domingo, 12 de outubro de 2008

Rapidinha

O tarde de domingo foi marcado por várias chuvas fortes de pouca duração, a primeira delas logo depois de fechar o zíper da mochila antes de ir escalar. A espera foi longa, sempre na expectativa de que o tempo melhorasse. Já no final da tarde houve um trégua clara e partimos para o Monte Várdia. A pedra estava úmida, mas nada que prejudicasse a escalada em boa parte das vias.

Para mudar os ares fui direto para a Στενές Επαφές (Stenés Epafés, ou relações estreitas) um VIIa que começa bem vertical e vai se transformando num diedrinho. A saída apresenta um pouco de inclinação negativa e é pobre em agarras para a mão, sendo que até a segunda chapeleta a progressão é feita usando-se agarras em pinça tipo as que encontramos em muros de escalada. A primeira chapeleta está terrivelmente mal posicionada e atrapalha um bocado o escalador. Tive que ficar dando orientações para a Anamaria ir para a esquerda, para a direita, mais perto, mais longe... Cheguei por três vezes no ponto para costurar a segunda chapeleta, mas não consegui uma boa posição. Desisti e fui escalar a Συκιά (Sikiá), e quem quiser saber como ela é, leia aqui. Foi uma escalada rapidinha e terminamos já de noite.

O planejamento é ir a Kapetanianá no próximo final de semana...

Link para o álbum desta publicação: Rapidinha

Presentes

A incerteza do tempo recomeçou por aqui. Difícil saber se vai chover ou não mesmo com as previsões meteorológicas dizendo que não. Só foi eu fechar o zíper da mochila e caiu uma chuva de pingos grossos por uns poucos minutos. Como choveu pouco e está ventando bastante vou esperar um pouco antes de ir escalar e enquanto isso farei uma pequena "resenha crítica" de uma das mais novas publicações de escalada nacional.

Fora a grande felicidade de ter a Anamaria de volta no último final de semana, fui agraciado com diversos presentes. Entre eles o livro Escale melhor e com mais segurança de autoria de Flávio e Cíntia Daflon (clique na figura), que me foi presenteado pelo Cristiano. Este livro chega para complementar a escassa coleção de livros introdutórios da técnica de escalada de autores brasileiros, alguns deles infelizmente "obsoletos" como o Manual do montanhista do Cristiano Requião, e também servir de suporte para outros livros "específicos" como o Dividir e Conquistar - técnicas de conquista do Alex S. Ribeiro. Além destes, cito o livro Cordas & Nós para montanhistas também do Cristiano Requião e Com Unhas e Dentes do Sérgio Beck. Para saber outros títulos nacionais sobre escalada e montanhismo recomendo o levantamento feito em 2007 disponível gratuitamente no site da Montanhar.

Irrelevante dizer, mas direi assim mesmo, que o conteúdo do livro compreende o conteúdo básico necessário para se iniciar na escalada e versa ainda sobre alguns tópicos avançados. As ilustrações em geral são boas, mas foram prejudicadas pela qualidade da impressão. O texto é corrido e de fácil leitura, mas achei um pouco desorganizado; muitos assuntos aparecem como pré-requisitos para outros, antes de terem sido devidamente apresentados. Por texto corrido, quero dizer que lê-se o livro como uma história e em várias partes falta "parar" o texto e realmente focar na técnica, apontar a figura e sistematizar o procedimento. O único capítulo que faz isto de fato é o de Auto-resgate, provavelmente pelo fato de ter sido baseado no livro de mesmo título (Self-rescue) do David Fasulo (Ed. Falcon Press). Isto pode tornar o livro bom para quem está acompanhando um curso, e de fato parece este o propósito, mas não o faz um bom livro de referência.

Os autores dão várias dicas interessantes, nem tão comuns em livros do gênero, reflexo da experiência deles. Além das dicas, gostei muito do capítulo Uma breve história do montanhismo e também dos capítulos finais sobre Treinamento, Nutrição, Prevenção de acidentes, Graduação e Meio-ambinente e ética. Longe de esgotarem os assuntos, estes capítulos alertam desde o princípio (supondo que se leia o livro todo antes de começar a escalar) para questões que poucos dão importância ou só sofrem cobrança quando já estão "viciados", lesionados e relaxados. Diga-se de passagem alguns destes capítulos deveriam estar no começo antes que o leitor se canse da leitura, claro que sob o risco de frustrar-se por querer logo aprender a usar o equipamento.

O grande diferencial que espero hoje de um livro de escalada é explicar as coisas e seus "porquês". Todos os livros sempre falam do julgamento que o escalador deve fazer baseado em seu conhecimento, criatividade e experiência nas mais diversas e adversas situações. Por isso acho que não basta saber como se faz, mas porque se faz. O escalador deve ser capaz de raciocinar para resolver problemas como um matemático, um físico ou um engenheiro fazem, e não consultar no cérebro uma gama de procedimentos assimilados. Este livro ainda não chegou lá, pelo menos não de forma objetiva.

O possível excesso de criticismo é uma característica minha, e se fosse fazer uma lista minuciosa ela seria muito maior. Levem isto em consideração... Concluindo, incluam este livro na biblioteca de vocês, leiam e indiquem para seus alunos se forem professores de escalada. Indicar este ou outro livro para os alunos, ao invés de apostila é valorizar a literatura de escalada nacional. Mas quem puder leia também outros livros, inclusive o Manual do Motanhista do Cristiano Requião que tecnicamente está ultrapassado, mas expõe com simplicidade única o que é a escalada, e não como algo sobrenatural como está na moda nos círculos de escalada hoje em dia.

domingo, 28 de setembro de 2008

TV Grega

Aqui em Chaniá, são 22 canais, 21 gregos e a TV5 (francesa). Entre os canais gregos estão canais públicos e privados, e canais nacionais e regionais. Alguns destes canais fazem coberturas esportivas. Apesar de o fazerem com menor competência do que os canais brasileiros, a cobertura é bem mais eclética. Durante as transmissões de Fórmula 1 eles interrompem a transmissão para passar propaganda. O mesmo algumas modalidades esportivas nas olimpíadas, em momentos inesperado, como por exemplo no momento que ia saltar com vara a campeã mundial. Por outro lado, muitos esportes que no Brasil só aparecem na TV a cabo, e olhe lá, ou em situações importantes (como Olimpíadas, finais, etc.) aparecem aqui frequentemente, como pólo aquático, lutas, campeonatos de natação, vôlei, basquete e é claro, futebol. Até para-olimpíadas teve uma cobertura relativamente ampla.

Neste um ano, mais de uma vez vi também documentários esportivos inclusive sobre montanhismo; um inglês sobre escalada no Everest, um francês sobre escaladas no Himalaia e outro francês sobre escalada em Kalymnos. Os eventos esportivos locais, em Creta, também aparecem na TV (nos canais regionais, claro). Por exemplo, os eventos dos clubes de iatismo, do clube de tiro, e é claro do clube de montanhismo.

Este final de semana aconteceu na região leste de Creta o encontro Cretense de Montanhismo com participação de todos os clubes locais. Pena que não estou frequentando o clube e não fiquei sabendo. Alguém alguma vez soube da abertura de temporada de escalada e montanhismo e SC pela RBS? O evento teve cobertura dos jornais televisivos dos três canais locais, e olha que era só um encontro, não tinha competição nem nada. Da mesma forma o festival Grego de filmes de montanha ano passado também teve cobertura televisiva.

Igual ao Brasil...

Comentários sobre a publicação de ontem:
Hoje choveu e não fui escalar.

Sobre o clube: ontem quando a menina foi falar com o Apostólis sobre parceiros de escalada, ele disse que no clube não tem ninguém, só os velhos se reúnem para ir passear nas montanhas, os jovens que escalam têm que ser encontrados na pedra mesmo....

sábado, 27 de setembro de 2008

Estreando

Hoje à tarde me encontrei com o Apostólis aqui perto de casa, pegamos um amigo dele chamado Kostas e fomos a Thérisso. O objetivo era "estrear" duas novas vias, pouco depois da entrada da garganta de Thérisso. Estas duas vias foram abertas há menos de um mês. Quando fui escalar em Thérisso como Christos pela primeira vez, antes de chegar no Jardim Suspenso vi dois caras escalando, ou melhor, abrindo estas vias.

Não sei o nome delas e as chamarei de A e B. A graduação da A, com cerca de 35 m, é algo como um VIsup/VIIa e a da B, com cerca de 15 metros, um VIIa, mas pode ser que eu esteja enganado (para cima). Fui o primeiro a escalar e entrei na A. A via começa num boulder de uns 3 metros que dá acesso a um platô e então à via, protegida com chapeletas. Passei o boulder facinho e continuei até pouco antes da metade e amarelei. Desci para o Apostólis tentar. Ele não encadenou, mas foi até o final. Enquanto ele escalou, com segurança do Kostas, chegou um cara bem gente fina, chamado Nikoforos. Ele entrou na via B com segurança minha. Ele também não encadenou. Na próxima rodada, o Kostas entrou na A em top-rope e parou no crux, e eu encadenei a B em top-rope, com uma ajudinha do segurança. O crux é um tetinho bem pequeno que quase não tem é mais difícil, já que a via toda é levemente negativa com poucas agarras nem sempre muito boas.

O Apóstolis e o Kostas também escalaram a B, com o Apostólis guiando. O Nikoforos guiou a A também sem encadenar e entrei em seguida em top-rope. Encadenei e vi que o lance onde eu tinha amarelado era bem mais fácil do que parecia. A via alterna agarrões com agarras pequenas e perto do final vai ficando levemente negativa, com dois crux bem negativos antes do final. As agarras machucam bastante as mãos e a falta de uma "carapaça" dificulta a escalada.

Das outras vezes que escalei em Thérisso já tinha notado isso, mas desta vez muitas pessoas pararam para ver e tirar fotos. Algumas começaram a gritar piadinhas para os escaladores que se irritaram um pouco (eu não entendi). Um casal de moto também parou para pedir informações sobre parceiros para escalar (em grego), pois estão morando em Chaniá e a mulher escala, mas está sem parceiro. Vieram pedir informação logo para mim....

Antes de irmos embora ainda subimos mais 1 km para ver outra via nova, que talvez tentemos amanhã. Tomara!

Link para o álbum desta publicação: Estreando

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Quer subir na vida?

Recebi por e-mail um link para uma página de humor na internet, a Rádio Camanducaia. Não é sobre escalada em Creta, mas achei interessante divulgar. E é claro que tem relação com escalada. Ouçam na seção "Reclames" aquele sobre Alpinismo.

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Seguindo links

No final da tarde de hoje li um artigo sobre controle de tráfego, mais especificamente (e simplificadamente) sobre o uso de controladores de bordo (em carros) para evitar a formação de congestionamentos. O artigo tem um link para um simulador de tráfego online.

Dei uma brincadinha com o simulador, diga-se de passagem bem divertido, e da página do simulador fui para a página de um dos caras que o desenvolveu, e co-autor do artigo, Dr. Martin Treiber da Universidade Técnica de Dresden. Dei uma lida na página dele, vi uns vídeos do simulador 3D (que foi o que me levou até lá), .... legal.

Vi os links em inglês, pulei os em alemão, e cheguei no canto inferior esquerdo ocupado por um desenho discreto que parecia uma chapeleta. Passei o mouse em cima e ...

Briquem também com o simulador de tráfego e vejam o que está escondido "debaixo" do desenho da chapeleta!

domingo, 21 de setembro de 2008

Como se eu fosse louco

"O melhor escalador é aquele que se diverte mais"
Desconheço o autor desta frase, mas li ela num folder da ACEM elaborado pelo Fabrício Mendonça. Deixando um pouco de lado a parte do "melhor", é por aí que vejo meus objetivos dentro da escalada; me divertir. Voltando agora à parte do "melhor", hoje eu estava entre os melhores do mundo, pois me diverti pra ca... e vocês já saberão porque.

Vamos pra pedreira?
Os dias chuvosos (duvidosos) dos escaladores em Florianópolis no ano de 2005, tenho convicção, foram marcados por esta pergunta. A fissura ou a loucura por escalar pode levar escaladores ao desespero em dias chuvosos. Eu mesmo fui várias vezes para a Pedreira do Abraão em dias de chuva, principalmente no verão. A expectativa era que a pedra secasse rápido (e secava) e mais de uma vez escalei, choveu, fiquei esperando secar e escalei de novo.

Depois de quase 5 meses sem chuvas em Chaniá voltou a chover no final desta semana. A manhã de hoje foi a chuva mais intensa; a primeira que molhou pra valer. Com os ânimos detonados, principalmente pelo fato de que o plano de escalada para ontem era conhecer um novo setor em Réthymno (aprox. a 1 hora daqui), me dediquei à faxina. Esqueci do tempo, mas por volta de 17h00 o sol brilhava e algumas Cumulus Nimbus no céu não pareciam ameaçadoras. Perguntei para mim mesmo "Vamos pro Monte Várdia?" Depois de um período de indecisão, verifiquei a meteorologia na internet que indicava chuva apenas para a meia-noite. A resposta foi sim!

Contato
Pode parecer bobagem, mas duas coisas me estimularam a encarar o Monte Várdia hoje. A primeira foi a curiosidade de saber o quão rápido a pedra secaria, e se a parte com o teto molhava em dia de chuva. Praticamente a parede toda estava seca, com alguns pontos molhados, evidentemente, em partes planas e em fendas por onde a água escorre, inclusive em algumas partes do teto onde se forma uma caverna na pedra (e não no chão). A segunda motivação pode parecer mais bobagem ainda, mas para mim é algo que faz total sentido e, de fato, minha experiência diz que funciona.

Quando eu treinava natação, meu treinador dizia que mesmo doente ou lesionado, o ideal era o atleta freqüentar a piscina, para que o corpo, principalmente a palma da mão, mantivesse o contato com a água. Acho que para a escalada vale o mesmo e um pouco mais. Mesmo que as chances de escalar sejam pequenas, ou que a pedra molhada permita escalar poucas coisas, vale ir no setor só para ter contato com a pedra e com o ambiente. Só a caminhadinha do carro até a pedra, sentindo o cheiro da terra molhada (e de cocô de ovelha) já fez valer a ida.

Equipamento básico
A expectativa de encontrar alguém era zero. Resolvi levar apenas minha mochila "auxiliar", uma Mateiro 10 da Kailash, com o mínimo necessário: saco de magnésio REI (com magnésio), par de sapatilhas Anhangava da Snake ano 1996 ressolada, 750 ml de água da torneira, máquina fotográfica Fujifilm Finepix A200 2.0 Mega Pixels, lanterna de cabeça Tikka Plus Petzl, celular, documentos e um guarda-chuva (tenho um Anorak, mas neste caso um guarda-chuva era melhor). Como a temperatura no meu jardim era de 20 graus Celsius (pelo menos 10 graus a menos do que o mesmo horário uma semana atrás) e estava fresco, levei a tiracolo um fleece Trilhas e Rumos. O fleece se mostrou desnecessário e como saí antes do sol se pôr não precisei da lanterna. Ninguém pediu meus documentos e ninguém me telefonou... O resto foi indispensável!

Dizem que sou louco por pensar assim
Se eu sou muito louco por eu ser feliz
Mas louco é quem me diz
E não é feliz, não é feliz

Música dos Mutantes que já foi gravada por outros e fez sucesso numa propaganda da APAE (SC?), bem que poderia compor o primeiro parágrafo desta publicação. Mas coloquei ela por outro motivo. Uma coisa que me faz rir e já vi que acontece com muitas pessoas, é a tarefa de colocar a máquina para fazer uma foto automática e sair correndo para aparecer na foto (pena que hoje já tem algumas com controle remoto). Em geral eu rio, independente dos tropeços de quem (mesmo eu) corre para aparecer na foto.

Em janeiro de 2005 vim para a Grécia pela primeira vez, sem nem sonhar que voltaria um dia para fazer doutorado. Apesar de ter trazido um equipo básico, não consegui escalar daquela vez, até mesmo porque choveu direto. Modifiquei as datas das minhas passagens para depois de 10 dias de trabalho, ir passear em Atenas e depois ir à Madri me encontrar com o Octávio, que morava em Portugal. Em Atenas sozinho, inverno, chovendo, diversas vezes faltou outro turista de bom coração para tirar fotos minhas. Só me restou apelar para as fotos automáticas. Em algumas ocasiões durante o processo, de posições estranhas para posicionar a máquina, de sair correndo, sozinho e rindo, eu era surpreendido por pessoas que me viam e riam, como se eu fosse louco...
Voltando ao "presente", cheguei ao Monte Várdia e me faltava um estímulo para começar a me "pendurar". Resolvi fazer fotos. Fiz uma pequena panorâmica da parte de tetos, onde concentrei minha escalada hoje. Achei que não poderia fazer mais do que isso, pois estava sozinho, mas a minha poderosa máquina fotográfica de 2 MP faz fotos automáticas! Lá estava eu correndo e rindo feito um louco tirando fotos automáticas, mas sem ninguém ver. Estava sozinho e mesmo assim me diverti!

Treino de potência
Não sei se para a escalada é assim, mas quando eu treinava natação, as séries de potência duravam cerca de 45 minutos e podiam ser, por exemplo, 6 tiros de 75 m a cada 7 minutos. Ou seja, eram esforços de curta duração com descanso grande. Por conta das fotos, durante boa parte da escalada de hoje foi isso o que fiz. Preparava a máquina, saía correndo, escalava o mais rápido que conseguia e esperava a foto bater. Nem sempre esperava a foto bater, pois a máquina era mais rápida que eu. Enquanto planejava a próxima foto ou me preparava para repetir uma que deu errado, descansava um pouco. O duro era correr por cima de cocô de ovelha e depois não patinar o pé na pedra... Suei bastante por causa da corrida e os braços cansaram bastante por conta dos negativos.

O sertão vai virar mar
Dá no coração
O medo que algum dia
O mar também vire sertão

Não gosto deste estilo "cult" de ficar falando de música e etc., mas vou fazer isso pela segunda vez nesta publicação. Conheço esta música por causa de um dos discos "Um Barzinho, um Violão", na participação do Biquini Cavadão. E gosto da música. Esta parte de tetos do Monte Várdia, que deve ter algo como 20 metros de largura, tem uma variação enorme do tipo de pedra (pretendo no futuro publicar detalhes sobre a geologia de Creta). Difícil descrever como são estas variações, mas variam de partes lisas parecendo mármore a partes que parece que a superfície foi forrada com espinhos grandes. Algumas partes são extremamente arenosas e frágeis. Principalmente nesta parte e em suas proximidades, estão evidências incontestáveis, até para um ignorante como eu, que ali já foi mar. A superfície do material em vários pontos parecem um aglomerado de conchinhas, corais e cracas. Em um lugar próximo a uma boa agarra, em uma parte um pouco mais firme da rocha, fotografei uma concha incrustada na pedra. Evidências assim, a Anamaria também encontrou em Kalathás.

Fechem as porteiras!
Ao contrário das últimas vezes que fui no Monte Várdia a "porteira" estava fechada. Abri, entrei e fechei, como ditam os bons costumes. Estava fotografando a pedra, já depois de pelo menos uma hora por lá, e chegou um pastor com o filho pequeno trazendo as ovelhas. Ele me perguntou alguma coisa que não entendi, mas puxei a conversa tentando lembrá-lo que a primeira vez que fomos lá encontramos ele. E ele lembrava, até que eu era da América. Ele continuou o pastoreio e depois deixou o resto na mão do filho e conversamos um pouco sobre o que eu fazia aqui, quando minha mulher voltava do Brasil, entre outras coisas. Contando isto parece que sou um sabidão de grego, mas a verdade é que sou um "analfabeto" e apesar de saber o jeito certo de dizer algumas coisas, durante a conversa conjugo e declino tudo errado. Mesmo assim nos entendemos. Como da outra vez que encontrei com ele, reforçou que é para manter as porteiras fechadas e pediu para eu avisar os outros.

Manda para mim?
Acabei tirando umas fotos das ovelhas, e uma foto do menino com um filhote indo atrás do resto. O menino gostou da idéia, fez pose e disse para eu tirar outra! Depois o pai dele veio e me pediu para enviar a foto para eles. Quem sou eu para dizer que não? Ele manda ali e ainda por cima poderia ter uma arma! Como eu não tinha caneta, e nem ele, combinamos que ele deixaria um papel no para-brisa do meu carro. Dito e feito, cheguei na carro, peguei o papel no para-brisa e olhei para ver se conseguia entender o endereço de e-mail dele. Ele me deu o endereço de casa!

A mais fácil virou um desafio
Depois de escalar nos tetos por várias vezes, tentando agarras e posições diferentes, e de ter brincando um pouco em umas travessia, o sol começava a baixar "rapidamente" e os efeitos do cansaço começavam a aparecer. Fui tentar as últimas duas vias à direita da parte com tetos e acabei dando de cara com o "boulder" número 6, chamado Τρολλ (Troll). Nunca tinha escalado, nem notado ele, mas parecia fácil, muito fácil. Não tinha o guia para conferir a graduação e resolvi encarar. Saiu facinho, sem pensar, sem fazer força. Definitivamente, a via mais fácil do Monte Várdia (mais tarde, em casa conferi no guia, e era para ser um V+ [UIAA], ou um Vsup/6 [brasileiro], as graduações ali estão "todas" erradas!). Enfim, inspirado, fui verificar os recursos de filmagem da máquina: 20 s de filme. Estava definido o desafio. Filmar a escalada, que deveria acontecer em menos de 20 s. Além da primeira ascensão, tentei outras duas filmando, mas sempre me enrolei em algum ponto e não consegui "vencer" o desafio. Por fim estava tarde, algumas agarras estavam molhadas, e o tempo voltava a fechar; resolvi parar por aí. Vejam vocês mesmos as duas tentativas:

Link para o álbum desta publicação: Como se eu fosse louco