nevou bastante. Desde então o clima está ameno. Não chegou a ser uma decepção pois no trajeto por estradas do interior e mesmo da cidade já era possível ver que falta neve neste inverno.

A edificação do refúgio é maior do que eu esperava, uma casa de dois andares mais um porão. Arquitetonicamente está longe de ser charmoso, mas oferece uma infraestrutura boa. O interior um pouco desorganizado é todo mobiliado e pode ser aconchegante. No andar térreo há uma sala para deixar as botas antes de entrar que tem a disposição sandálias de borracha. Dois banheiros com pia e patente (vaso sanitário), uma sala grande com lareira, bancos e mesas, e uma pequena cozinha equipada com fogão industrial de duas bocas, pia, armários e utensílios de cozinha, como talheres, panelas e pratos, completam o andar térreo. O porão serve de depósito e o andar de cima também tem dois banheiros, e está dividido em três quartos com beliches oficialmente com 40 lugares. Um gerador a diesel na parte externa do refúgio fornece energia elétrica e há água quente pelo menos na cozinha. Não parecia ter no banheiro apesar das torneiras de água quente existirem. Também não vi chuveiro, e para ser sincero, vi pouquíssimas pessoas indo ao banheiro para higiene pessoal, como lavar as mãos e escovar os dentes (não estou querendo insinuar nada).

Entramos no refúgio e ocupamos um dos quartos, com 12 lugares, exatamente do tamanho do nosso grupo onde deixamos as mochilas. Sem tempo para descanso nos reunimos numa mesa para retomar a aula. Mesmo com a lareira ligada estava frio dentro e boa parte do tempo fiquei com luvas de lã e com touca. Não fiquei sabendo a temperatura externa, mas a interna não passou dos 14 graus mesmo com a lareira a todo vapor. Nos quartos não tinha lareira e obviamente estava bem mais frio.

O tema para o resto do final de semana era orientação em montanha com uso de mapa e bússola. Não temo dizer que a aula não foi muito bem preparada, exceto por cópias do mapa da região onde estávamos, transferidor, escalímetro e bússolas. Porém foi muito boa, mesmo com a algazarra dos adultos e crianças que ocupavam a mesma sala. Como já tinha aprendido a maior parte do conteúdo no passado, foi bastante fácil entender em grego o que ele dizia e serviu como uma ótima revisão para o assunto e para lembrar coisas que já tinha esquecido. Ele explicou como fazer leitura do mapa, escalas, medir distâncias, estimativas de tempo e distância do percurso, como saber onde estamos com base em acidentes geográficos, como identificar acidentes geográficos sabendo onde estamos, entre outras coisas. Impressionante ver como as pessoas tem dificuldades com estas coisas, principalmente na parte matemática como escalas e estimativas de distâncias usando o conhecido triângulo de pitágoras. A Anastasía e a Lída que já tinham feito o curso ano passado e a primeira que está fazendo agora o curso intermediário praticamente refizeram o curso uma vez que não se lembravam de praticamente nada e mostraram as mesmas dificuldades os novos alunos. O último conteúdo do dia foi como planejar uma rota no mapa. Planejamos uma rota didática para ser seguida no domingo. Foram cerca de 5 horas de exposição, com duas pequenas pausas para descanso, mais uma meia hora para a janta, macarrão com atum no molho de tomate e salada.

Depois da janta, que foi muito boa, fomos fazer uma atividade com bússola no lado de fora do refúgio, numa região plana. A idéia do exercício era basicamente dado um ponto de partida e uma direção, desenharmos um hexágono e terminarmos no mesmo ponto. Fomos divididos em duas equipes de quatro pessoas. As distâncias foram medidas com duas cordas. Ingenuamente uma das cordas usadas foi a minha a pedido do Vangélis assistente. Sem saber bem para que seria usada a corda, mas achando que seria para ensinar algo a respeito de nós ou encordamento, levei a corda solicitada. Na hora do jogo ele pediu a corda e não consegui me sentir confortável em dizer que não, estragar o curso e criar um clima. O resultado foi uma corda de escalada completamente embarrada que tive que lavar ao chegar em casa e de onde tirei mais de 100 espinhos com pinça.

Durante o exercício me senti de volta ao escoteiro. Quando me dei conta eu já estava sendo arrastado pela corda na tentativa de completar o exercício o mais rápido possível. Meu grupo não entendeu muito bem o propósito do exercício (praticar o que foi aprendido na aula) e fez tudo correndo para ganhar a partida. No final das contas, só um usou a bússola, dois recolheram a corda e outro ficou de ponto de referência. O outro grupo levou 3 vezes mais tempo do que nós para completar o exercício, mas todos praticaram. Depois do exercício voltamos para o refúgio já passando de uma da madrugada, para deitar e acordar no dia seguinte as 7 horas da manhã.

Acordamos como combinado, mas logo veio a aviso de relaxar. Alguns adultos do grupo das crianças estavam dormindo sobre as mesas no andar de baixo e teríamos que esperar eles acordarem para descermos para tomar café e começar a aula. Ganhamos uma hora extra de sono.

Depois do café da manhã, com chá, pão, queijo, margarina e mel, nos aprontamos rapidamente para seguir o percurso planejado na noite anterior. A rota foi totalmente didática. Traçamos a rota a partir do refúgio passando atravessando uma estrada. Depois subiríamos até o pico de uma elevação de cerca de 150 a 200 m e para depois descer pelo outro lado e chegarmos na mesma estrada que cruzáramos antes. Dali seguiríamos por uma crista até um pico com cerca de 2100 m, o Kastro. Saímos os 12 para começar o exercício mas o mal tempo fez o Vangélis assistente, a Lída, a Anastasía e o Leonídas desistirem. A Vasúla deixou o refúgio cedo pois tinha que trabalhar. A chuva fraca não foi um problema até atingirmos o ponto médio do nosso trajeto, o pico da elevação. Depois disto o vento aumentou significativamente a ponto de nos desequilibrar e a chuva também; descemos sob péssimas condições. Chovia deitado e não demorou para minha calça não impermeável ficar encharcada. Logo minha bota começou a falhar na lingueta, antes da propria água que escorria pela perna ensopar meus pés. Quando atingimos novamente a estrada não continuamos a rota até o Kastro. Não sei bem se era isto o planejado ou se não continuamos por causa da forte chuva e vento. Mas o fato é que quando o professor disse que tínhamos terminado o exercício e nos saído muito bem, o Dimítri estendeu a mão para mim e gritou "Aeee Rodrigo", celebrando a aventura, que para mim foi só mais um passeio na chuva. mas foi muito legal ver a animação dele e também dos outros. Tiramos até foto.

Voltamos ao refúgio ainda sob chuva e vento. Na chegada foi engraçado ver o Giorgos pedindo a atenção para mostrar ele virando a bota dele como se fosse um caneco para mostrar a água caindo. Troquei apenas as meias, já que em menos de duas horas começaríamos a nossa descida. Enquanto isso, eu e outros na mesma situação ficamos plantados em frente à lareira secando. Fizemos toda a descida pelo mesmo trajeto da subida, sem chuva, a qual voltou forte logo que chegamos no carro.

De maneira geral o primeiro final de semana de curso foi bom. A parte teórica, principalmente a parte de orientação foi muito boa. Uma pena que não incluíram também o uso de GPS. A parte prática deixou a desejar, mas é fato que foi prejudicada pela chuva, razão pela qual descemos do refúgio por volta de 13h30, quanto o planejado era 16h00. De toda maneira a idéia é praticarmos mais um pouco nas próximas aulas, quando o planejamento de rotas deverá ser ensinado não apenas com base no mapa, mas também com base nas condições da montanha.

O grupo é legal. Todos parecem bastante entusiasmados. O Giorgos apesar de ter mais de 20 anos ainda é um pouco crianção e levou duas ou três mijadinhas legais sobre como se comportar em equipe. O Dimítris e o Yannis apresentaram alguma dificuldade em entender a parte teórica, principalmente o triângulo de Pitágoras, mas estão entre os mais capazes para realizar trabalhos em equipe. Imagino que o trabalho deles exija este tipo de atitude. Os demais também foram bastante simpáticos e todos foram bastante atenciosos comigo, preocupados em que eu entendesse as coisas ditas em grego.

Um aspecto que preocupa é o fato de estar tarde e a próxima aula ser apenas em meados de fevereiro com introdução a escalada. Depois apenas em março iniciaremos as aulas na neve, quando pode ser tarde e nem mesmo ter neve para o curso. Para piorar a situação fiquei sabendo esta tarde pelo Kostas que o Vangélis instrutor faleceu hoje por causa desconhecida em uma montanha na região central da Grécia, provavelmente em virtude de um ataque cardíaco. Uma pena, pois ele foi muito paciente e atencioso, e era alguém que realmente sabia do que estava falando. Potencialmente o cronograma irá mudar com um novo instrutor ou até mesmo haverá o cancelamento do curso.

Fiz pouquíssimas fotos, e publicarei mais fotos quando receber a que os outros tiraram. Desculpem pela extensão do texto, mas o objetivo é registrar isto para eu me lembrar depois, e olha que devo ter esquecido de vários detalhes "interessantes".

Link para o álbum de fotos desta publicação: Curso: final de semana 1

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Curso: Acertos finais

Como foi noticiado aqui por uma ou duas vezes, pretendia fazer o curso de escalada na neve ou melhor, o "curso de montanhismo de inverno". Semana passada, na quarta-feira, fui no clube de montanha para me associar ao clube e para os acertos finais com todos os participantes. Mais uma vez fui recebido pelo gentil Yanis com que acertei minha inscrição e conversei um pouco sobre o Brasil, antes de a reunião começar.

Dos cerca de 14 interessados apenas 10 confirmaram participação no curso. Um dos obstáculos para a participação de alguns foi o fato de o curso começar sábado de manhã, implicando que aqueles que trabalham aos sábados perderiam parte do curso. O outro obstáculo é o curso estar começando tarde, final de janeiro, e se estender até abril ou maio, quando estabelecimentos comerciais de verão já estarão abertos e estas pessoas ficariam impossibilitadas de comparecer ao curso. Apesar de eu achar interessante o curso ser oferecido anualmente por uma instituição de montanhismo, de certa forma o modelo comercial que corre paralelamente no Brasil (onde poucos clubes oferecem curso) chega a ser interessante, uma vez que o interessado tem a possibilidade de agendar o curso como lhe convier, a um preço maior, é claro.

Mas por alguma razão obscura o mínimo exigido é de doze participantes. Mesmo assim o curso vai acontecer exatamente igual como seria com o mínimo exigido, mas com o rótulo de seminário(!?!?!). A implicação é que os participantes do "seminário" não recebem o certificado de conclusão do curso. A princípio isto não é grave, já que me (nos) interessa aprender, e não ganhar um pedaço de papel. O problema é que sem o pedaço de papel não podemos participar de outros cursos que tenham este como pré-requisito. Para fazer o curso intermediário por exemplo, pouco importa se houve prática e aquisição de experiência entre um curso e outro, ou se a pessoa aprendeu o conteúdo básico com o melhor montanhista do mundo; se tiver o papel faz, se não tiver, não faz.... Em todo o caso, se eu entendi bem, se no ano seguinte houver o número mínimo de participantes o certificado será emitido também para os que participaram do seminário este ano (!?!?!).

No final de semana seguinte à reunião, e que agora já passou, aconteceu o primeiro final de semana de curso. Em breve publicarei como foi!